Pregações

Somente a Deus a glória

Igreja Luterana em Três Lagoas

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Resumo da pregação. Este culto não foi publicado com um texto escrito. O resumo abaixo foi redigido a partir da transcrição automática do vídeo e pode conter imprecisões — a pregação na íntegra está no player acima.

A história do povo de Deus é a história de um povo que falhou na missão que recebeu.

A missão era clara desde Abraão: “eu vou abençoar vocês, e vocês serão bênção para todos os povos da terra”. Era a partir deles que os povos ao redor conheceriam o Deus verdadeiro. Mas em vez de contaminar os outros, eles foram contaminados. Em vez de repassar adiante quem era esse Deus, deixaram a idolatria entrar.

O livro de Juízes resume o ciclo: o povo esquece Deus, adora outros deuses, começa a sofrer, clama, Deus levanta um juiz, vêm a libertação e a paz — o juiz morre, e recomeça tudo.

Deus então levanta profetas, cuja principal tarefa era chamar o povo de volta. Elias, Eliseu, Isaías, Jeremias — e todos foram negligenciados, ridicularizados, perseguidos ou mortos por pregarem. No fim, os dois reinos caem, e aquele povo nunca mais voltou a ser o que era.

Jeremias 2

O texto é Jeremias 2.1-13, e a pregação confessa uma reação honesta ao reler o livro: às vezes parece repetitivo, e dá vontade de perguntar quantas vezes ainda vai ser preciso dizer ao povo que se arrependa.

Deus começa lembrando o tempo bom: “eu me lembro da sua fidelidade quando você era jovem; como noiva, você me amava e me seguia pelo deserto”. A figura da noiva é deliberada — quem pertence a um só. Nos textos em que aparecem vários deuses, a Bíblia usa a figura oposta, a da prostituição.

Depois vem a pergunta que o povo não tinha como responder: “que falta os seus antepassados encontraram em mim, para que me deixassem?” É o Deus todo-poderoso perguntando o que ele fez de errado. Que paciência.

O que a idolatria faz com quem a pratica

Aqui está a observação central: “eles seguiram ídolos sem valor, tornando-se eles próprios sem valor”.

A idolatria inverte a ordem da criação. Deus está acima de tudo; abaixo dele, o ser humano, único criado à sua imagem e semelhança, encarregado de cultivar e cuidar do restante. Quando alguém pega algo que está abaixo de si e coloca no lugar de Deus, está se igualando àquilo — e se torna sem valor como aquilo que adora.

Ou seja: a idolatria apaga a identidade de filho.

Por que é tão difícil admitir

A idolatria talvez seja o pecado mais comum, e é o mais difícil de apontar — porque quem adora algo não quer largar aquilo, e não vai admitir. Diga a alguém que o celular o domina e a resposta será: “se eu quiser, largo”. Então largue.

E a pregação explica por que o falso deus é mais atraente: **porque eu o controlo**. Uma imagem de madeira exige o sacrifício que eu decidir, quando eu quiser, e pronto — está tudo certo. Uma autoridade humana tem as mesmas limitações que eu e não pode me cobrar tanto. Já o Deus verdadeiro olha para mim e diz “tome a sua cruz e siga-me”. É mais fácil trocar por algo que me agrada mais.

Há também um sinal de alerta: a idolatria começa devagar. A gente vai esquecendo quem Deus é e o que ele fez, vai apagando da memória os momentos em que entendeu o amor e o poder dele, vai deixando a Bíblia de lado, vai deixando a oração de lado. É sorrateiro.

Os dois crimes

“O meu povo cometeu dois crimes: eles me abandonaram, a mim, a fonte de água viva, e cavaram as suas próprias cisternas, cisternas rachadas, que não retêm água.”

Abandonar a fonte e cavar cisternas rachadas é viver com sede permanente, escolhendo uma água que não sacia.

E há um eco que vale notar: quando Jesus fala de si mesmo como a fonte de água viva, aquele povo certamente se lembrava de Jeremias. Era como se ele estivesse perguntando: vão beber desta água, ou preferem continuar com as cisternas rachadas?

Por que existe uma quinta sola

A pregação faz uma observação sobre a própria série: esta quinta sola foi acrescentada mais tarde por Calvino e não aparece com destaque nos escritos luteranos. Em tese seria dispensável, já que está contida em “somente Cristo” e em “somente a Escritura”.

Então por que enfatizar? Porque o óbvio no conhecimento não é óbvio na prática. Como o coração é inclinado à idolatria, é preciso ser lembrado de não deixar nada ocupar o primeiro lugar.

Glorificar somente a Deus não é apenas não adorar imagens. É tê-lo como o primeiro e o central, e viver todo o resto a partir desse relacionamento. É não colocar a esperança em poderes e autoridades deste mundo. E é compreender que a vontade dele é soberana sobre qualquer esforço humano.

A pregação vai a um teste duro: significa que, independentemente do que aconteça comigo ou com quem eu amo, eu continuo adorando. E faz uma ressalva importante — não se trata de não viver o luto, que é necessário e bíblico. A pergunta é outra: se a morte tira a minha fé, será que ele estava mesmo em primeiro lugar?

O que domina você

A parte mais concreta é uma lista, e ela não poupa ninguém.

**O celular.** Quem consegue ficar do início ao fim de um culto, ou de uma visita, ou de uma conversa, sem olhar?

**O dinheiro.** Já pensou em ficar sem absolutamente nada, do dia para a noite? Para algumas pessoas isso significa suicídio — o choque é tão grande que não veem saída. E se fosse preciso entregar tudo, você entregaria?

**As próprias vontades**, a necessidade de aparecer, o orgulho. O “eu” virando deus: eu faço o que quero, como quero, quando quero, porque me dá prazer.

**A bebida e o cigarro** — dependências que se admite com mais facilidade.

**A comida.** Se você não consegue parar de comer até acabar, mesmo passando mal; se enlouquece diante de um jejum de algumas horas — é sinal de alerta.

**A sexualidade e a pornografia.** A pregação nota a dificuldade que existe até de nomear isso, e observa que com jovens e adolescentes o assunto flui bem mais. E é direta sobre o efeito: escraviza, fica escondido, e destrói casamentos, famílias e a convivência.

A regra que resume tudo: **aquilo que me domina, aquilo que exerce poder sobre mim, aquilo que controla as minhas escolhas, ações e decisões — esse é o meu deus.**

Uma contradição flagrada

A pregação termina com algo que aconteceu nas células durante a semana, sobre a sola anterior.

A primeira pergunta era o que a Bíblia significa para você, e as respostas foram lindas: essencial, muito importante, é onde encontro tudo de que preciso. A segunda pergunta era como você tem lido a Bíblia. E a resposta foi: nunca.

Ninguém tinha percebido a ligação entre as duas perguntas. Somos assim — bons em falar e falhos em praticar.