Pregações

Recomeçando: raízes

Igreja Luterana em Três Lagoas

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Resumo da pregação. Este culto não foi publicado com um texto escrito. O resumo abaixo foi redigido a partir da transcrição automática do vídeo e pode conter imprecisões — a pregação na íntegra está no player acima.

A mensagem anterior tratou de uma raiz ruim. Noemi saiu de Belém com o marido e dois filhos por causa da fome, foi viver em Moabe, e ali perdeu o marido e depois os dois filhos, já casados. Voltou amargurada — a ponto de dizer ao povo da cidade que não a chamassem mais de Noemi, que significa agradável, e sim de Mara, que significa amarga.

Hebreus adverte para não deixarmos crescer entre nós a raiz da amargura. E desgraças acontecem — umas mais, outras menos — e podem nos deixar amargurados.

O que não fazer quando a vida desaba

A pregação marca um ponto pastoral antes de seguir. Noemi se queixa de Deus, está amargurada com ele, mas **não o abandona** — e volta para o seu povo, onde poderia voltar a cultuar e ser amparada.

Há uma tendência de, nas horas difíceis, a pessoa se afastar de Deus e da igreja. Não faça isso: é a pior opção. Pode ficar amargurado, triste, até profundamente bravo com Deus — mas não abandone a Deus nem os irmãos na fé, mesmo que eles também tenham defeitos. É por ali que passa a saída.

Raiz ruim precisa ser tratada. Se for amargura ou ferida, precisa de cura; se for pecado, precisa de arrependimento e mudança. E isso não se faz sem intimidade com Deus e sem irmãos ao lado.

Rute: fidelidade

Rute era moabita, de um povo que não conhecia a Deus. Chegou à fé provavelmente pela sogra — Noemi foi, na prática, a discipuladora dela, ensinando-lhe as Escrituras que existiam então.

Foi isso que a sustentou quando veio a desgraça. Ao recusar ficar em Moabe, ela não estava sendo fiel só à sogra: sem Noemi, não teria como cultuar e conhecer aquele Deus. Escolheu ficar com a única pessoa de fé que conhecia.

E isso chamou a atenção da cidade inteira: uma estrangeira que cria em Deus e era fiel.

A pergunta que fica: como está a minha fidelidade a Deus, e às pessoas que caminham comigo na fé? Ou eu as abandono facilmente?

Rute: humildade

Ela assumiu a posição mais baixa daquela sociedade. Mendigos e estrangeiros ficavam socialmente abaixo até dos escravos — e ela era as duas coisas.

Mas havia uma lei em Israel que a protegia. Levítico 19.9-10: “quando fizeres a colheita da tua terra, não segues até os limites do teu campo, nem apanhes as espigas caídas; não voltes a vasculhar a tua vinha nem colhas os bagos caídos. Deixa-os para o pobre e para o estrangeiro”.

Ou seja: Deus se preocupa com pobres, estrangeiros e desamparados a ponto de escrever isso na lei. E a pregação puxa a consequência — se Deus nos trata com graça, dando vida, saúde e perdão que não merecemos, não deveríamos ser bondosos e graciosos com quem de fato precisa ao nosso redor?

Vale reparar que a humildade de Rute não é malandragem de quem quer receber sem fazer nada. E Jesus promete, em Lucas 18.14, que “o que se humilha será exaltado”.

Rute: disposição para trabalhar

Ela não temeu o serviço duro nem se envergonhou dele — e ainda se arriscou, porque uma mulher jovem sozinha no campo corria perigo, coisa que o texto menciona mais de uma vez.

O capataz reparou: chegou cedo, está de pé até agora, só parou um pouquinho para descansar no abrigo. E no fim do dia ela debulhou e carregou quase uma arroba de cevada — perto de quinze quilos — da lavoura até a cidade. Trabalhou suando ao sol por si e pela sogra, que já não podia mais trabalhar.

Daí uma afirmação direta: em nosso meio o trabalho braçal costuma ser desprezado, e às vezes quem o faz também. Para Deus é diferente — trabalho pesado é nobre e digno, e quem o faz é pessoa digna. Cristão não pode ser preguiçoso nem viver escorado nos outros. Paulo já enfrentava isso em Tessalônica: “se alguém não quer trabalhar, também não coma” (2 Tessalonicenses 3.10).

Boaz: amor e bondade

Boaz manda que Rute não vá a outra lavoura, fique com as servas dele, beba da água dos potes, e ordena aos rapazes que não a toquem. Na refeição, oferece pão e grãos tostados — e ela come até ficar satisfeita, e ainda sobra.

A pregação distingue as duas qualidades, ambas listadas entre os frutos do Espírito: amor tem mais a ver com abrir mão de direitos pessoais em favor de outra pessoa; bondade, com abrir mão de posses.

E identifica quatro razões para ele agir assim. Primeira: conhecia a Palavra e temia a Deus — não estava fazendo uma exceção, aquilo era o normal dele. Segunda: soube da história de Rute e do gesto de não abandonar a sogra. Terceira: preocupava-se com o testemunho da sua comunidade diante de quem vinha de fora. Quarta, e a mais bonita: **foi além da lei** — mandou os ceifeiros deixarem cair espigas de propósito, mais do que a lei exigia. É por isso que ela levou quinze quilos para casa.

Vem daí um desejo declarado para a comunidade: que ela seja marcada por amor a Deus e às pessoas. Porque nenhuma palavra e nenhuma pregação testemunham tanto quanto amor e bondade concretos.

Noemi: discernimento e gratidão

Quando Rute volta com tudo aquilo, a primeira reação de Noemi é louvar a Deus — e é aí que começa a cura da amargura dela. Ela percebe que Deus não a abandonou.

Depois vem o discernimento. Ao ouvir o nome de Boaz, ela reconhece: é parente do meu falecido marido, é um dos nossos resgatadores. Pela lei, o parente próximo devia casar-se com a viúva sem filhos e suscitar descendência em nome do falecido, ficando também com as terras — o que garantia sustento numa sociedade sem emprego para mulheres, sem aposentadoria e sem pensão.

Ela então percebe por onde Deus está guiando, antes mesmo de qualquer coisa acontecer. E o que discerniu se confirmou.

O que sobra para nós

Aprender a enxergar o agir de Deus mesmo em tempos difíceis, e perceber onde ele gostaria que nos envolvêssemos — em vez de simplesmente seguir a própria vontade.

E ter marcas: fidelidade, humildade, disposição para o trabalho, amor, bondade, discernimento e gratidão. Ser uma igreja de gente grata, e não de gente que resmunga e se queixa.

Um último detalhe: Rute aparece na genealogia de Jesus, em Mateus 1.5 — uma das poucas mulheres citadas ali, e uma estrangeira que não pertencia ao povo de Deus e chegou à fé.