Pregações

Então é Natal: e o que você fez?

Pregada por João Carlos Oliveira · Igreja Luterana em Três Lagoas

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Resumo da pregação. Este culto não foi publicado com um texto escrito. O resumo abaixo foi redigido a partir da transcrição automática do vídeo e pode conter imprecisões — a pregação na íntegra está no player acima.

Dezembro é mês de olhar para trás. O que fizemos, o que deixamos de fazer, quais propósitos assumidos em janeiro ficaram pelo caminho — por cansaço, por problema financeiro, por preguiça, por desânimo, ou porque alguém disse que não ia dar certo e a pessoa desistiu.

Às vezes planejamos e sabemos aonde queremos chegar, mas o imprevisto acontece e bagunça tudo. A pandemia fez isso com muita gente: planos, metas, empregos e pessoas queridas ficaram para trás.

Uma poupança bloqueada

A pregação abre com um caso real. Em março de 1990, ao assumir a presidência, Fernando Collor lançou o Plano Brasil Novo e bloqueou contas de poupança e aplicações.

Uma família que hoje vive em Três Lagoas tinha acabado de vender a casa em outra cidade, colocado o dinheiro na poupança e estava vindo de mudança. Chegou aqui justamente quando o plano foi lançado. Ficou sem casa, sem o dinheiro — que não dava para resgatar — e sem como voltar atrás. Foi morar dividindo a casa com parentes. Trinta e dois anos depois, nunca recuperaram o valor.

Mas não é uma história de lamento. Eles não ficaram chorando: arregaçaram as mangas e trabalharam. Hoje têm terreno, casa própria e estão firmes na igreja — à qual chegaram justamente a partir daquela dificuldade.

Daí a afirmação que sustenta a mensagem: mesmo quando as coisas fogem do nosso controle, elas continuam rigorosamente sob o controle de Deus.

O mundo de José em colapso

O texto é Mateus 1.18-25. José estava noivo, fazendo planos — e naquela cultura o noivado já era compromisso firmado entre as famílias, a ponto de só se desfazer por divórcio. Então descobre que Maria está grávida.

A pregação insiste que se leia isso sem o verniz romântico. Coloque-se no lugar do casal: a noiva, com quem você nem chegou a ter contato, diz que está grávida — e do Espírito Santo. Como é que aquilo entra na cabeça de alguém?

E não foi fácil para ela também. Como explicar aquilo ao noivo de um jeito que ele acreditasse?

Há um detalhe cronológico que agrava tudo. Depois da visita do anjo, Maria viajou para a Judeia e ficou três meses com a prima Isabel — uma viagem longa, provavelmente a pé, por região montanhosa. O texto não indica que ela tenha avisado José. Enquanto isso, ele ficou sem entender por que a noiva viajou, por que não avisou, por que demorava tanto — e sem celular para resolver. Quando ela voltou, a gravidez já aparecia.

Quatro visitas e um mesmo recado

A pregação observa que o anjo aparece quatro vezes em torno daquele nascimento — a Zacarias, a Maria, a José e aos pastores no campo. E em todas o recado começa igual: não temas.

Ou seja, o nascimento de Jesus veio acompanhado de medo e incerteza para várias pessoas. E Deus age de um jeito que parece confuso: para Zacarias e Isabel pareceu tarde demais, já em idade avançada; para Maria pareceu cedo demais, ainda adolescente e nem casada.

O que José via e o que Deus estava fazendo

Aqui está o centro da mensagem. Enquanto José estava cheio de dúvida e medo, Deus trabalhava um plano.

José via uma tragédia; Deus apontava o cumprimento de uma profecia. Ele olhava com ótica humana, para o problema, não para as circunstâncias na perspectiva de Deus.

O que ele julgou pecaminoso era sagrado. Maria não era noiva infiel, mas serva fiel. O ventre dela não hospedava fruto de pecado, e sim obra do Espírito Santo. Não carregava filho ilegítimo, e sim o Filho de Deus. Não era o fracasso de um sonho — era o Salvador do mundo.

E às vezes ficamos deprimidos porque deixamos de descansar na soberania de Deus: achamos que o caminho se fechou, que o futuro acabou, que a vida perdeu sentido — sem perceber que ele está preparando algo.

Os dois caminhos de José

Ele tinha duas saídas. Divorciar-se publicamente exigiria acusar Maria de infidelidade diante das autoridades, expondo-a ao vexame e possivelmente ao apedrejamento. Ou deixá-la secretamente — sumir, de modo que a culpa recaísse sobre ele e ela ficasse livre da acusação.

Ele escolheu a segunda, e a pregação valoriza isso: mesmo confuso e ferido, pensou em proteger a reputação dela. Era um homem justo. José nos ensina a proteger as pessoas em vez de expô-las.

Mas há um erro no meio disso: ele deixou que a opinião dos outros determinasse o seu futuro.

Quando o medo do que os outros vão dizer decide por você

Quantas vezes deixamos de tomar decisões importantes porque alguém opinou — e às vezes essa opinião vem carregada de inveja, de quem não quer ver o seu bem?

Quem prega usa a própria história. Quando decidiu vir para Três Lagoas com a esposa e dois filhos pequenos, deixando família e cidade para trás, ouviu de várias pessoas — inclusive de irmãos de igreja — que estavam doidos, loucos, aventureiros, que havia tanto lugar para trabalhar por perto. Se tivesse ouvido, não estaria ali.

E se José tivesse fugido, teria perdido o privilégio de carregar nos braços o Filho de Deus.

Provérbios 29.25 resume: “o receio dos homens é uma armadilha, mas quem confia no Senhor está seguro”. A pregação acrescenta um cuidado: conselho é bom, mas de pessoas que amam você e temem a Deus — e é preciso discernir o que vem de Deus e o que não vem.

E desmonta um ditado: a voz do povo não é a voz de Deus. A voz do mundo, decididamente, não é.

O que ele temeu virou bênção

O que José pensou que seria a ruína de Maria imortalizou o nome dela. Ela teve o privilégio de amamentar o criador do universo, de carregar aquele que sustenta os céus e a terra, de ensinar os primeiros passos àquele que é o caminho para Deus.

E o verbo que a pregação destaca no fim é simples: “José obedeceu”. Depois dos temores, das lutas e das inseguranças, ele fez o que o Senhor ordenou.

Uma palavra dirigida à própria igreja

Antes de encerrar, quem prega lê algo que anotou especificamente para a comunidade — e é uma cobrança direta.

A igreja tem tudo para honrar a Deus: muitas virtudes, muitos dons, e é de muitas formas uma boa igreja. Mas tem um defeito a corrigir: ainda é, na maioria, um povo que não se doa ao serviço de Deus de todo o coração. Muitos vivem à margem da obediência total, mantendo um padrão de vida cristã sem se entregar completamente.

O apelo é orar, nos dias que antecedem o fim do ano, pedindo o que Deus prometeu por Ezequiel: um coração de carne no lugar de pedras endurecidas.

E fica o teste do dia seguinte: podemos, como José, ouvir a voz de Deus falando ao coração — mas vamos sair daqui, vamos acordar. A questão é se vamos obedecer.

O acidente na estrada

A pregação termina voltando à vinda para Três Lagoas. No caminho, a família sofreu um acidente com perda total do carro — e ali veio a dúvida: é isso mesmo que Deus quer? Estou na decisão certa?

A resposta veio de um policial que atendeu a ocorrência: aquela curva era traiçoeira, e todos os acidentes que haviam atendido ali tinham pelo menos uma vítima fatal. Era a primeira vez que chegavam e não havia nenhuma.

Há um detalhe que ele diz nunca ter esquecido: antes da viagem, a filha pequena pediu que ele prometesse voltar para o aniversário dela. Ele prometeu — e quase não voltou.