Pregações

Quem foi Tomé

Igreja Luterana em Três Lagoas

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Resumo da pregação. Este culto não foi publicado com um texto escrito. O resumo abaixo foi redigido a partir da transcrição automática do vídeo e pode conter imprecisões — a pregação na íntegra está no player acima.

O texto é João 20.19-31. Ao cair da tarde do primeiro dia da semana, com os discípulos reunidos e as portas trancadas por medo, Jesus entra e diz “paz seja com vocês”. Tomé não estava ali. Quando os outros contam, ele responde que só creria se visse as marcas dos pregos e pusesse a mão no lado de Jesus.

Tomé não era um homem sem fé

A pregação faz questão de corrigir a fama que ficou. Tomé era cauteloso e, acima de tudo, sincero. Em João 11.16 é ele quem diz aos outros discípulos “vamos também nós, para morrermos com ele”. Em João 14 é ele quem admite: “Senhor, não sabemos para onde vais; como podemos saber o caminho?” — pergunta honesta de quem quer saber por onde ir.

Ele acompanhou três anos de ministério, viu milagre após milagre e sabia o que ia acontecer. Ainda assim duvidou. E a pregação observa o efeito prático da dúvida: ela faz desconfiar da própria fé, dá medo e faz recuar — às vezes bem perto do lugar onde se ia chegar.

Repare também que Jesus repete a saudação três vezes: “paz seja com vocês”. É esse o desejo dele. E a falta de paz é justamente o que abre espaço para a dúvida.

Primeira atitude: estar presente

Tomé não estava na primeira aparição. É de onde a pregação tira a primeira lição: estar presente. No culto, no pequeno grupo, no discipulado — chorar junto, rir junto, abraçar. Quem não está presente na comunhão acaba presente na dúvida.

Não se sabe por que ele faltou naquela noite. Mas o registro ficou na Bíblia para que se aprendesse exatamente isso.

Segunda atitude: reconhecer que o Reino é invisível

Tomé queria tocar. E essa vontade continua: só acredito se Deus aparecer aqui e me abraçar. Mas o Reino de Deus não se toca — está dentro de cada um, como o coração e os pulmões, que ninguém vê e todos sabem que estão ali.

A inversão está aí: “ver para crer” é o caminho de Tomé; no Reino a fé vem primeiro, e é ela que enxerga. Vale reparar que Jesus não precisou abrir a porta trancada para entrar — assim como não precisa de permissão para entrar num coração.

Terceira atitude: contar com a misericórdia de Jesus

“Uma semana mais tarde os seus discípulos estavam outra vez ali, e Tomé com eles.” Uma semana inteira de dúvida — e então Jesus volta, muito provavelmente por causa de um só homem.

É a parte mais consoladora da pregação. Deus age no tempo dele, e às vezes demora. A espera pode ser uma semana, um mês, um ano — a pregação lembra de uma senhora da comunidade que orou por mais de dez anos pelo marido antes de ver resposta. Quando a dúvida, o desânimo ou a incredulidade começarem a tomar conta, o chamado é clamar. Ele volta.

E vale lembrar que as pessoas são diferentes entre si — mesmo irmãos gêmeos são diferentes um do outro. Jesus sabia exatamente do que Tomé precisava.

Quarta atitude: aceitar a correção

“Coloque o seu dedo aqui, veja as minhas mãos… pare de duvidar e creia.” A resposta de Tomé é a confissão mais forte de todo o evangelho: “Senhor meu e Deus meu”.

Reconhecer o próprio erro é o que faz crescer espiritualmente. Foi ao reconhecer que Tomé chegou àquela declaração. E a incredulidade, quando insiste, costuma estar ligada à teimosia e à dureza do coração.

Felizes os que não viram e creram

Nenhum de nós teve a honra de caminhar ao lado de Jesus como Tomé teve. Mas temos o privilégio de crer pela Palavra e de ter um corpo — a comunidade — caminhando junto. A pregação insiste nesse ponto: a paz é difícil de viver sozinho, e o discipulado funciona em cadeia — alguém discipula você, você discipula outro, e assim segue.

O que fica de Tomé não é a fama de descrente. É que ele não foi abandonado: Jesus foi ao encontro dele. E faz o mesmo conosco. Ainda há tempo — basta crer.