A pergunta que a comunidade levou para a semana foi essa: por que a ressurreição de Jesus é importante para nós hoje? O texto que responde é 1 Coríntios 15.
O problema em Corinto
A igreja de Corinto era nova e tinha vários problemas internos. Um deles: havia membros ali dizendo que com a morte tudo acaba, que não existe ressurreição. É contra isso que Paulo escreve o capítulo inteiro.
Ele começa retomando o essencial: “Cristo morreu pelos nossos pecados segundo as Escrituras, foi sepultado e ressuscitou dos mortos ao terceiro dia segundo as Escrituras”. Esses três fatos — morte, sepultamento e ressurreição — são a base de toda a fé cristã.
Vale reparar no sentido da palavra esperança aqui. No uso comum, esperança é “pode ser que aconteça, pode ser que não”. Na Escritura, é aquilo que se espera e vai acontecer.
As testemunhas
Paulo lista quem viu Jesus ressuscitado: Pedro, os doze, mais de quinhentos irmãos de uma só vez, Tiago, todos os apóstolos, e por último ele próprio.
Sobre os quinhentos, a pregação observa que não há esse relato nos evangelhos — provavelmente foi no monte da Galileia onde Jesus mandara os discípulos esperarem. E há um detalhe que dá força ao argumento: Paulo escreve por volta do ano 50, uns quinze a vinte anos depois, e diz que a maioria daquelas pessoas ainda estava viva. Eram testemunhas que podiam ser procuradas.
Sobre Tiago, trata-se muito provavelmente do irmão de sangue de Jesus, que viria a ser um dos líderes da igreja em Jerusalém e a escrever a carta que leva seu nome — não do discípulo Tiago, filho de Zebedeu, morto cedo por Herodes.
E sobre Paulo: ele estava presente no apedrejamento de Estêvão e ia a Damasco com autorização para prender cristãos quando foi cegado por uma luz e ouviu “Saulo, Saulo, por que me persegues?”. Daí ele dizer que não é digno de ser chamado apóstolo — “mas pela graça de Deus sou o que sou”.
Se Cristo não ressuscitou
Paulo leva o raciocínio dos opositores até o fim: “se Cristo não ressuscitou, é inútil a nossa pregação e inútil a fé que vocês têm… e ainda estão em seus pecados. Se é somente para esta vida que temos esperança em Cristo, somos de todos os homens os mais dignos de compaixão”.
A pregação traduz isso: sem a ressurreição, o cristianismo seria apenas mais uma bela filosofia entre tantas que a história produziu. E dá um exemplo concreto — Auguste Comte, que criou o positivismo e previu que em cem anos ele substituiria a fé cristã na Europa. Hoje existe um único templo positivista no mundo, e por acaso fica no Brasil, em Porto Alegre. O que faltou? Ele não tinha poder para ressuscitar.
Mas de fato Cristo ressuscitou
O versículo 20 é a virada: “Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dentre aqueles que dormiram”. Primícias é o começo, a primeira parte — o que abre o processo.
Aí está o motivo de a Escritura falar em “dormir” e não em desaparecer: quem morre na fé é como quem deita e adormece, não percebe o tempo passar e vai acordar quando Jesus voltar.
A pregação também lembra que Jesus não morreu forçado. Foram seres humanos que o mataram porque a pregação dele incomodava a liderança religiosa e política da época, mas ele se dispôs: o inocente se tornou culpado para que os culpados fossem tornados justos.
O que isso muda hoje — quatro coisas
Primeiro, ele está conosco todos os dias. É a última promessa de Mateus: “eis que estarei com vocês todos os dias, até o fim dos tempos”. A pregação lembra o missionário David Livingstone, que sobreviveu a doenças graves, a feras e a ataques na África; perguntado como atravessou tudo aquilo, respondeu que tinha certeza de que Jesus ressuscitou, está em todo lugar e estava sempre com ele.
Segundo, ele intercede por nós. Hebreus 7.25: “é capaz de salvar definitivamente aqueles que por meio dele se aproximam de Deus, pois vive sempre para interceder por eles”. E 1 João 2 o chama de advogado, para quando o acusador tenta nos derrubar.
Terceiro, ele está preparando lugar. João 14.1-3: “não se turbe o coração de vocês… na casa de meu Pai há muitos aposentos. Vou preparar-lhes lugar… voltarei e os levarei para mim”.
Quarto, nós também ressuscitaremos — e por isso é possível enfrentar doença, perigo, problema e a própria morte com esperança. A pregação faz aqui uma confissão pessoal: já com 75 anos, quem prega diz que sua perspectiva é fechar os olhos sem perceber o tempo passar, ainda que passem cem milhões de anos, e acordar na ressurreição.
Como será o corpo
Paulo fala mais adiante de um “corpo espiritual”, e a pregação reconhece a curiosidade sobre isso. Os evangelhos deixam pistas: Jesus entrou na sala de portas trancadas, aparecia e desaparecia. Mas não era fantasma — Tomé foi convidado a tocar as feridas, e em João 21 ele preparou o café da manhã e comeu com os discípulos.
Ou seja: há dimensões que não conhecemos nesta existência, e o que temos são amostras do que será o corpo transformado.
O apelo final é simples: agarrar-se a esse Senhor, servi-lo de coração e não abandonar a fé — porque não há esperança maior.