O texto é Marcos 4.35-41. Ao anoitecer, Jesus propõe atravessar para o outro lado. Levanta-se um forte vendaval, as ondas se lançam sobre o barco e ele vai enchendo de água — enquanto Jesus dorme na popa, com a cabeça sobre um travesseiro.
Os discípulos o acordam: “Mestre, não te importas que morramos?” Ele repreende o vento, diz ao mar “aquieta-te, acalma-te”, e faz-se completa bonança. Depois devolve a pergunta: “por que vocês estão com tanto medo? Ainda não têm fé?”
E eles perguntam entre si: “quem é este, a quem até o vento e o mar obedecem?”
Não adianta ter tudo e não ter paz
A pregação insiste que a paz vale mais do que qualquer outra coisa. Fama, dinheiro, riqueza e status não fazem diferença nenhuma sem ela. De que adianta carro e casa boa se em casa só há briga, no emprego só há briga, com o vizinho só há briga, no trânsito só há briga?
Como ilustração, são lembrados artistas de enorme sucesso e reconhecimento mundial — discos que venderam milhões, Oscar, Globo de Ouro — cujas vidas, apesar de tudo isso, terminaram cedo e em sofrimento. Tinham o que muita gente persegue a vida inteira, e não tinham o principal.
Provérbios 17.1 diz o mesmo de forma direta: melhor um pedaço de pão seco com paz do que uma casa cheia de banquetes com discórdia.
Quem está no controle do barco
Aqui vem a observação mais afiada da pregação. Pedro era pescador experiente, conhecia aquele lago, e ainda assim não conseguia controlar o barco. Se alguém acha que tem poder para controlar tudo à sua volta, está enganado.
E não basta ter Jesus no barco — ele precisa estar no controle dele. A pregação aplica isso à própria comunidade: há um grupo de pessoas que faz a igreja andar, e isso é bom, mas se Jesus não estiver no controle desse barco chamado igreja, ela vai ser bonita e nada mais.
Ter Jesus no barco também não dispensa remar. Muito pelo contrário — quem conduz o trabalho precisa continuar remando sempre.
Não deixe Jesus dormindo
A imagem que dá título à parte central: não permita que Jesus durma no barco da sua vida. Acorde-o. Clame.
E aqui quem prega conta algo sobre si mesmo. Numa crise séria que a comunidade atravessou em outros tempos, estando ele à frente da igreja, tomou uma decisão errada — e a explicação que dá é justamente essa: Jesus estava dormindo no barco e ele não o acordou. Depois tudo se resolveu, mas ficaram as marcas, e levou alguns anos até amenizarem.
Jeremias 29.11 entra como contrapeso: “eu sei os planos que tenho para vocês, planos de fazê-los prosperar e não de causar dano, planos de dar a vocês esperança e um futuro”.
O barco ao lado
Um detalhe do texto que costuma passar batido: havia outros barcos naquela travessia, e Jesus não estava neles. Ainda assim, quando ele acalmou a tempestade, ela se acalmou para todos.
Uma paz que se experimenta na prática
Quem prega dá um exemplo da própria vida. Já tendo passado por um infarto, foi fazer exames — entre eles uma colonoscopia — e o médico avisou à esposa, que esperava do lado de fora, que a chamaria caso encontrasse alguma coisa. Ele conta que entrou naquele lugar em paz, e a razão é a mesma da mensagem inteira: sabia que Jesus estava no seu barco.
E Jesus se importa. Em Marcos 1.40, diante do leproso separado da sociedade, ele se move de compaixão. Não é indiferença: é compaixão.
No tempo dele, não no nosso
Jesus não responde conforme as nossas expectativas, e às vezes parece demorar. Só ele sabe a hora de acalmar o mar.
A pregação encerra com Jeremias 29.4-7, dirigido aos exilados levados para a Babilônia: construam casas e morem nelas, plantem jardins e comam dos seus frutos, casem-se e tenham filhos, multipliquem-se e não diminuam; busquem a prosperidade da cidade para onde os deportei e orem por ela, porque a prosperidade de vocês depende da prosperidade dela.
Ou seja: gente longe de tudo, exilada, recebendo de Deus a orientação de viver e florescer ali mesmo. Isso também é paz.