Pregações

Eu sou: o pão da vida

Igreja Luterana em Três Lagoas

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Resumo da pregação. Este culto não foi publicado com um texto escrito. O resumo abaixo foi redigido a partir da transcrição automática do vídeo e pode conter imprecisões — a pregação na íntegra está no player acima.

Estar saciado depois de um longo tempo com fome é uma sensação ótima: uma necessidade básica foi suprida, e dá para descansar.

Mas o ser humano não é só corpo. A alma também tem fome, sede e um vazio que incomoda, inquieta e tira as forças.

O bebê que chora

A pregação começa com uma imagem simples. Um recém-nascido chora quando está com fome. E também quando está com sede. E quando está com dor, e quando está com sono. É sempre o mesmo choro — quem cuida é que precisa descobrir o que é.

Todos nós aprendemos cedo a sinalizar a fome física: é fácil dizer “estou com fome”. Mas quem de nós aprendeu a perceber e a sinalizar quando está faminto espiritualmente? Nisso ainda somos como o bebê: só choramos.

E esse choro assume outras formas. Ficamos inquietos, mudamos de temperamento, agimos de um jeito diferente — o exterior demonstra que há fome, mas não conseguimos chegar à conclusão do que é.

A multidão que atravessou o mar

O texto é João 6.25-40. No dia anterior, Jesus havia multiplicado cinco pães e dois peixes para milhares de pessoas; de madrugada, andara sobre as águas. Falta de milagre não era o problema.

Quando a multidão o encontra do outro lado, ele é direto: “vocês estão me procurando não porque viram os sinais milagrosos, mas porque comeram os pães e ficaram satisfeitos”. Atravessaram o mar de barco atrás de comida.

Então vem a provocação: “não trabalhem pela comida que se estraga, mas pela comida que permanece para a vida eterna”.

E eles perguntam o que precisam fazer para realizar as obras que Deus requer. A resposta é uma só: “a obra de Deus é esta: crer naquele que ele enviou”.

A pregação aponta a ironia do que vem em seguida: depois de tudo aquilo, eles perguntam **que sinal milagroso** ele fará para que creiam. E citam o maná do deserto — o que revela o que queriam de verdade: comida todo dia, de graça.

Jesus corrige duas coisas. Primeiro, não foi Moisés quem deu o pão do céu; foi o Pai. Segundo, o maná saciava por um dia, e no dia seguinte era preciso colher de novo — mas agora há um pão vivo que desce do céu e sacia de outra forma.

O erro está na palavra “sempre”

Aqui está a observação mais afiada da pregação.

A multidão pede: “Senhor, dá-nos sempre desse pão”. E o erro do pedido não é pedir de graça — é a palavra **sempre**. Eles ainda não entenderam que, comendo daquele pão, não precisariam pedir de novo.

É a criança chorando sem saber qual é a real necessidade. Jesus está oferecendo saciar a fome de vida, de sentido, de propósito e de identidade — e eles continuam pensando no estômago. Não sabiam o que era ser saciado por dentro, porque estavam habituados a sentir fome.

O vazio do tamanho de Deus

E somos assim também. Continuamos pedindo mais aquilo que sacia momentaneamente do que aquilo que sacia para sempre.

A pregação lista o que nos dá satisfação momentânea, sem separar em bom e ruim: lazer, descanso, um bom churrasco, fazer compras, os filhos, beleza, roupa nova, carro do ano, sexo, drogas, bebida. Coisas boas e coisas ruins — todas com prazo, umas de um dia, outras de anos.

E recorre a uma imagem que atribui a Dostoiévski: existe no coração humano um vazio do tamanho de Deus. Tudo o que se coloca ali dentro fica chacoalhando, porque nada tem esse tamanho — e a fome volta, e volta, e volta.

Os gritos de hoje

Quando o vazio fica escancarado, começamos a gritar mais alto para convencer os outros — e a nós mesmos — de que estamos preenchidos.

E a pregação aponta onde isso acontece hoje: as redes sociais e os status, usados para provar ao mundo que estamos satisfeitos.

O argumento é simples e desmonta sozinho: quem está satisfeito não precisa berrar. Um bebê que mamou fica pleno, quieto. Quem está realmente feliz não precisa repetir “estou feliz, estou feliz, estou feliz” — as pessoas percebem.

Daí o exercício proposto: antes de falar, postar ou publicar, parar e perguntar qual é a real intenção do coração. Não a que eu conto para mim mesmo — a real. Será que não é para provar algo, ou para convencer os outros de que está tudo bem?

Quatro relações com o pão

Perto do fim, cada pessoa presente recebeu um pãozinho num saquinho fechado, com a instrução de ainda não abrir. E a pregação descreveu quatro situações.

Há quem **não saiba o que é pão nem para que serve**. Se você nunca tivesse visto um, a palavra não significaria nada. Para essas pessoas é preciso explicar o propósito — e a isso se chama evangelizar.

Há quem **já tenha ouvido falar** do pão e tenha uma noção, mas nunca tenha visto Jesus de perto, nunca tenha tocado nem experimentado. A essas cabe apresentar e convidar para o convívio com quem já comeu.

Há quem **conheça, saiba para que serve e deixe o saquinho fechado de lado**. Não vai sentir o sabor, não vai saber se está bom, não vai matar a fome. São os que se contentam em ouvir falar de Jesus e seguir alguns princípios. A pregação observa que, se Jesus tivesse dado uma lista de dez regras àquela multidão, talvez fosse mais fácil para eles do que crer — e nós também preferimos regrinhas ao invés de experimentar.

E há quem **abra, dê uma cheirada, veja os outros comendo e prefira devolver ao saquinho** — optando por continuar buscando saciedade nas outras coisas. São os que frequentam a comunidade sem se entregar.

Eu sou o pão da vida

“Aquele que vem a mim nunca terá fome; aquele que crê em mim nunca terá sede. Mas, como eu disse, vocês me viram e ainda não creem.”

E adiante: “quem vier a mim eu jamais rejeitarei… a vontade de meu Pai é que todo aquele que olhar para o Filho e nele crer tenha a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia”.

A pregação não promete perfeição: continuaremos errando e tateando prazeres aqui e ali. Mas com esse vazio preenchido, a vida fica mais leve — e, mais do que isso, ganha sentido.

Ao fim, cada um foi convidado a abrir o saquinho e comer aquele pão, como sinal de dizer a Jesus que não aguenta mais correr atrás de coisas para preencher um vazio que só tem o tamanho dele.