Pregações

Encontros com Jesus: encontro que traz mudança

Pregada por João Carlos Oliveira · Igreja Luterana em Três Lagoas

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Resumo da pregação. Este culto não foi publicado com um texto escrito. O resumo abaixo foi redigido a partir da transcrição automática do vídeo e pode conter imprecisões — a pregação na íntegra está no player acima.

Primeira mensagem da série sobre pessoas que tiveram um encontro com Jesus. O texto é João 1.35-42 — o encontro de André e João.

A pregação começa com uma observação bem-humorada: aquele trecho está carregado de Joões. Há João Batista, há o outro discípulo que acompanha André e cujo nome não aparece mas que se sabe ser João, e há o pai de Pedro, também João. Quem prega acrescenta que, ali naquela noite, havia um quarto — ele mesmo.

O apontar de João Batista

Repare no detalhe do “no dia seguinte”. Um pouco antes, no versículo 29, João Batista já havia apontado: “eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. E ninguém deu bola.

No dia seguinte ele aponta de novo — e dois se levantam e seguem.

Para os judeus aquela expressão era clara: remetia ao cordeiro sacrificado no Egito, cujo sangue trouxe a libertação do povo. Havia a esperança de que um dia viria esse Cordeiro.

E aqui está a primeira lição: João Batista não apontou para si mesmo. A função de quem serve é sempre apontar para Jesus.

“O que vocês buscam?”

Jesus percebe que estão o seguindo, se volta, e a primeira coisa que diz no evangelho de João é uma pergunta: **o que vocês buscam?**

A pregação transforma isso em pergunta direta para quem está no culto. Você podia estar em casa com a família, vendo televisão, numa pizzaria. Por que veio aqui esta noite? O que veio buscar?

E amplia: muita gente passa a vida inteira em busca de alguma coisa — sucesso, uma boa profissão, uma família, bênçãos, bens. Como se o mundo fosse uma vitrine, um supermercado, uma concessionária. Não que isso seja errado; a pergunta é outra.

Ela também vale dentro da igreja. Quando vamos a Jesus, buscamos o que ele tem para dar, ou aquilo que queremos que ele nos dê? Porque segui-lo tem preço — e a pregação chega a sugerir que a pergunta poderia ser: vocês estão buscando perseguição, sofrimento, injustiça? É isso que vocês querem?

Vale notar que Deus é de perguntas desde o começo. No Éden, ao encontrar Adão e Eva depois da desobediência, ele pergunta quem lhes disse aquilo.

A resposta deles diz muito: chamam-no de **Rabi**, mestre. Reconhecem ali autoridade e alguém que tem o que ensinar.

“Onde você mora?”

A segunda pergunta é deles: onde estás hospedado? E a pregação lê a intenção por trás dela.

Quando se pergunta a alguém onde mora, raramente é curiosidade. É intenção de visitar, de conviver, de ter uma conversa particular. Eles queriam proximidade.

Jesus responde “venham e verão”. E o texto registra que foram, viram e passaram o dia com ele — deram-se conta de que já eram quatro da tarde. É o que acontece quando se tem prazer em estar na presença dele: a hora passa.

Aqui a pregação faz uma crítica bem-humorada a uma ideia comum, inclusive entre gente de anos de caminhada: a de que Jesus mora dentro das quatro paredes do templo. Vem-se ao culto, confessa-se, recebe-se algo, vai-se embora — e Jesus fica ali até a semana seguinte.

E admite o outro lado com honestidade: acontece de alguém estar sentado desanimado, olhando o relógio, esperando o pastor terminar, com a palavra entrando por um ouvido e saindo pelo outro. Somos seres humanos.

André não ficou quieto

A primeira coisa que André faz depois daquele dia é ir buscar o irmão: “achamos o Messias”. E o leva a Jesus, que olha para ele e diz: “você é Simão, filho de João; será chamado Cefas” — Pedro, pedra.

A pregação puxa a consequência: imagine se André tivesse se acomodado. Foi aquele mesmo Pedro que, depois, numa única pregação, viu mais de três mil pessoas se converterem.

E daí vem a cobrança: há quem viva como “crente secreto”, que ninguém sabe que é crente — não testemunha em casa, nem no trabalho, nem no dia a dia. E às vezes a pessoa que precisa está ali do lado.

Encontros que terminam diferente

A pregação lembra que o encontro acontece, mas a decisão é de quem o teve. Dos dez leprosos curados, só um voltou para agradecer — e Jesus perguntou pelos outros nove. O jovem rico perguntou o que fazer para herdar a vida eterna, ouviu a resposta, baixou a cabeça e foi embora triste. Não foi decisão de Jesus; foi decisão deles.

Histórias de quem apontou

Quem prega conta a própria conversão: foi a esposa, junto com a irmã dela, quem lhe apresentou Jesus. E pergunta o que teria sido dele se elas tivessem se calado.

Conta também de um colega de trabalho, há cerca de quarenta anos, que voltando para casa lhe disse que iria naquela noite com a namorada procurar uma cartomante para resolver um problema do relacionamento. A resposta foi um convite: em vez disso, venham vocês dois à minha casa hoje à noite. Eles foram, ouviram sobre Jesus e decidiram naquela noite. Quarenta anos depois, o casal e os filhos seguem firmes.

E há vários casos da própria comunidade — pessoas que chegaram por meio de outras, e que depois trouxeram mais gente. Inclusive uma criança que começou ajudando no ministério com crianças e continua ali até hoje, adulta.

Um encontro pela dor

Nem todo encontro vem de um convite. Quem prega conta que um irmão seu era o mais resistente da família — não dava importância ao evangelho.

Ele e a esposa perderam o filho único, de vinte anos, num acidente de carro de madrugada. Foi um pastor vizinho quem se aproximou naquele momento, acompanhou o casal e não os deixou sozinhos. Hoje o irmão está firme na igreja, faz curso teológico e compartilha a fé.

Foi pela dor. Mas foi um encontro.

Decisão, não emoção

O fecho é uma advertência. É comum sair de um culto dizendo que a partir de hoje tudo será diferente — e da porta para fora esquecer tudo. Isso acontece quando a decisão é emocional.

Ela precisa ser por convicção, com vontade real de mudança. Foi assim com Paulo: quem perseguia a igreja caiu, e levantou um homem que passaria a ser perseguido. E a primeira coisa que ele fez ao ouvir a voz foi perguntar “quem és tu, Senhor?”

A pergunta final é a mesma do começo: o que você busca? Que seja crescer na fé, na oração e na maturidade — e estar sempre preparado para dar razão da sua esperança a quem perguntar.