Terceira mensagem da série sobre encontros com Jesus. As duas anteriores trataram de André, que teve um encontro e foi chamar o irmão, e de Nicodemos, que procurou Jesus à noite e ouviu que era preciso nascer de novo. Agora é a vez da mulher samaritana, em João 4.
Um desvio de propósito
Antes de chegar ao texto, vale entender a geografia. Os judeus não se davam com os samaritanos, e por isso davam uma volta enorme para não passar por Samaria.
Jesus fez o contrário: mudou o trajeto para passar por ali. Andou mais para chegar àquela cidade. Ele já sabia o que aconteceria; os discípulos, não.
Por que ela estava ali ao meio-dia
Este é o detalhe que a pregação faz questão de explicar. O normal era que as mulheres tirassem água de manhã, e àquela hora estivessem preparando o almoço.
Ela estava no poço ao meio-dia, no calor mais forte, **porque não queria encontrar ninguém**. Era evitada pelas outras mulheres, era vista como mau exemplo, e carregava um histórico que a comunidade não perdoava: cinco maridos, e o homem com quem vivia não era seu marido.
Some-se a isso o preconceito de ser mulher, numa época em que mulher não tinha valor, e o de ser samaritana. Era discriminada por todos os lados. E Jesus foi justamente até ela.
Um diálogo que não se encontra
“Dá-me um pouco de água”, ele pede. E ela estranha: como um judeu pede água a uma samaritana?
Jesus responde: “se você conhecesse o dom de Deus e quem lhe está pedindo água, você teria pedido a ele, e ele lhe teria dado água viva”.
Ela continua no plano do concreto — o poço tinha, segundo os historiadores, uns vinte e cinco metros — e pergunta com que ele tiraria essa água. A única água que ela conhece é aquela.
Então vem a promessa: “quem beber desta água terá sede outra vez, mas quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; ao contrário, ela se tornará nele uma fonte a jorrar para a vida eterna”.
E aqui está o ponto mais fino da pregação. Ela pede: “Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais que vir buscar água aqui”. **Ela não entendeu.** Não está pedindo água viva — está pedindo conveniência, para não precisar mais sair ao meio-dia no sol e não encontrar com ninguém.
É esse o comentário que a pregação devolve: Jesus não anuncia um evangelho de comodidade nem de coisas materiais e passageiras.
A cobrança
Daí a mensagem vira para dentro da igreja.
Quantas vezes vemos alguém na rua e mudamos de caminho? Somos representantes de Jesus aqui, e ele foi. Se a nossa vida se resume a vir ao culto no domingo, à célula na terça e nada mais, o que acontece com quem está fora?
A pregação conta uma história ouvida havia tempos: um cristão vai andando na mesma direção de uma mulher e pensa que deveria falar de Jesus com ela. Decide deixar para o dia seguinte. No dia seguinte, o jornal noticia que ela morreu.
E cita Isaías 29.13: “este povo se aproxima de mim com a boca e me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim”. Junto vem uma afirmação forte de quem prega — que Deus sofre mais com devoto inautêntico do que com pecador, porque o pecador ainda pode ouvir e se reconciliar.
Quem prega dá o próprio exemplo: nas duas semanas em que preparava aquela mensagem, largou tudo duas vezes no meio do preparo para atender alguém que precisava.
O que ela fez depois
“Deixando o seu cântaro, a mulher voltou à cidade e disse ao povo: venham ver um homem que me disse tudo o que tenho feito. Será que ele não é o Cristo?”
Repare no gesto: ela **deixa o cântaro**. Aquela água, que era o motivo de estar ali, deixa de importar. E vai falar primeiro com os homens da cidade — porque com as mulheres ela não tinha contato.
O resultado: o povo pediu que Jesus ficasse mais tempo. Uma pessoa, e a cidade inteira foi alcançada.
Daí a observação sobre número: não importa se são cinco, seis ou muitos. Jesus falou com uma pessoa, e ela levou a mensagem para a cidade.
Campos maduros
“Vocês não dizem: daqui a quatro meses haverá colheita? Eu lhes digo: abram os olhos e vejam os campos; eles estão maduros para a colheita.”
Os discípulos ainda viam plantação que levaria tempo. Jesus já via colheita.
E o fecho do capítulo mostra o efeito: “agora cremos não somente por causa do que você disse, pois nós mesmos ouvimos e sabemos que este é realmente o Salvador do mundo”. Eles não creram de segunda mão — tiveram o próprio encontro.
A pergunta que fica, para responder em silêncio: quando foi o seu encontro com Jesus? E, se ainda não houve, por que não agora?