Pregações

Cartas para nós: palavras de verdade

Pregada por Daline Moeller · Igreja Luterana em Três Lagoas

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Resumo da pregação. Este culto não foi publicado com um texto escrito. O resumo abaixo foi redigido a partir da transcrição automática do vídeo e pode conter imprecisões — a pregação na íntegra está no player acima.

A mensagem começa longe do texto, olhando para os cristãos perseguidos no mundo hoje. À época daquela pregação, o Afeganistão havia assumido o primeiro lugar no ranking de perseguição depois que o Talibã retomou o governo, e havia cerca de cinquenta países onde ser cristão custa alguma coisa.

E as formas variam. Em Cuba, um regime que vai fechando as possibilidades legais de existir como igreja — quem segue em frente passa a estar na ilegalidade. Na Índia, depende da cidade e do povoado, mas um cristão nunca será tratado como igual. Na Nigéria, comunidades isoladas onde um ataque queima tudo, mata os pais e deixa as crianças órfãs.

A pregação diz que a reação certa diante disso não é apenas achar distante. É outra coisa: **peço perdão**. Porque aqui se entra por uma porta com a palavra “igreja” escrita em cima, com o som alto o suficiente para ouvir do outro lado da rua, cantando de boca aberta e com a Bíblia debaixo do braço — e mesmo assim quantas vezes não se vem. E porque essa Bíblia está pegando poeira em casa, enquanto na Coreia do Norte é preciso quase contrabandear uma para dentro do país.

Quem te diz a verdade?

Daí vem a pergunta que sustenta a mensagem: quem são as pessoas da sua vida das quais você tem certeza de que vão te dizer a verdade — sobre a roupa, sobre uma atitude, sobre uma decisão — independentemente de você querer ouvir?

Quem prega admite que, na própria vida, essas pessoas dão para contar nos dedos de uma mão.

E explica por que são cada vez menos: **porque a gente se afasta delas.** Não queremos ouvir o que incomoda, nem que apontem onde estamos falhando.

Ela cita um sintoma bem atual: as postagens que dizem “da minha vida cuido eu”, “ninguém opina na minha vida”, “eu sei o que é melhor para mim”. Quem lê isso perde a coragem de se aproximar e dizer a verdade — primeiro porque a pessoa vai se afastar, e depois porque quem falou passa por ruim, mesmo dizendo com todo amor.

**É mais prazeroso ao ego ter por perto quem diz o que queremos ouvir do que quem diz o que precisamos ouvir.**

Um povo que pediu para não ser confrontado

O texto que ilustra isso é Isaías 30.8-13, e ele é assustadoramente atual.

“Este povo é rebelde, são filhos mentirosos, filhos que não querem saber da instrução do Senhor. Eles dizem aos videntes: não tenham mais visões! E aos profetas: não nos revelem o que é certo! **Falem-nos coisas agradáveis, profetizem ilusões.** Deixem esse caminho, abandonem essa vereda, e parem de confrontar-nos com o Santo de Israel.”

Eles não queriam juízo nem arrependimento — queriam bem-estar. Então escolheram os profetas que falavam palavras doces.

E a resposta de Deus usa a imagem do muro: “este pecado será para vocês como um muro alto, rachado e torto, que de repente desaba… e ele o fará em pedaços como um vaso de barro, tão esmigalhado que entre os seus cacos não se achará um que sirva para pegar brasas ou tirar água”.

Ou seja: o muro que vocês levantaram é feito de mentiras, e eu vou derrubá-lo de tal forma que não sobrará nada aproveitável.

A carta a Esmirna

O texto é Apocalipse 2.8-11. Esmirna existe até hoje — é a atual Izmir, na Turquia.

A pregação pede que se imagine a cena. Chega uma carta — e papiro era caro, carta era coisa séria. O líder reúne a comunidade e começa a ler. Jesus se apresenta como “aquele que é o primeiro e o último, que morreu e tornou a viver”. E diz: “conheço as suas aflições e a sua pobreza — mas você é rico”.

Aquela era provavelmente uma igreja de gente simples, pobre de fato, diferente de outras com mais recursos. E ouve que, diante dele, é rica.

Depois ele valida o que estavam sofrendo: “conheço a blasfêmia dos que se dizem judeus e não são”. Ou seja: eu sei o que estão falando contra vocês, e é mentira; vocês estão no caminho certo.

**Esmirna é a única das sete que não recebe nenhuma reclamação.** Não há o “contra você, porém, tenho isto”.

E a notícia é que vai piorar

Aqui está o que torna essa carta tão desconfortável. Depois dos elogios, vem: “não tenha medo do que você está prestes a sofrer. O diabo lançará alguns de vocês na prisão, para pô-los à prova, e vocês sofrerão perseguição durante dez dias. Seja fiel até a morte, e eu lhe darei a coroa da vida”.

Eles já estavam fragilizados, pobres e sofrendo. E a notícia que recebem é que ainda vai piorar.

A pregação torna isso concreto imaginando-se no lugar deles — grávida à época, ela pergunta o que faria se recebesse aquela carta: se for presa, se apanhar, esse filho nasce? Em que condições? E como sair para trabalhar se estão procurando por você?

E devolve o contraste com Isaías: se fosse aquele povo, a reação seria buscar outro deus, porque essa palavra está dura demais.

Como a gente desiste

Aqui não somos perseguidos de morte nem presos por crer. Mas a pregação identifica o nosso jeito de desistir: **calar-se**.

Quando não se anuncia por medo do que vão dizer ou pensar. Quando se prefere ficar quieto e deixar as coisas passarem. Quando se terceiriza o que Deus chamou a fazer — porque não há tempo, porque estamos cansados, porque a pessoa não merece.

E o padrão de fundo é o mesmo de Israel: se me agrada, eu vou; se não, deixo para os outros. Se vão falar o que gosto de ouvir, fico; senão, procuro outra turma.

A coroa

“Ao vencedor, de modo algum sofrerá a segunda morte.”

A coroa prometida não é a de um rei nem a de um governo. É a coroa dos jogos — a de folhas, que o atleta recebia ao terminar a corrida. Não é prêmio por não ter passado dificuldade; é por ter perseverado no meio dela.

E o que Jesus diz àquela igreja, no fundo, é: eu morri por você, então não tenha medo da morte. Eu já passei pela primeira, e vocês também vão passar — mas acaba ali.

Viver a verdade enquanto se está aqui

O fecho volta ao começo. Enquanto estivermos aqui, é preciso viver a verdade mesmo quando ela confronta, mesmo quando dói no mais íntimo, mesmo quando dá raiva — porque é quando o pecado é confrontado que o orgulho se quebra e se conhece a graça.

As palavras agradáveis do mundo produzem ilusão e têm limite. As de Deus não têm.

E o desejo final para a comunidade é o mesmo elogio que Esmirna recebeu: que sejamos ricos diante dele — ricos em amor, em verdade e na Palavra.