Pregações

Cartas para nós: chamados ao arrependimento

Pregada por Daline Moeller · Igreja Luterana em Três Lagoas

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Resumo da pregação. Este culto não foi publicado com um texto escrito. O resumo abaixo foi redigido a partir da transcrição automática do vídeo e pode conter imprecisões — a pregação na íntegra está no player acima.

A pregação começa com uma pergunta simples: quem já ganhou ou comprou algo novo e ficou empolgadíssimo, cuidando daquilo ao máximo?

Quem prega conta o próprio caso. Ganhou o primeiro violão há uns doze anos, quando começou no ministério de música. Nos primeiros tempos não deixava ninguém pegar — ia marcar de dedo no brilho. Limpava todos os dias. Depois passou a limpar uma vez por semana. Depois uma vez por mês. Hoje já nem lembra a última vez.

O violão continua útil, e ela usa até hoje. O que acabou foi a empolgação inicial.

É o mesmo com relacionamentos: existe o período da paixão, e é quando ela passa que se descobre se aquilo é bom de verdade — porque o amor vem depois, e não depende de empolgação.

E é assim também com a fé. No começo, tudo encanta: um texto bíblico ilumina, um retiro marca, a célula empolga, e a pessoa está em tudo. Depois passa o tempo, aparecem os desentendimentos, percebe-se que nada ali é perfeito, e a empolgação diminui.

**Tudo o que depende só da empolgação inicial tem prazo.**

Mas não é disso que Jesus está falando

Muita gente entende que o “primeiro amor” da carta a Éfeso é exatamente isso — o fervor do começo. A pregação diz que não, e o argumento é forte: se fosse só empolgação, Jesus não teria dito que tiraria o candelabro do lugar.

A quem a carta é dirigida

O texto é Apocalipse 2.1-7: “estas são as palavras daquele que tem as sete estrelas em sua mão direita e anda entre os sete candelabros de ouro”.

As sete estrelas são os anjos das igrejas — provavelmente os líderes que cuidavam delas. Jesus está dizendo a eles: vocês estão na minha mão direita.

E o candelabro é o castiçal cuja luz precisava ser mantida com óleo constantemente reposto. É ele quem passeia entre eles e quem os mantém acesos — quem mantém a igreja cumprindo a função dela. À igreja perseguida, isso significa: **eu não abandonei vocês, eu ando no meio de vocês**.

O que Éfeso acertava

Éfeso era uma cidade grande, movimentada, de passagem, orgulhosa do seu templo à deusa Ártemis e depois também dos templos aos imperadores. Uma igreja pequena no meio de muita idolatria — e ainda assim firme.

**Trabalho árduo.** Não era uma igreja parada nem desacelerada; era comunidade em movimento, com gente arregaçando as mangas.

**Perseverança.** Enfrentaram sofrimento e não desistiram. A pregação faz aqui uma comparação honesta: não temos ideia do que é perseguição. Há igrejas no mundo que se reúnem de forma subterrânea, que não podem cantar alto, que enterram suas Bíblias, e cujos membros têm medo de morrer ao sair na rua.

**Não toleravam o mal.** E, especialmente, **puseram à prova os que se diziam apóstolos e descobriram que eram impostores**.

Esse último ponto rende a observação mais prática da pregação. Costumamos achar que basta o título: se é pastor, sabe pregar; se tem o cargo, sabe manusear a Bíblia. Éfeso não confiava assim — testava quem subia para ensinar.

E lembra que Lutero atribuía aos presbíteros justamente esse dever: avaliar o que o pregador fala, e interrompê-lo se ele se desviar da Palavra. Para isso é preciso conhecer a Palavra.

Os buracos no muro

Éfeso também odiava as práticas dos nicolaítas — um grupo que ensinava coisas contrárias à Escritura, com mais liberdade em questões de moralidade sexual e idolatria, e que ia entrando devagar, convencendo de que isso aqui não tem problema, aquilo ali não muda nada.

Para mostrar como isso funciona, a pregação conta uma história.

Numa cidade cercada por muralha, um homem sustentava a família pescando num rio do lado de fora. Saía quando os portões abriam e voltava antes de fecharem. Um dia os peixes andavam pequenos, e ele resolveu passar uma noite fora — e descobriu que à noite os peixes eram maiores.

Passar a noite inteira fora era cansativo. Como a cidade já não tinha inimigos havia muito tempo, e a casa dele era grudada no muro, ele pensou: se eu cavar um buraco aqui por dentro de casa, ninguém vê, eu pesco duas horas e volto para dormir.

Fez o buraco. Um amigo elogiou os peixes, perguntou de onde vinham, e ele mostrou. O amigo, que também morava encostado no muro, fez o seu buraco. E contou para outro. E esse para outro.

Passadas décadas, o muro estava cheio de buracos e já não protegia nada. Quando se espalhou que a cidade estava vulnerável, voltaram os ladrões e os salteadores — e entraram sem esforço.

**Um buraco parece inocente.** O problema é que ele abre precedente para o próximo.

A pregação traz exemplos que doem: crianças pequenas dançando músicas com letras sexualizadas e repetindo gestos que imitam posições sexuais; adolescentes com acesso a conteúdos na internet que os pais nem imaginam; casais que vão dormir brigados achando que uma vez não tem problema; palavrão e xingamento dentro de casa.

Éfeso não permitiu buracos no muro da doutrina. E os líderes de lá eram instruídos o bastante para cuidar disso.

O que faltava

“Contra você, porém, tenho isto: você abandonou o seu primeiro amor. Lembre-se de onde caiu, arrependa-se e pratique as obras que praticava no princípio. Se não se arrepender, virei a você e tirarei o seu candelabro do lugar.”

Repare que Jesus não manda parar de fazer o que estavam fazendo — ele acabou de elogiar tudo aquilo.

O que se perdia era a **intimidade com Cristo**. O relacionamento próximo, entregue, de conversa. Eles cuidavam para que tudo estivesse certo nos cultos, para que a doutrina fosse correta, para que nada estivesse errado — e no meio disso esqueceram de orar, de se entregar, de conversar com aquele que é o primeiro amor.

Diferente da empolgação, a intimidade não é do começo: ela se desenvolve na caminhada, e deveria ir aumentando à medida que se descobre mais dele.

Aqui está o alerta prático: obra sustentada por empolgação, ou por pessoas, cai. Quando o que sustenta são as pessoas, basta uma crítica para a pessoa não voltar mais. Quando é Jesus quem envia, os obstáculos não param ninguém — porque é ele quem mantém a luz acesa.

Não é condenação, é chance

Tirar o candelabro do lugar é sério: significa a igreja deixar de estar onde ele passa.

Mas, como diz a mensagem anterior da série, Apocalipse não é carta de medo. Jesus não está dizendo que acabou — está dizendo: arrependam-se, voltem a falar comigo, voltem à minha presença. É chamado, não sentença.

E a promessa fecha com uma imagem do começo da Bíblia: “ao vencedor darei o direito de comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus” — a mesma árvore da qual não se pôde mais comer depois da queda.

O recado final é para a vida corrida de sempre: com trabalho, compromissos e família, é fácil achar que basta cumprir o mínimo, que tudo bem esquecer a Bíblia, que tudo bem falar com Jesus menos vezes. E é justamente isso o que não pode virar hábito.