Primeiro culto do ano, ainda transmitido ao vivo para quem estava em casa. Quem prega é um membro da comunidade, chamado a assumir o culto no lugar do pastor.
**O culto começa com uma palavra da liderança do louvor**, sobre Ana orando em 1 Samuel 1: os lábios se moviam sem sair voz, e o sacerdote a repreendeu achando que estivesse embriagada.
A aplicação é direta a quem estava assistindo de casa: **não importa como você chega até Deus** — resmungando baixinho, batendo palma, em silêncio. Sempre haverá quem critique o jeito. E a frase que fecha: **“se fosse pelo homem, eu não estaria aqui hoje com esse microfone na mão.”**
O ano que começava
O texto da mensagem é 1 João 5.4-5, e ela nasce da virada de ano.
Todo mundo desejava que 2021 fosse diferente — que a pandemia acabasse, que os problemas do ano anterior ficassem para trás. **E ele contraria essa expectativa logo de saída: os problemas vão continuar existindo.** Não serão retirados de repente, porque este é um mundo caído.
A pergunta, então, não é como fazer os problemas sumirem.
Deus não tirou as serpentes
O texto que ele traz para responder é Números 21, e é a melhor parte da mensagem.
O povo reclamava contra Deus por ter sido tirado do Egito e estar passando necessidade no deserto. E vieram as serpentes — que o texto chama de **abrasadoras**, nome que ele explica de duas maneiras: pela inflamação da picada, que deixava o lugar muito vermelho e trazia febre alta, ou pela própria cor avermelhada do animal.
Muita gente foi picada e morreu — jovem, velho, criança.
Moisés ora, e Deus manda fazer uma serpente de bronze numa haste, no meio do acampamento: **quem fosse picado e olhasse para ela, viveria.**
**“O que me chama atenção nessa história é que Deus não tirou as serpentes.”**
Elas continuaram lá. Continuaram picando. Continuaram fazendo mal. **A diferença é que agora havia o que fazer.**
E a aplicação para janeiro de 2021 é imediata: o vírus continua existindo — e naqueles dias falava-se de uma nova variante. **O problema não foi retirado. O que muda é ter para onde olhar.**
Ele fecha o paralelo com o Novo Testamento, onde Jesus usa exatamente essa imagem ao falar do modo como seria levantado: **todo aquele que foi picado pelo pecado, ao olhar para ele, recebe a vida.**
Sobre reclamar
De passagem, uma observação com humor sobre o povo do deserto: *“aquele povo vivia reclamando. Bem diferente de nós hoje, né? Hoje nós não reclamamos… Será que reclamamos?”*
O que ele diz sobre orientação
Duas coisas aqui merecem registro, pelo momento em que foram ditas.
**Primeiro: ele afirma que Deus também orienta pelas autoridades** — e cita nominalmente usar máscara, higienizar as mãos e evitar aglomeração como parte de agir com prudência.
**Segundo: ele adverte contra a desinformação.** A tecnologia é boa — é ela que permitia aquele culto chegar às casas. Mas por ela também **“muitas pessoas vêm com um monte de teoria sem fundamento”**, e quem acredita acaba se desesperando e fazendo o que não deve. O nome que ele dá àquilo, mais adiante, é **fake news**.
Não existe medidor de fé
Sobre o tamanho da fé, ele é generoso:
**“Ainda que a sua fé seja tímida, pequena, ela é a sua fé. Nunca ouvi falar de um aparelho que meça a fé.”** Ou ela existe, ou não existe — e a de quem está assistindo existe, senão não estaria assistindo.
E lembra o pai que chega a Jesus e admite que a própria fé é pequena, pedindo ajuda justamente nisso. **Jesus opera assim mesmo.**
O que a fé não promete
Ao chegar ao texto — *“todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé”* —, ele faz uma correção que vale:
**Não está dito que, tendo fé, tudo vai ser maravilhoso.** Quem é de Deus também passa por provações. **O que muda é como se encara aquilo.**
E sobre “nascido”: ninguém é construído aos poucos até virar cristão. Há um momento em que a pessoa ouve, crê e vem.
“Venha do jeito que você está”
O trecho mais pastoral é sobre quem adia.
Ele descreve a conversa que já teve muitas vezes: a pessoa diz que bebe, que fuma, e que **no dia em que parar, ela vem para a igreja.**
**“Você nunca vai.”**
Porque se for esperar pela própria força, o tempo passa. **Venha do jeito que você está** — Jesus veio para quem está doente, e é ele quem dá condição de vencer aquilo.
O pano de fundo
Ele não esconde o que tinha sido o ano anterior. Houve perdas, dentro da própria comunidade e nas famílias. **E houve gente que não suportou** — ele fala do aumento dos casos de depressão e dos que não resistiram àquele período, atribuindo isso à falta de esperança.
E daí tira uma responsabilidade, não um lamento: **“como eles vão ter fé, se nunca ouviram falar daquele que é o autor e consumador da nossa fé?”** Se falta esperança, a igreja tem o que fazer.
Ele lembra ainda que a fé é um dos pilares da Reforma — o *sola fide* que a comunidade estampou em camisetas em 2017 — e o versículo que moveu Lutero: **o justo viverá pela fé.**
A oração final
Vale o registro do que se pediu naquele primeiro culto do ano: pelos profissionais que estavam nos hospitais; e pelas autoridades eleitas — de vereadores a presidente — **que honrassem os mandatos e não explorassem o povo.**