Pregações

Ele se fez servo

Igreja Luterana em Três Lagoas

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Resumo da pregação. Este culto não foi publicado com um texto escrito. O resumo abaixo foi redigido a partir da transcrição automática do vídeo e pode conter imprecisões — a pregação na íntegra está no player acima.

A pregação volta à quinta-feira anterior à cruz, quando Jesus manda os discípulos prepararem a ceia da Páscoa. O texto é João 13.

A bacia que ficou vazia

Naquela época, na entrada das casas onde se fazia uma refeição havia uma bacia com água e uma toalha. As pessoas andavam a pé, de sandália aberta, por estrada de terra — chegavam de banho tomado, mas com os pés imundos. Lavar os pés antes de entrar era o costume.

Só que esse trabalho era do escravo. Não era de qualquer um: era humilhante, e quem não fosse servo simplesmente não fazia. Naquela noite não havia ninguém contratado para isso — provavelmente de propósito — e nenhum dos discípulos se ofereceu.

Então Jesus se levanta da mesa, tira a capa, amarra uma toalha na cintura e começa a lavar os pés deles. Os discípulos devem ter ficado constrangidos: aquilo era serviço abaixo do mestre.

A objeção de Pedro

Pedro reage como sempre reagia: “nunca lavarás os meus pés”. Jesus responde: “se eu não os lavar, você não terá parte comigo”. E Pedro vira do avesso — então lava também as mãos e a cabeça. A resposta de Jesus é a chave da pregação: “quem já se banhou precisa apenas lavar os pés”.

Primeiro aspecto: o corpo já lavado, os pés que sujam de novo

Quem entregou a vida a Jesus já tomou o banho — o corpo foi lavado pelo sangue dele. O sinal visível disso é o batismo.

Mas a vida continua, e no caminhar os pés sujam outra vez. Peca-se, falha-se, perde-se a confiança, mente-se, calunia-se, deixa-se a amargura crescer e a frieza tomar conta. É por isso que é preciso confessar sempre de novo. Na comunidade, a Ceia é justamente esse momento mensal de lavar os pés.

A pregação puxa daí uma consequência dura: quem não se enxerga pecador, quem não vê os próprios erros nem a culpa que carrega, talvez ainda não tenha sido lavado. Cabe ao Espírito Santo mostrar onde está a sujeira, para que se confesse e Jesus lave.

E há um aviso pastoral junto: culpa não confessada pesa. Aparece como angústia sem origem clara, como peso nos ombros, como cabeça baixa. Não é para carregar.

Segundo aspecto: o maior é o que serve

“Se eu, sendo Senhor e mestre de vocês, lavei-lhes os pés, vocês também devem lavar os pés uns dos outros. Eu lhes dei o exemplo.”

Outro evangelho registra que naquela mesma mesa os discípulos discutiam quem era o maior entre eles. Muito provavelmente foi aí que Jesus se levantou. Ele conhecia naquele coração — como conhece no nosso — o desejo de ser maior, de mandar, de aparecer, e o pouco desejo de servir.

O Reino de Deus não se trata de quanto alguém aparece, nem de posição, nem de função, nem dos próprios interesses. Trata-se de largar tudo isso, pegar uma toalha e lavar pés sujos.

Ele lavou os pés de todos eles

O texto começa dizendo que Jesus amou os seus “até o fim” — e o fim foi a morte. Vale reparar em quem estava naquela roda.

Jesus lavou os pés de Judas, sabendo que ele sairia no meio da ceia para entregá-lo. Lavou os pés do amigo que o negaria três vezes. Lavou os pés dos homens que caminharam com ele por três anos e que, na hora de maior angústia, primeiro dormiram no Getsêmani e depois fugiram.

Diante disso, a pergunta fica: quem somos nós para escolher a quem servir, a quem amar, a quem ajudar? Servir não rebaixa ninguém — demonstra o amor de Deus por aquela pessoa.

A pregação dá um exemplo pessoal e simples: mexer com terra e jardim, para quem gosta, não é sacrifício nenhum — é prazer. O sacrifício está justamente naquilo que exige deixar o próprio interesse de lado. A pergunta é onde cada um tem feito isso, e os Pequenos Grupos aparecem como o lugar mais concreto para viver as duas dimensões: confessar e servir.

O exemplo maior

Filipenses 2.5-8 fecha: “seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se, mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo… e foi obediente até a morte, e morte de cruz”.

Toda vez que a fé cristã parecer ser sobre ser grande ou superior aos outros, vale lembrar o caminho contrário que ele fez. E que mesmo quando o cálice pesou, a oração foi “seja feita a tua vontade, e não a minha” — porque é a vontade do Pai que leva à vida e à salvação.