Pregações

Começando: Leve

Pregada por Daline Moeller · Igreja Luterana em Três Lagoas

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Resumo da pregação. Este culto não foi publicado com um texto escrito. O resumo abaixo foi redigido a partir da transcrição automática do vídeo e pode conter imprecisões — a pregação na íntegra está no player acima.

A primeira pregação do ano parte de Tiago 1.13-18: “quando alguém for tentado, jamais deverá dizer: estou sendo tentado por Deus. Pois Deus não pode ser tentado pelo mal e a ninguém tenta. Cada um, porém, é tentado pelo próprio mau desejo, sendo por esse arrastado e seduzido”.

Tentação não é pecado

Tentação é o desejo por algo que não vem de Deus ou contraria a vontade dele. Todos são tentados — Jesus também foi. O problema não está em ser tentado, e sim no que vem depois.

As áreas mudam de pessoa para pessoa, e nem sempre são as óbvias. Há quem seja tentado na sexualidade, onde o desejo é físico e mais fácil de reconhecer. Há quem seja tentado pelo dinheiro, sempre achando que o que tem não basta. E há tentações de comportamento, mais difíceis de admitir: o celular que consome horas, ou o ativismo de quem não consegue parar de ver o que precisa ser feito. Limpar a casa não é pecado — mas limpar o dia inteiro e não ficar com a família é sacrificar a família, e isso pesa.

De quem é a culpa

O texto fecha duas portas de saída. A primeira: não se pode atribuir a tentação a Deus. A segunda, que a pregação cobra com franqueza: também não adianta jogar tudo na conta do diabo. Ele se aproveita das nossas fraquezas porque as conhece, mas a tentação nasce no próprio coração — “cada um é tentado pelo próprio mau desejo”.

As duas palavras usadas ali descrevem bem o processo. “Arrastado” é o que não se controla, por mais que se tente segurar. “Seduzido” é o que fica diante dos olhos até que a pessoa cede: não tem problema, é só um pouquinho. Quando o desejo deixa de ser desejo e passa a ser prática, ele já não é tentação — é pecado. E o pecado consumado gera morte.

O pior engano é o de dentro

“Não se deixem enganar. Toda boa dádiva e todo dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes.” Existem muitos enganos ensinados por aí, mas o pior deles nasce no próprio coração: aquele que convence a pessoa de que está tudo bem continuar como está, de que dá para mascarar, camuflar, deixar guardado.

A pregação ilustra isso com mochilas. Cada tentação à qual se cede, sem confessar a ninguém, vira um ponto escuro guardado — “aqui não mexe, aqui ninguém pode ver”. Com os anos esses pontos viram fardos, e os fardos ficam pesados. Depois vêm as mentiras necessárias para sustentá-los, e depois vem a distância.

O que o pecado escondido separa

Com as mochilas nas costas fica impossível receber um abraço de verdade: existe algo no meio. É exatamente o que Isaías 59.2 descreve — “suas maldades separam vocês do seu Deus; os seus pecados esconderam de vocês o rosto dele”.

Essa distância aparece primeiro no relacionamento com Deus: a oração não sai, o louvor não entra, a pregação não faz sentido. Depois chega aos relacionamentos com as pessoas. Casal que briga antes de dormir sente que há alguém no meio da cama. Vale para os filhos, para o cônjuge, para a família, para a igreja. Mágoa e raiva guardadas vão afastando aos poucos.

O Salmo 32 descreve o preço: “enquanto eu mantinha escondido os meus pecados, o meu corpo definhava de tanto gemer; minhas forças foram se esgotando como em tempo de seca”. A pregação lembra o caso de uma senhora em quimioterapia que ouviu do próprio médico que a mágoa não superada pela morte do marido a corroía por dentro. Adoece-se primeiro espiritualmente, depois emocionalmente, depois fisicamente.

Chega de carregar

O mesmo salmo mostra a saída: “reconheci diante de ti o meu pecado e não encobri as minhas culpas; confessarei as minhas transgressões — e tu perdoaste”. E Isaías 59.1 garante que o braço do Senhor não está encolhido a ponto de não salvar, nem o ouvido dele surdo a ponto de não ouvir.

Não há vergonha em falar de tentação: todos passam por elas, e a força para não ceder vem do Espírito Santo — muitas vezes por meio de outra pessoa que se dispõe a ouvir. Confessar, arrepender-se, pedir perdão a quem foi ferido e liberar perdão a quem feriu é parte do preparo para a Ceia.

A pergunta que fica é direta: quais fardos você tem carregado? O que ainda precisa ser entregue aos pés da cruz para começar leve?