Pregações

Começando: Bem

Igreja Luterana em Três Lagoas

Ouvir a pregação

Leitura em voz alta, direto do navegador

Resumo da pregação. Este culto não foi publicado com um texto escrito. O resumo abaixo foi redigido a partir da transcrição automática do vídeo e pode conter imprecisões — a pregação na íntegra está no player acima.

Janeiro é o mês dos começos: metas, planos, plano de leitura bíblica, academia cheia na primeira semana. A pregação começa com uma votação na igreja — o que é mais importante, começar bem ou terminar bem? — e passa o resto do tempo mostrando por que a segunda pergunta é a que quase ninguém faz.

Basta olhar para trás com sinceridade. Como você começou os estudos, a faculdade, o emprego, o namoro, as amizades? A maioria começa bem: empolgada, dedicada, encantada. E como terminou? Como terminaram a escola, os relacionamentos, as amizades que hoje já não existem, os laços de família que ficaram distantes?

Por que os fins importam

A gente se ocupa de pensar no que vai começar e quase nunca avalia o que terminou. Quando um ciclo se encerra mal e ninguém para para entender o que houve, aquilo simplesmente é enterrado — e a tendência é repetir. Se não há reflexão sobre por que terminou e como terminou, o próximo começo caminha para o mesmo fim.

Quem começou bem e quem terminou bem

A Bíblia não esconde nada dos seus personagens, e eles cobrem todas as combinações. Adão teve o melhor começo possível — criado sem pecado, caminhando com Deus no jardim — e veio a queda. Jacó começou mal: o nome dele significa enganador, e ele enganou a própria família; depois de anos e de um encontro com Deus, termina abençoando todos os filhos. Davi começou bem, cometeu erros gravíssimos no meio do caminho, foi lapidado e terminou bem. Salomão começou pedindo sabedoria e agradando a Deus, mas deixou que riquezas e caprichos o afastassem — podia ter terminado muito melhor. Paulo começou perseguindo e matando cristãos, encontrou Jesus e terminou como um dos maiores missionários da igreja.

Ou seja: quem começou bem tem exemplos de como continuar, e quem não começou bem tem exemplos de que ainda dá para virar.

Olhos fitos em Jesus

Hebreus 12.1-2 vem depois do capítulo que lista os heróis da fé: “uma vez que estamos rodeados por tão grande nuvem de testemunhas, livremo-nos de tudo que nos atrapalha e do pecado que nos envolve, e corramos com perseverança a corrida que nos é proposta, tendo os olhos fitos em Jesus”.

“Fitos” é fixos, firmados. É esse o conselho para atravessar dias bons e ruins e ainda assim terminar bem. Enquanto os olhos estiverem em Jesus, as decisões não serão comandadas por impulso e vontade própria, mas pela Palavra — e para saber o que Jesus faria é preciso conhecê-lo, o que exige ler e estudar.

Isso alcança tudo: onde trabalhar, como reagir quando um amigo magoa, como educar os filhos em meio a tantos conselhos contraditórios. E transforma o caráter, como transformou o de Jacó, de Davi e de Paulo.

O caráter aparece no fim

O exemplo dado é do trabalho. Alguém começa ótimo, precisa do salário, é o melhor funcionário. Aí aparece outra proposta e a pessoa quer sair — mas quer sair com benefício. Então começa a fazer corpo mole, a faltar, a “sacanear” até ser mandada embora. Começou bem; mas o que vai marcar aquele lugar é como terminou. A alternativa honesta é simples: conversar com o chefe e pedir as contas.

Vale para sonegar imposto, dirigir sem habilitação, ser desonesto com um cliente, mentir para o patrão para conseguir uma folga. São coisas comuns e socialmente aceitas — e são exatamente onde o caráter aparece.

Livrar-se do que atrapalha

“Livremo-nos de tudo que nos atrapalha e do pecado que nos envolve.” A pregação alerta para a leitura fácil desse versículo: livrar-se das pessoas que atrapalham. É muito mais confortável olhar para fora — a culpa é do chefe, do professor, do outro. Os outros de fato erram; mas nós também somos “o outro” na vida de alguém.

E não temos poder de mudar o outro. Deus tem poder de mudar a nós. O que atrapalha pode ser um caráter duvidoso, um jeito grosseiro de tratar as pessoas, o ego que precisa estar acima, a baixa autoestima que não deixa permanecer em nada, a vontade de se dar bem sem sacrifício, ou o medo que paralisa diante da primeira batalha difícil.

Terminar bem

A pregação traz dois exemplos vivos da comunidade. Um senhor de 87 anos que acabara de perder a esposa depois de mais de quarenta anos de casamento e pôde dizer que houve paz naquela casa. E o pastor emérito, que passou o bastão ao sucessor e por isso tem hoje total liberdade de estar ali, pregar e aconselhar — se o fim do ministério dele tivesse sido de conflito, talvez nem entrasse mais.

Vem daí um aviso sério: quem termina mal tudo o que começa — os relacionamentos, os empregos, a convivência com a família — é forte candidato a terminar mal também a caminhada de fé. O que falta é deixar o Espírito Santo fazer o trabalho de santificação.

O maior sonho

Em 2 Timóteo 4.6-8, sabendo que a morte estava próxima, Paulo escreve ao seu filho na fé: “combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé. Agora me está reservada a coroa da justiça”. Terminar bem é terminar com Jesus — e nunca é cedo nem tarde demais para isso. Muita gente é vista começando com Jesus; o número diminui muito quando se pergunta quem terminou com ele.

Três coisas para levar: tirar os olhos de si mesmo e das coisas deste mundo e fixá-los em Cristo, alimentando isso na leitura da Palavra; abandonar hábitos que não glorificam a Deus; e começar bem, aceitando ser moldado por Deus no caminho — porque errar no processo faz parte, como fez na vida de Davi.

Aos olhos religiosos da época, Jesus pregado na cruz era alguém terminando mal, já que o crucificado era tido como maldito. Mas ali ele cumpria o plano de salvação, e três dias depois ressuscitou.