Esta mensagem tem um tom diferente do resto da série. Quem fala não é quem prega habitualmente: é um pai e avô da comunidade, convidado a falar sobre filhos. E ele avisa logo que é assunto que ama — com o adendo de que, para ter neto, primeiro é preciso ter filho.
Os textos são dois. Efésios 6.1-3: “filhos, obedeçam a seus pais no Senhor, pois isso é justo. Honra teu pai e tua mãe — este é o primeiro mandamento com promessa”. E Colossenses 3.20-21: “filhos, obedeçam a seus pais em tudo, pois isso agrada ao Senhor. **Pais, não irritem seus filhos, para que eles não desanimem.**”
Primeiro, como filho
Antes de falar como pai, ele fala como filho. Os pais dele já morreram. Ele conta que buscava o pai para almoçar e o levava de volta depois, porque o velho fazia questão do cochilo da tarde; e que a sogra estava sempre com eles.
O pai era um homem sério — os irmãos tinham um certo receio dele. Ele não. Gostava de provocar: jogava vôlei no terreno ao lado da casa e, quando o pai estava dormindo, mandava a bola no telhado de propósito.
“Perdão, pai. Mas ele gostava.”
Os filhos agregados
Uma parte bonita e curta: ele aponta, ali na igreja, jovens que passaram pela casa deles e que chama de filhos agregados. Ver esses meninos hoje na comunidade é, para ele, motivo de alegria — ter feito parte de um pedaço da vida deles.
A Belina
A história que mais fez rir. Uma viagem de sábado a uma cidade vizinha com a Belina lotada: ele, a esposa, o sogro, os filhos, sobrinhos — gente demais para um carro só.
Na volta, ao fim da tarde, uma blitz.
Ele não tinha explicação nenhuma para dar. O guarda se aproximou, olhou aquilo e comentou que o negócio estava cheio. E liberou com duas palavras: **“vai devagar.”**
A leitura que ele faz: Deus agiu apesar do erro dele.
O que é criar filhos
A frase que a esposa escreveu para ele levar, e que ele lê: **“criar e educar filhos são grandes emoções.”** Boas e ruins — e as boas superam as ruins de longe.
E a definição que ele foi buscar no dicionário para ter certeza da palavra: **a missão de ser pai é difícil, mas é nobre.**
Ele lembra que a Bíblia está cheia de homens de grandes vitórias que fracassaram dentro de casa — Abraão, Isaque, Jacó, Eli, Davi — e deixa a explicação teológica para quem estava conduzindo a série no mês.
Mais oportunidade, mais risco
A observação dele sobre a geração atual é equilibrada: os filhos de hoje têm oportunidades melhores e acesso rápido a tudo, inclusive à possibilidade de simplesmente mudar de país. **E por causa dessa mesma velocidade estão muito mais expostos a risco** — ouvem menos os pais e querem a própria liberdade mais cedo.
A ilustração de que a internet dá acesso a tudo vem de uma história de família: uma sobrinha, prestes a perder o emprego e o plano de saúde às vésperas de uma cirurgia, chegou desesperada. E ele, para acalmá-la, brincou que ficasse tranquila — que o tio ia na internet ver como se faz a cirurgia e fazia nela.
“Se agarre em alguém”
O conselho mais prático da noite, e ele o dá a partir da própria experiência: se você tem dificuldade com os seus filhos, **se agarre em alguém.** Olhe para uma pessoa cuja família você admira e se aproxime dela.
Ele credita a um casal de pastores boa parte do que aprendeu sobre criar os filhos espiritualmente.
A pergunta da mesa
E vem a pergunta que ele devolve à igreja:
**“Há quanto tempo você não se reuniu ao redor da mesa com os seus filhos?”**
Ele admite que ficou mais difícil na própria casa — os filhos têm uma churrascaria e trabalham nos fins de semana. Mas quando aparece um feriado e o negócio não abre, ele chama: hoje a gente janta junto.
E a instrução é de uma frase: **deixa o celular de lado. Converse.**
O segundo amor
“Volte ao seu segundo amor.” O primeiro é Deus; o segundo são os pais.
**“Aqui na terra, ninguém te ama mais do que os seus pais.”** Com a ressalva de que é preciso estar em Deus — e, se os seus pais não estiverem, leve-os.
Sobre por que os grandes homens da Bíblia falharam em casa, ele arrisca uma explicação: em parte por ignorância do tempo deles, quando o pai sempre tinha razão e o filho nunca tinha. Hoje os filhos têm liberdade para falar e até para discutir com os pais.
A ordem das coisas
E aqui vem a frase mais surpreendente de se ouvir do púlpito, dita por um membro antigo da comunidade:
**“Deus sempre em primeiro lugar. Em segundo lugar, a família. Em terceiro, a igreja.”**
Ele repete para não deixar dúvida: não há nada acima da família que não seja Deus.
Brincar com os pais
Conhecimento é bom e importante — mas o maior conhecimento é amar a Deus e obedecer a ele. E a consequência disso, diz ele, é amar, respeitar e **brincar** com os seus.
Ele conta que fazia isso com a mãe: chegava em casa e a pegava no colo, enquanto o irmão, mais sisudo, entrava pedindo a bênção e pronto. Com o pai levou mais tempo, porque era durão — mas acabou conseguindo.
“Brinque com seus pais. Fale com seus pais.”
Obedecer é ordem, e não tem idade
Sobre Colossenses, ele é literal: obedecer aos pais é ordem de Deus. Desobedecer pai e mãe é desobedecer ao próprio Deus; desonrá-los é desonrar a Deus, porque foi Deus quem deu aos pais essa autoridade.
E antecipa as duas objeções.
**“Ah, mas eu já tenho quarenta anos.” E daí? Não importa a idade.**
**“Ah, mas eu toco no louvor. Eu venho a todos os cultos, eu participo da célula.” E daí?**
Junto vem um ensinamento que ele recebeu do pai e repassou aos filhos: **se uma pessoa idosa vier falar com você e você estiver certo, e ela discutir — deixe ela falar.** Discutir você pode com alguém da sua idade. Com um idoso, deixe. Deus dará a oportunidade, um dia, de você dizer o que pensava.
O pedido de perdão
E o fecho é o que dá peso a tudo o que veio antes. Ele diz que ele e a esposa não são perfeitos, que sempre tentaram agradar a Deus, e que estarão sempre do lado dos filhos.
E então, do púlpito, arriscando falar também em nome dos outros pais presentes:
**“Perdão, filho, se eu errei com vocês. Como os grandes homens da Bíblia, eu também não sou perfeito. Mas de uma coisa os meus filhos têm certeza: eu amo eles demais.”**
A oração final pede que Deus acampe em cada lar.