Em meio aos Dilemas - O Amor


14 de Junho 2020

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Em meio aos dilemas – O Amor!

 

Para começar essa reflexão vamos começar com algumas definições do termo amor:

Segundo Dicionário: O amor é “um sentimento afetivo que faz com que uma pessoa queira o bem de outra. Sentimento de afeição intensa que leva alguém a querer o que, segundo ela, é bonito, digno, esplendoroso...”.

Segundo o filósofo Erich Fromm: “O amor é a única resposta sã e satisfatória ao problema da existência humana”.

Um menino de 7 anos: “O amor é muito lindo e gostoso, porque a gente pode se abraçar”

Uma menina de 10 anos: Para mim o amor é um sentimento. Existem muitos tipo de amor: amor de pai, amor de mãe, amor de filho(a), amor de irmão(a), amor de casados, amos de namorados, amor de primos(as), amor de animais... Eu acho que o amor é muito importante para todos nós, pois sem amor não conseguiríamos sobreviver”.

Em meio aos dilemas: o amor! Mas, por que classificar o amor como um dilema? Porque, na verdade, todo ser humano anseia por amor!

Ao refletir nesse conceito, sempre me questiono sobre como nós brasileiros compreendemos o amor. Tenho percebido o uso fácil e contínuo dessa palavra, uso esse que, por diversas vezes, distorce seu sentido.

Pode ser que o termo amor tornou-se banal para nossa sociedade, afinal, num dia dizemos um “eu te amo” e pouco tempo depois esse amor desaparece ficando apenas o ódio ou rancor. Será que isso é amor de fato?

Será possível dizer “eu te amo” e, de fato amar alguém, sendo que tempos depois esse amor acaba de tal forma que os envolvidos não conseguem nem mesmo conversar mais? Que ‘espécie’ de amor é esse que vem e vai, que deixa marcas tão doloridas e até mesmo traumas?

Será que de fato sabemos o que é o amor?

Para dialogar sobre esse assunto eu trouxe um convidado especial. Um expert no tema amor: Jesus! Afinal, apanhar por amor, ser cuspido por amor, ser pregado em uma cruz por amor e morrer por amor, se nem mesmo esperar algo em troca, não é para qualquer um.

Jesus é a encarnação viva do amor. Sabemos que Deus é amor, sendo assim, seu filho Jesus é o amor que o ser humano teve (e ainda tem) a oportunidade de tocar, de ouvir, de sentir, de abraçar. Um amor que esteve e está próximo!

Esse Deus, que em sua essência é amor, sabe que seus filhos, seus discípulos, são também limitados na compreensão e vivência do amor. Te convido a ler João 21.15-19 e refletir em uma conversa sobre amor de Jesus com um dos seus discípulos.

Leitura: João 21.15-19

“Depois de comerem, Jesus perguntou a Simão Pedro: "Simão, filho de João, você me ama realmente mais do que estes? " Disse ele: "Sim, Senhor, tu sabes que te amo". Disse Jesus: "Cuide dos meus cordeiros". Novamente Jesus disse: "Simão, filho de João, você realmente me ama? " Ele respondeu: "Sim, Senhor tu sabes que te amo". Disse Jesus: "Pastoreie as minhas ovelhas". Pela terceira vez, ele lhe disse: "Simão, filho de João, você me ama? " Pedro ficou magoado por Jesus lhe ter perguntado pela terceira vez "Você me ama? " e lhe disse: "Senhor, tu sabes todas as coisas e sabes que te amo". Disse-lhe Jesus: "Cuide das minhas ovelhas. Digo-lhe a verdade: Quando você era mais jovem, vestia-se e ia para onde queria; mas quando for velho, estenderá as mãos e outra pessoa o vestirá e o levará para onde você não deseja ir". Jesus disse isso para indicar o tipo de morte com a qual Pedro iria glorificar a Deus. E então lhe disse: "Siga-me! " João 21:15-19

Vamos ao contexto desta perícope:

Jesus aparece aos seus discípulos pela terceira vez após sua ressureição. Sendo assim, sabemos que ele já havia mostrado todo seu imenso amor pela humanidade dando a vida por ela. Ele estava vivo! Ressurreto!

Mas e os discípulos, como eles estavam? Estavam se alegrando pelo milagre da cruz? Pela salvação em Cristo? Estavam pregando, testemunhando? Na verdade, não é bem esse o testemunho que vemos no Evangelho de João.

O relato de João 21 nos conta que Pedro e outros discípulos tinham ido pescar. Lendo esse relato me parece que Pedro ainda não havia compreendido a totalidade e grandeza do que acontecera com Jesus. Me parece, que esse discípulo ainda está um pouco frustrado, até porque, lá na sexta-feira da crucificação, enquanto Jesus era julgado, Pedro o negara por três vezes.

No trecho que  lemos acima Jesus chama esse Pedro para uma conversa particular. Eu imagino como deve ter sido essa conversa. Imagino Jesus olhando para Pedro, na mesma forma que olhou naquela sexta-feira. Mas imagino também um Pedro desviando o olhar, lembrando das três vezes que ele negou seu mestre. Um Pedro ressabiado, frustrado, com vergonha. Posso dizer que imagino assim porque assim eu agiria estando no lugar de Pedro.

Vem, então, a primeira pergunta de Jesus: “Simão, filho de João, você me ama realmente mais do que estes?” João 21:15. Jesus pergunta se Pedro de fato o amava, se o amor de Pedro pelo seu mestre era profundo e verdadeiro e mais, se era maior do que o amor que os demais discípulos tinham em relação a ele.

Nesse momento eu imagino ainda um Pedro cabisbaixo, desviando o olhar e respondendo: “Sim, Senhor, tu sabes que te amo”. João 21:15. Então Jesus ordena: “Cuide dos meus cordeiros" João 21:15.

Pela segunda vez Jesus repete a mesma pergunta e Pedro continua com a mesma resposta. E a ordem de Jesus é: “Pastoreie as minhas ovelhas" João 21:16.

Então, vem pela terceira vez a mesma pergunta: “Simão, filho de João, você me ama?" E agora vemos uma reação diferente no discípulo: “Pedro ficou magoado por Jesus lhe ter perguntado pela terceira vez "Você me ama? " e lhe disse: "Senhor, tu sabes todas as coisas e sabes que te amo". Disse-lhe Jesus: "Cuide das minhas ovelhas”. João 21:17

Agora, nessa última pergunta de Jesus eu imagino um Pedro levantando os olhos e olhando nos olhos do seu mestre, os mesmo olhos que o encontraram no dia da crucificação. Assim, olhando naqueles olhos, Pedro responde: “Senhor, tu sabes todas as coisas e sabes que te amo".

Os conceitos de amor

Para compreendermos melhor o texto e as reações de Pedro frente as perguntas de Jesus, precisamos olhar uma diferença que esse texto traz em sua tradução. Essa diferença está justamente no significado da palavra amor. A palavra “ama” usada por Jesus na em sua pergunta, é diferente da palavra usada por Pedro para responder a Jesus que de fato o “ama”.

Quando Jesus diz: “Pedro tu me amas?” ele usa a Palavra grega para amor que é: ágape. Essa palavra tem por significado: “amar alguém ou algo com base num sincero apreço a na alta consideração para com esse algo ou alguém”. Esse ágape, nós podemos traduzir como o amor de Deus por nós. Um amor que ultrapassa qualquer interesse ou necessidade de troca, de barganha. Um amor que age ao nosso favor mesmo sem darmos retorno. Isso é amor ágape!

Esse é o amor que Jesus pergunta a Pedro! Jesus está perguntando se Pedro o ama de todo o seu coração, se ama verdadeiramente, ama com amor que Deus que o ama.

E quando Pedro responde: “tu sabes que te amo” ele está respondendo com outra palavra. Aqui para falar de amor Pedro usa a palavra phileo, e não ágape como Jesus havia usado. Bom, o grego possui algumas palavras pra falar de amor. Nesse texto nós temos duas.

O amor phileo pode ser traduzido como: “ter amor ou afeição por alguém ou por algo a partir do fato de estar associado com ele”.

Mas, por que Pedro não responde Jesus com o mesmo ágape que Jesus o perguntou? Justamente por essa diferença que o ágape e o phileo possuem. Se ágape é um amor incondicional, phileo é um amor de afeto, de carinho mútuo.

E aqui está a questão, por duas vezes Jesus pergunta: Pedro tu me amas com esse amor incondicional, verdadeiro e profundo? E, por duas vezes, Pedro responde: Eu te amo com amor de amigo, com muito carinho e afeto, mas como um amigo.

Na terceira pergunta de Jesus ele muda seu verbo usando, então, o mesmo que Pedro: tu me ama com amor phileo, de amigo? Então, assim como tu me amas, mesmo sendo limitado esse amor e, por vezes, até frágil e falho, com esse amor, pastoreie o meu rebanho!

Nessa altura da conversa, o relato bíblico diz que Pedro ficou magoado. Mas ele não fica magoado pela repetição de Jesus somente, mas por perceber sua própria fraqueza. E mesmo não chegando onde Jesus queria que ele chegasse, o chamado permanece: “Pastoreie minhas ovelhas! Com esse amor que tens por mim, vem me servir pra onde eu te enviar”.

Jesus sabe que Pedro não era perfeito. O mestre conhece muito bem seu discípulo, mas ele sabe também que o amor de Pedro era verdadeiro, mesmo sendo limitado. Então Jesus se coloca no mesmo “patamar” que Pedro. Se tu me amas, mesmo com amor de um amigo, pastoreie minhas ovelhas!

Jesus sabia o quanto Pedro seria usado e que o serviria até o fim de sua vida.

Perceba como o texto termina: “Digo-lhe a verdade: Quando você era mais jovem, vestia-se e ia para onde queria; mas quando for velho, estenderá as mãos e outra pessoa o vestirá e o levará para onde você não deseja ir". Jesus disse isso para indicar o tipo de morte com a qual Pedro iria glorificar a Deus. E então lhe disse: "Siga-me! " João 21:18,19

Pedro com muito amor seguiu Jesus até o fim de sua vida e, pelo escritos que temos, Pedro morreu crucificado por causa do Evangelho.

Vamos olhar para nós hoje, como nós compreendemos esse amor. O amor de Jesus pela humanidade o levou para a morte, por amor ele nos salvou da morte eterna. O amor de Pedro, mesmo limitado e mesmo com falhas, também o levou a sacrifícios, momentos difíceis e até o martírio.

E como está o nosso amor?

Lembra que eu falei no início que me parece que nós brasileiros não compreendemos o que de fato é amor?

Nós vivemos dizendo ‘eu te amo’, inclusive pra Cristo, mas quando vem as dificuldades, logo abandonamos o barco. Isso é na fé, na comunidade cristã, no casamento, com os amigos, no trabalho...

Um dia dizemos amar e quando não nos satisfaz mais, ou quando não mais nos serve naquilo que queremos, descartamos esse amor.

Será de fato amor? Não! Podemos até chamar isso de paixão! Algo que sentimos quando gostamos de algo por recebermos algo em troca. Porque ali temos prazer e satisfação.

A sua fé em Cristo é firme no amor? Amor que confia, que resiste, que entrega, amor que é uma certeza?

Muitos tem uma fé apaixonada. Que é ardente e maravilhosa enquanto possui experiências boas com Deus, enquanto sente algo. Mas quando essa fase passa e começam a vir as dificuldades, quando não se tem ‘experiências’ com Deus, então a paixão acaba e com ela se vai a fé.

Amar é uma escolha! Uma convicção! Vai além do que sentimos ou desejamos! Amar não é esperar receber algo em troca, amar é escolher se doar, confiar, querer o melhor para outro, mesmo que ele não corresponda!

Foi isso que Jesus fez na cruz! Ele te amou, Ele nos amou! Ele não estava alegre lá na cruz, pelo contrário, seu sofrimento foi enorme, sua angustia fez com que a terra se abalasse. Jesus não fez aquilo pra receber algo em troca, pois nós jamais teríamos o que dar em troca do seu sacrifício. Ele fez por amor, por querer o melhor pra você: a vida plena!

E mesmo que nesse momento seu coração não esteja ardendo, mesmo que você não esteja arrepiado, mesmo que você pense eu não sinto Deus falando comigo, mesmo assim ele te pergunta:

Tu me amas?