Pregações

Ser cristão é: testemunhar

Pregada por Daline Moeller · Igreja Luterana em Três Lagoas

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Resumo da pregação. Este culto não foi publicado com um texto escrito. O resumo abaixo foi redigido a partir da transcrição automática do vídeo e pode conter imprecisões — a pregação na íntegra está no player acima.

A mensagem começa com um cenário de filme, e pede que a igreja guarde a linha de raciocínio até o fim.

**Imagine que o mundo inteiro está doente.** Uma doença mortal, sem exceção: dentro de alguns meses, todos estarão mortos. E existe uma cura — um remédio simples, que funciona. Alguém está segurando a sua mão e oferecendo.

Três perguntas, nesta ordem:

**1. Você aceitaria o remédio** — ou diria “não, eu fico aqui e morro”?

**2. Depois de curado, você daria o remédio a outras pessoas** — ou guardaria só para você?

**3. E se fosse distribuir: começaria pelas pessoas do outro lado do mundo, ou pelas que estão perto de você?**

Um homem indo para a prisão de propósito

O texto é Atos 22. (Com uma observação de passagem: Paulo foi chamado para ser apóstolo aos não judeus — e, como não há judeus na comunidade, **todos ali são gentios**.)

No capítulo anterior, Paulo entende que é hora de voltar a Jerusalém — sabendo que não seria bem recebido.

A despedida em Tiro é uma cena: **os discípulos, com suas mulheres e filhos, acompanham o grupo até fora da cidade, e todos se ajoelham na praia para orar.** Porque já entendiam que dali ele não voltaria vivo.

Pouco depois, um profeta chamado Ágabo pega o cinto de Paulo, **amarra as próprias mãos e pés** e diz: assim amarrarão em Jerusalém o dono deste cinto, e o entregarão aos gentios.

E a cada cidade os discípulos insistem: não vá, você vai morrer. E ele responde que chegou a hora dele. Até que se rendem: **“seja feita a vontade do Senhor.”**

A prisão, e um pedido

Em Jerusalém, Paulo está no templo cumprindo um ritual de purificação — sem fazer nada demais — quando a multidão faz um tumulto. Os soldados o prendem. **O comandante nem sabia por quê**; estava levando Paulo para a fortaleza justamente para interrogá-lo e descobrir o motivo da revolta.

E Paulo pede: deixem eu falar com essa gente.

O detalhe que a pregação destaca é linguístico. **Com os soldados romanos, Paulo fala grego** — e é isso que surpreende o oficial. **Com a multidão, ele fala aramaico** — e o texto diz que, ao ouvirem aquela língua, ficaram em absoluto silêncio. Era a língua de parte das Escrituras, e eles a respeitavam.

Falar a língua de quem se quer alcançar já é parte do recado.

“Irmãos e pais”

Paulo abre se colocando em pé de igualdade: sou judeu, nascido em Tarso, criado nesta cidade, instruído rigorosamente por Gamaliel na lei dos nossos antepassados — **“sendo tão zeloso por Deus quanto qualquer de vocês hoje”**.

E então faz uma coisa inesperada: **conta o que ele mesmo fez.** Perseguiu os seguidores deste Caminho até a morte, prendendo homens e mulheres. Estava lá, aprovando, quando Estêvão foi apedrejado. E depois foi a Damasco buscar mais gente para trazer presa.

**“O que vocês estão fazendo comigo, eu já fiz com outras pessoas.”**

E a prova que ele oferece é a mais eficaz possível diante daquele público: **quem pode testemunhar são os próprios líderes religiosos deles** — foram eles que assinaram as cartas.

A multidão presta atenção.

O que ele entendeu no caminho

Aí vem o relato de Damasco: a luz, a queda, “Saulo, Saulo, por que você me persegue?”, “eu sou Jesus, o Nazareno”. A cegueira, Ananias, a cura, o batismo.

(Outro detalhe escolhido para aquele público: Ananias é apresentado como **fiel seguidor da Lei, respeitado por todos os judeus que ali viviam**.)

E o que Paulo compreendeu naquele dia é o ponto de virada da história dele: **todo o empenho e todo o esforço que ele fazia “por Deus” não eram a vontade de Deus.** Eram a vontade dele e dos líderes religiosos.

Fazer coisas para Deus não é ter relacionamento com Deus

A pregação usa Paulo para revisitar os marcos da série.

**Antes de Damasco, ele achava que tinha um relacionamento com Deus** — porque fazia coisas para Deus. Prendia cristãos para honrar a lei, perseguia e matava porque acreditava que aquela gente desonrava a Deus.

**Depois de Damasco, ele tem de fato** — e passa a receber a direção da vida diretamente dali.

E a vida mudou inteira: profissão, cidade, estilo de vida, princípios. **“Onde ele perseguia, agora ele é perseguido. Onde ele matava, agora ele é morto — pelo mesmo motivo.”** O que não mudou foi a personalidade forte.

Ele pediu para se defender — e não se defendeu

Este é o coração da mensagem.

Paulo começa dizendo “ouçam a minha defesa”. E as acusações eram concretas: que ele tinha levado um gentio para dentro do templo, que ensinava que os ritos da Lei não eram mais necessários.

**Dava para se defender.** A pregação chega a redigir o discurso que ele poderia ter feito: *meus irmãos, não é bem assim, não foi isso que eu preguei, eu também preguei o Antigo Testamento, calma, não precisam ficar nervosos comigo.* Explicar-se, justificar-se — e quem sabe a multidão concluísse que ele não era ameaça e o deixasse ir.

**Ele não faz nada disso.**

Por dois motivos. Primeiro, porque sabia que não era esse o propósito dele — já tinha ido a Jerusalém sabendo que seria preso. Segundo, e mais importante: **quando a multidão se calou, ele ganhou uma oportunidade de anunciar Jesus a pessoas que eram exatamente o que ele tinha sido.**

**Ele não se defende, não se explica, não se justifica. Ele usa o espaço para testemunhar.** Conta quem era, conta o encontro, conta no que se tornou. A esperança era que aquelas pessoas compreendessem o que ele compreendeu.

E fez isso **sabendo que aquilo pioraria a situação dele** e geraria mais revolta.

De volta ao remédio

E aí a pregação fecha o circuito das três perguntas.

**O mundo está mesmo doente.** O pecado é sentença de morte para toda a humanidade. E existe cura.

**Primeira pergunta.** Diante de uma cura oferecida, quem diria “não, prefiro morrer”? E no entanto é isso que muita gente faz — por não querer se entregar, por achar que caminhar sozinho é melhor. E quantos de nós, que **conhecemos** a cura, preferimos ficar distantes para seguir as próprias vontades?

**“Quando se fala de um remédio para uma doença física, é óbvio que todo mundo quer ser curado. Por que, quando a salvação é eterna, isso não é tão óbvio?”**

**Segunda pergunta.** Se você tem a cura e Jesus diz *conta para a pessoa que está do teu lado* — e a resposta é “deixa que aquele se vire, eu já estou salvo mesmo”. Ou, sobre alguém da própria casa: **“deixa que morra, eu já me salvei.”**

Ela reconhece a dureza da formulação — **“isso é muito forte, mas é o que a gente faz quando não testemunha”** — e devolve a pergunta: ou será que a gente não ama as pessoas ao redor o suficiente?

E aponta para Paulo, que chamou de **“irmãos e pais”** uma multidão que estava fazendo mal a ele. Numa das cartas, ele chega a dizer que desejaria ser separado de Cristo se isso salvasse o seu povo.

O paralelo que mais dói vem em seguida: **se o seu filho está doente, com febre, você deixa ele sofrer?** Se alguém que você ama adoece, você estende a mão ou deixa morrer?

**“Por que para as coisas físicas a gente age, e para a salvação eterna a gente não abre a boca?”**

**Terceira pergunta.** Logicamente, distribui-se primeiro perto e depois mais longe. **E é justamente perto que a gente desiste** — “esse aqui não tem mais jeito”. Principalmente quando é da própria família.

As três desculpas

**“Eu não sei falar.”** → Você não sabe nada sobre quem te salvou? Nada sobre a pessoa que você segue, a ponto de não conseguir contar a alguém? Então o que falta é entender melhor o próprio discipulado.

**“Deus chamou pessoas específicas para isso — tipo Paulo.”** → O envio dos discípulos — ide, preguem, batizem, ensinem — **não é para alguns. É para todos os que creem.**

**“Eu já faço coisas pela igreja.”** → E aqui ela retoma a mensagem da semana anterior: gente que cede um pequeno espaço da agenda e contabiliza — *olha quantas horas eu dediquei essa semana, fui ao culto, fui à célula*. **“Não é só para isso que Deus nos chamou.”**

Com uma ressalva que evita o exagero na direção contrária: **não se trata de sair porta afora sendo crente chato.** Mas isso também não serve de desculpa para não testemunhar.

E uma correção importante de expectativa: **quem transforma e convence do pecado é o Espírito Santo.** Não somos nós que convertemos ninguém — somos chamados a fazer parte da missão.

As duas perguntas para levar

As perguntas que iriam para as células naquela semana, e ela avisa que iam:

**Qual foi a última vez que você testemunhou a sua fé para um não cristão?**

**Qual foi a última vez que você contou a alguém que não crê a história da sua própria conversão?**

Se faz muito tempo, a oração é a mesma que Paulo fez no chão da estrada: **“que devo fazer, Senhor?”** — em relação às pessoas da minha casa, do meu trabalho, aos amigos que eu amo.

A oração final pede perdão pelas vezes em que a comunidade se calou: por vergonha, por medo, por preguiça, por acomodação — e pelas vezes em que era para estar ao lado de alguém e, por causa da própria agenda, não se esteve.

E o último conselho é prático: **pergunte a Deus o que falar, quando falar, como falar e com quem falar.**