Pregações

Família: mulher que vive fidelidade

Pregada por Daline Moeller · Igreja Luterana em Três Lagoas

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Resumo da pregação. Este culto não foi publicado com um texto escrito. O resumo abaixo foi redigido a partir da transcrição automática do vídeo e pode conter imprecisões — a pregação na íntegra está no player acima.

*O culto começou com o testemunho de uma família da comunidade, que não é reproduzido aqui.*

A série do mês vinha caminhando: no primeiro domingo, como uma família começa; na semana anterior, a ótica do homem e da paternidade; nesta, a da mulher. Com o aviso de sempre — **a mensagem é para todos**, não só para as mulheres.

O texto é 1 Samuel 1.

A casa de Elcana

O livro começa apresentando um homem com duas esposas: Penina, que tinha filhos, e Ana, que não tinha.

Elcana era fiel no que aprendera. Todos os anos subia com a família inteira até Siló para oferecer sacrifícios. E, na hora de repartir a porção, dava uma parte a Penina e a cada um dos filhos dela — e **uma porção dobrada a Ana, porque a amava**.

Por que aquilo pesava tanto

Para entender a dor, a pregação explica o que estava em jogo naquela cultura. Gerar filhos era o modo de honrar o marido e de continuar a descendência da família; quem não conseguia, não dava continuidade a nada.

E havia uma camada a mais, na leitura que ela faz: se o homem judeu é marcado como judeu pela circuncisão, **a mulher é quem gera filhos do povo de Deus** — e é por ela que a descendência passa.

Depois vem o paralelo de hoje, e é dos trechos mais cuidadosos da mensagem. Ela conta que acompanhou uma mulher que queria muito engravidar e não conseguia, e que o sofrimento era **inexplicável** — não há como suprir aquilo de outro jeito.

As pessoas chegavam e diziam “mas adota”. E a resposta era: tudo bem, mas eu queria gerar um filho.

E sobre os tratamentos: **cada resultado negativo era vivido como um aborto, como um luto.**

O marido que não entendia

Elcana é um bom marido. Não cobra, não humilha, demonstra amor. **E ainda assim a porção dobrada não preenchia aquele vazio.**

Penina provocava continuamente, ano após ano, justamente porque sabia que Elcana amava Ana. Ana chorava e não comia.

E o marido pergunta: “por que você está chorando? Será que eu não sou melhor para você do que dez filhos?”

**Ele não entendia a dor.** Achava que o amor e a dedicação dele bastariam para preencher aquilo. Não bastavam.

Duas esposas na mesma casa

Aqui a pregação abre um parêntese que as crianças da comunidade tinham acabado de levantar, estudando Abraão e Sara: como assim um homem de Deus com duas esposas?

**Em nenhum momento a Bíblia dá aval a isso.** Deus criou homem e mulher; eles deixam pai e mãe, tornam-se uma só carne, têm filhos, e o ciclo recomeça. O que a Bíblia faz é **não esconder a destruição** que a alteração humana desse arranjo provocou.

E ela descreve o que aquela casa devia ser: um inferno para as duas mulheres. Uma achando que o marido amava mais a outra; a outra ouvindo o tempo inteiro que não era boa o suficiente, que não era capaz, que Deus não a honrava.

No Novo Testamento, tanto Jesus quanto os apóstolos falam claramente de ser marido de uma só mulher.

A armadilha da comparação

E aqui está o centro da mensagem.

Penina se exaltava com o que tinha: eu gero descendência para esta família e você não.

Hoje não há duas esposas na mesma casa — **mas há mãe e filha, irmãs, sogra e nora, cunhadas, patroa e funcionária.**

E então vem a franqueza que dá peso a tudo:

**“No discipulado, muitas vezes é mais difícil caminhar com mulheres, porque elas querem se mostrar melhores que as outras.”** Com os homens, diz ela, é mais fácil — falam dos próprios problemas e ainda dão risada.

As comparações são as do dia a dia: o filho dela já fala e o seu não; o filho dela já está desse tamanho; o filho dela fica quieto na igreja e o seu não senta.

E ela não isenta os homens, que se comparam em trabalho e bens — mas o assunto ali era Ana e Penina.

**“A comparação e a competição magoam, machucam e matam relacionamento.”**

O que ela diz sobre si mesma

E aí vem a parte mais pessoal, dita sem rodeios.

Quando ela chegou à comunidade, algumas pessoas se preocuparam com o fato de ela ser mulher — se os homens a respeitariam como autoridade.

**“Posso afirmar que não tenho problema com os homens. Tenho problema com mulheres — porque nós somos competitivas.”**

Ela se inclui na frase. E cita o eco disso no mundo do trabalho, onde tanta gente diz que ter uma chefe é mais difícil que ter um chefe — não como regra, mas como algo que acontece e tem a ver com o nosso jeito de agir.

A conclusão prática: quando isso acontece, **admita e peça perdão**. Quando vier a vontade de soltar uma frase maliciosa sobre outra mulher, cale — e peça perdão a Deus ali mesmo.

Com uma observação certeira: **normalmente a gente nem fala com a pessoa. Fala para as outras que estão do lado.** Então pense: se ela estivesse ouvindo, como ficaria?

E ela conta que tem uma colega de discipulado que, sempre que uma frase dessas escapa, diz na hora: **“pede perdão. Pede perdão agora.”**

A oração de Ana

Chega o ponto de exaustão. Em Siló, com a alma amargurada, Ana chora e faz um voto: se o Senhor lhe der um filho, ela o dedicará a ele por todos os dias da vida dele.

A pregação volta à imagem da amargura como erva daninha — se não for arrancada logo, vai tomando conta, e **a pessoa amargurada vai afastando um por um de perto de si**.

E há um detalhe cruel: Ana ora movendo os lábios sem emitir voz, e o sacerdote acha que ela está bêbada — e ainda lhe dá um sermão. Ela, que já tinha ouvido o suficiente na vida, responde com toda a calma que não está embriagada, apenas orando. **Julgada mais uma vez, justamente ali.**

Ele então a abençoa. E ela concebe, e chama o filho de Samuel: *eu pedi ao Senhor*.

A parte que a gente lê como se fosse fácil

Ana teve o filho nos braços, amamentou, e então precisou cumprir o que havia prometido: **assim que o menino foi desmamado, ainda muito pequeno, ela o levou a Siló para viver ali.** Passou a vê-lo mais ou menos uma vez por ano.

**“Quantas mães desistiriam da promessa depois de ter o filho?”**

E a pregação chama atenção para o que o texto **não** diz: ele não registra os sentimentos de Ana, e por isso lemos aquilo como se tivesse sido simples. Não foi. E se fosse você entregando quem mais ama?

Ela também não sabia, naquele momento, se teria outros filhos. Teve, depois — mas não foi essa a base da decisão. A base foi: **prometi; o Senhor me deu; pertence ao Senhor.**

Palavra dada diante de Deus é cobrada.

Barganha não é fidelidade

Três coisas para levar.

**Primeira: leve a sua dor a Deus.** Ana sofreu por anos antes de derramar aquilo. E Deus não só atendeu como preparou Samuel para ser um grande servo — foi ele quem ungiu Davi.

**Segunda: diga as suas necessidades.** Nossas orações são muitas vezes repetitivas e distantes, palavras jogadas ao vento em vez do que está de fato no coração. Ana falou a sua necessidade a Deus **mesmo sabendo que ele já sabia**.

**Terceira: fidelidade.** E aqui vem a distinção mais afiada:

**“Quantas vezes a gente só faz algo para Deus depois que ele faz algo primeiro? Isso está longe de ser fidelidade. Isso é barganha. Isso é troca.”**

E a lista da ingratidão é concreta. Temos **saúde**, que é dádiva — e destruímos com vícios, com trabalho excessivo, com alimentação. Temos **trabalho e dinheiro**, que pedimos — e gastamos melhorando a casa, o carro, o guarda-roupa e a aparência, sem ofertar o que ele pede. Temos **família** — e destruímos com briga, com o orgulho que impede de pedir perdão, e gastando mais tempo no celular e nas redes do que com as pessoas que moram ali.

Duas cobranças específicas

A primeira: mães que levam os filhos a todos os lugares e esquecem a igreja, a oração e a Bíblia; que atendem a todas as vontades da criança e deixam de lado o que de fato a salva.

A segunda é a observação mais prática da noite, e vem com um pedido:

**“Quantas mães, na hora de castigar o filho, em vez de tirar o celular, a televisão ou o videogame, tiram a igreja? Tiram a célula?”** Pelo amor de Deus, não façam isso — é afastar a criança justamente das pessoas que estão tentando ensinar o caminho.

E sobre criança agitada no culto, ela é explícita: correndo, chorando, rindo alto — **está ali, e está aprendendo que aquele é um lugar onde ela é bem-vinda, que aquela casa também é dela.**

**“Quem lhe deu o seu filho foi Deus. O teu filho não pertence a você — pertence a ele, e foi confiado aos seus cuidados.”**

E o princípio que resume: **não pense que, se você não for fiel no pouco que Deus lhe deu, nos detalhes do dia a dia dentro de casa, você será fiel quando estiver sobre o muito.**

O que Ana não fez

Um detalhe fácil de passar batido: **Ana não reclamou.** Diferente de outras mulheres da Bíblia, não foi ao marido exigir que Penina fosse mandada embora, nem ficou enchendo os ouvidos dele. Não há registro disso.

Ela levou a dor a Deus.

E se a resposta não vier

O fecho é o trecho mais delicado, e ela diz que costuma tratar disso com quem tem mais proximidade — porque encontrou muita gente pelo caminho que **não recebeu a resposta que queria**. Mulheres que nunca engravidaram.

**“Nem um filho, nem o marido, nem trabalho, nem dinheiro pode ocupar o espaço de Deus na sua vida.”**

E ela vai ao caso mais duro: perder um filho. “O normal é os filhos enterrarem os pais, não o contrário.” Se isso acontecer, será que aquele vazio pode ser preenchido por Deus?

A resposta que ela dá é honesta: **não que não vá doer, não que não vá fazer falta** — mas a dor tem para onde ir.

E um último recado, dirigido às mulheres mas com uma cobrança embutida aos homens: eles têm negligenciado o ensino dos filhos, tanto em princípios e valores quanto na Bíblia. **“Mas não é porque eles falham que a gente vai desistir também.”**

A oração final reconhece o que se vê nos bancos: muitas famílias não estão ali inteiras — vêm só os filhos, ou só os pais, ou só os avós.