“Ao amanhecer do terceiro dia, houve trovões, e relâmpagos, e uma espessa nuvem sobre o monte, e mui forte clangor de trombeta, de maneira que todo o povo que estava no arraial se estremeceu”. Ex 19.16

Pr. Irno

Pastor Emérito

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O TRONO DE DEUS

Ap 4.5-11
Na semana passada eu convidei vocês para darmos uma “olhada no além”. Vimos sobre a porta aberta para o trono de Deus que João, autor do livro de Apocalipse, experimentou nas revelações que teve enquanto estava preso na ilha de Patmos.

 Todo o capítulo 4 de Apocalipse descreve o trono de Deus. Já vimos até Ap 4.4 sobre Aquele que está assentado no trono. Hoje queremos continuar vendo sobre o que há e acontece em volta deste trono, além dos 24 tronos ocupados pelos anciãos de vestimentas brancas e coroas de ouro na cabeça, já citados na semana passada. (Leitura de Ap. 4.5-11).

AO REDOR DO TRONO (Ap. 4.5-6a)
Aqui João acrescenta alguns detalhes da extraordinária visão do céu que lhe foi concedida.  

- “Do trono saem relâmpagos, vozes e trovões”.
Esta visão lembra quando Moisés subiu ao monte Sinai. Lemos em Ex 19.16: “Ao amanhecer do terceiro dia, houve trovões, e relâmpagos, e uma espessa nuvem sobre o monte, e mui forte clangor de trombeta, de maneira que todo o povo que estava no arraial se estremeceu”. São manifestações de Deus e nos lembram que Ele é o Todo-poderoso. Não há poder que possa impedir que a vontade de Deus seja feita. Deus age! Isso deve nos alertar e despertar quando estamos dormindo espiritualmente. 

- “Diante do trono, ardem sete tochas de fogo, que são os sete Espíritos de Deus”.
As “sete tochas de fogo” lembram o candelabro que existia no templo de Jerusalém. Elas indicam que Deus se manifesta pelo Espírito Santo em todo o seu poder. Deus conhece e observa todos os lugares do mundo. Nada e ninguém pode impedir que Ele execute o Seu plano de salvação. Assim Ele também está olhando para a sua célula, enquanto vocês estão procurando levar o evangelho para os seus amigos.

O número “sete”, na simbologia da Bíblia, significa “infinito”. Só existe um Espirito Santo. “Sete Espiritos” quer dizer aqui que o Espírito Santo de Deus é infinito em Seu poder de agir. Ele dispõe de todos os recursos. Seu primeiro e grande objetivo é glorificar a Deus e Jesus, o Cordeiro de Deus. Ele deseja nos mostrar como somos amados por Deus e mostrar-nos como somos salvos em Jesus Cristo. E, uma vez que cremos em Jesus, Ele habita em nós e procura implantar em nós um “fogo abrasador” para buscarmos a Deus e servi-lo.

- “Há diante do trono um como que mar de vidro, semelhante ao cristal”.
Este “mar de vidro” tem fascinado muitos leitores da Bíblia através da História. Consideremos que João escreve que aquilo que viu lhe pareceu ser “algo semelhante” a um mar de cristal. Isso mostra a dificuldade que encontrou em descrever para a compreensão humana do que viu na revelação. O mais perto do que conhecia para descrever o que viu foi um mar. Ele estava preso numa ilha de Patmos. Ali, diariamente, ele tinha uma visão sobre o mar Egeu. No verão, sem vento, o mar Egeu podia ficar totalmente sem ondas e parecia um enorme espelho de vidro refletindo o sol no horizonte. É a coisa mais próxima à realidade humana daquilo que ele viu no céu.

Esse enorme mar refletia um brilho ofuscante e tinha o trono de Deus nos fundos. Simboliza a pureza fantástica do ambiente celestial. A luz da pureza de Deus refletida neste “mar de vidro” é brilhante demais para que os olhos humanos possam contemplar ela. Só é possível ao homem que foi purificado plenamente dos seus pecados, em Cristo.
OS QUATRO SERES VIVENTES (Ap 4. 6b-8).
- “no meio do trono e à volta do trono, quatro seres viventes cheios de olhos por diante e por detrás”. Quatro seres viventes:
Ao tratarmos, aqui, dos quatro seres viventes um tanto estranhos, nos deparamos com um dos problemas de simbolismo no livro de Apocalipse. Quem são, ou, o que representam estes quatro seres viventes com rosto de leão, de touro, de homem e de águia?

O escrito histórico mais antigo que traz uma interpretação destes quatro seres viventes é um manuscrito dum dos pais da Igreja chamado Irineu, que viveu por volta do ano 170 dC. Para Irineu esses quatro seres representavam quatro aspectos da obra de Cristo, os quais, por sua vez, estão representados nos quatro evangelhos.

O grande teólogo Agostinho também associou estes quatro seres aos quatro evangelhos. Para Agostinho o ser com rosto de leão estava associado ao evangelho de Mateus; o ser com rosto de boi (ou touro), ao evangelho de Lucas; o ser com rosto de homem, ao evangelho de Marcos e o ser com rosto de águia, ao evangelho de João. Através da História da Igreja, porém, diversas interpretações foram dadas a estes 4 seres.

Lendo Apocalipse, notamos que estes quatro seres viventes aparecem com frequência no cenário celestial. O que, então, é dito deles?

Eles sempre estão perto ou ao redor do trono e do Cordeiro (Ap 4.6; 5.6; 14.3);

Eles tem seis asas e estão cheios de olhos (4.6, 8);

Eles estão constantemente ocupados na adoração e no louvor a Deus (4.8; 5.8; 5.14; 7.11; 19.4);

A eles compete executar certos deveres e funções. Uma delas é a de entregar os vasos da ira de Deus (15.7).

É difícil atribuir essas coisas aos quatro evangelhos, como o fizeram alguns dos pais da igreja antiga. O mais provável é que se trate duma classe de anjos superiores (querubins ou serafins).

O profeta Ezequiel teve uma visão celestial semelhante a de João (Ez 1). Também viu quatro seres viventes, ainda que os detalhes deles são um pouco diferentes. No livro de Ezequiel estes seres de rostos estranhos são identificados com os querubins que, conforme textos do AT, formam uma classe superior dos anjos. Sua atribuição era a de serem guardiões do trono de Deus. Assim, por exemplo, o paraíso foi guardado por um desses anjos depois que Adão e Eva foram expulsos dele.
“no meio do trono e à volta do trono...”. Como assim, “no meio do trono”. O trono de Deus que João viu tinha muitos degraus e, lá no topo, assentado está Deus que ele apenas descreve com aparência de pedras preciosas. No meio da escadaria do trono e à volta do trono estão estes quatro seres viventes, indicando terem uma posição superior ao restante no céu, inclusive estando acima do nível dos 24 anciãos com vestiduras brancas.

“cheios de olhos por diante e por detrás”. Hoje temos casas e condomínios cheios de câmaras. Os quatro seres viventes, cheios de olhos, são como que as câmaras de Deus que a tudo enxerga neste mundo. Deus também vê a sua dor, sofrimento, angústias e preocupações!
“O primeiro ser é semelhante a leão”. Ele simboliza tudo o que é nobre. O leão é supremo entre os animais selvagens.

“O segundo, semelhante a novilho (touro)”. Ele simboliza tudo que é forte. O touro é o mais forte entre os animais domésticos.

“O terceiro tem o rosto como de homem”. Ele simboliza a sabedoria. O homem é o ser mais inteligente sobre a face da terra.

“E o quarto ser vivente é semelhante à águia quando está voando”. Ele simboliza a rapidez. Nenhum ser na terra é tão rápido como uma águia em vôo.

Através dos seus querubins, Deus não só nos enxerga em cada situação da vida, como pode nos socorrer com a Sua nobreza real e misericórdia, com Seu poder ilimitado, com a Sua sabedoria absoluta e com extraordinária rapidez!
“Os quatro seres viventes... não têm descanso, nem de dia nem de noite, proclamando: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo Poderoso, aquele que era, que é e que há de vir”. Assim como na visão de Isaías (Is 6), também aqui estes querubins (ou serafins?) tem a grande atribuição de liderarem o louvor no céu! Eles são os ministros de louvor que, dia e noite, coordenam a adoração e o louvor a Deus.

Deus é digno de louvor! Por isso, quando adentramos o templo para os nossos cultos a Deus, nos acheguemos com reverência. Iniciando o louvor, silenciemos e, com fervor, adoraremos e louvemos a Deus, deixando-nos liderar por aqueles a que Deus deu esse dom. O nosso louvor no culto, ainda que real e verdadeiro, é apenas um ensaio para o grande louvorzão do qual estaremos participando no céu, nas eras vindouras. Então não será mais o grupo de louvor, mas esses anjos de Deus que nos liderarão na adoração ao nosso Criador!

Você pode vir ao culto também por outros motivos, mas o louvor possui uma importância central. Então, deixe as conversas de lado ao começar o louvor, e louve a Deus de todo coração e alma, pois Ele é Santo, Santo, Santo; Ele é Todo-poderoso e Ele é o mesmo através de todos os tempos!
CONCLUSÃO. DIANTE DO TRONO (Ap 4.9-11)
 “Quando esses seres viventes deram glória, honra e ações de graças ao que se encontra sentado no trono, ao que vive pelos séculos dos séculos, os vinte e quatro anciãos prostrar-se-ão diante daquele que se encontra sentado no trono, adorarão o que vive pelos séculos dos séculos e depositarão as suas coroas diante do trono, proclamando: Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque todas as coisas tu criaste, sim, por causa da tua vontade vieram a existir e foram criadas”.
 
Se Deus nos honra com “coroas” no céu, nós continuamos sendo apenas criaturas Suas. Quando os ministros de louvor entoam o louvor a Deus, nós tiramos nossas honras e “importâncias” de nossas cabeças e depositamos tudo perante o trono de Deus, pois só Deus é digno de toda honra, glória e adoração! Amém!
Sugestão de perguntas para os encontros das células:
(Após leitura de Ap 4.5-11) 

- O que você observou ou descobriu de novo neste texto bíblico?

- O que você não entendeu direito neste texto?

- O que você deveria procurar colocar em prática a partir da mensagem deste texto?

- Como podemos nos ajudar a adorar a Deus com maior reverência e fervor?

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