Um pouco antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que havia chegado o tempo em que deixaria este mundo e iria para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim. - João 13:1

Pr.Irno Prediger

Pastor Emérito

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DISCÍPULOS DE JESUS APRENDEM A SER SERVOS

João 13.1-17; 31-35


 Na mensagem de há 14 dias atrás, eu falei do meu sonho de a nossa igreja local ser reconhecida como igreja que possui a marca do amor. Ali vimos que uma igreja com a marca do amor é formada por pessoas que aprenderam a ser generosas no dar, também ao trabalho da igreja, mas especialmente àqueles que passam necessidades. Naquele culto levantamos uma oferta para ajudar aos irmãos de Beira, no Moçambique, um país em calamidade devido a um tornado que, por exemplo, destruiu 90% das casas da cidade de Beira. 

 Hoje quero falar sobre outra característica duma igreja que desenvolve a marca do amor: é uma igreja onde seus membros desenvolveram a postura de servir, aos moldes de Jesus. Discípulos de Jesus aprendem a ser servos!

 Hoje temos culto de Ceia do Senhor e estamos perto da Páscoa. O texto bíblico de João 13 relata sobre a noite anterior à crucificação de Jesus, quando Jesus reuniu seus discípulos para a refeição da Páscoa (com carne de carneiro e ervas amargas, conforme a tradição herdada dos tempos de Moisés) e institui a Santa Ceia.

 Este texto de João 13 contém muito mais coisas, mas quero destacar dois ensinos de Jesus para nós que somos seus discípulos.

1. SOMOS DISCÍPULOS QUE, SEMPRE DE NOVO, PRECISAM TER SUAS IMPUREZAS LAVADAS (Jo 13.1-11).

Antes do jantar ser servido (Jo 13.2), Jesus faz uma coisa inusitada. Ele tira seu casaco (capa), pega uma toalha e bacia com água. Senta-se à frente de cada um dos discípulos (inclusive do traidor Judas!) e passa a lavar os pés deles. Foi um escândalo para os discípulos, pois esse era um trabalho que só escravos faziam.

A grande sala, ou cenáculo, onde Jesus decidiu celebrar a ceia da Páscoa com seus discípulos, era um ambiente alugado, ou então, cedido por um amigo de Jesus. Certamente havia uma bacia com água e uma toalha na entrada da sala, mas não havia um escravo para lavar os pés. Como as ruas de Jerusalém eram empoeiradas e eles usavam sandálias abertas, seus pés deviam estar imundos. Nenhum dos discípulos, porém, quis rebaixar-se à condição de escravo para lavar os pés dos outros. Agora, antes de o jantar ser servido, Jesus, o Filho de Deus e Rei dos reis, assume a postura de escravo e lava os pés sujos de seus discípulos!

Os primeiros deles nem souberam como reagir. Pedro, porém, reage e não quer permitir que Jesus lave os seus pés. “Senhor, vais lavar os meus pés? Não. Nunca lavarás os meus pés”! Afinal, Jesus é o Senhor, o próprio Filho de Deus, de uma posição infinitamente mais elevada do que a de Pedro e, lavar os pés de outros é trabalho de “servos” (“servo” significa, literalmente, “escravo”).

Agora vem um ensino importante para nós. Jesus respondeu: “Se eu não os lavar, você não tem parte comigo”. Ou seja, Pedro não poderia integrar o projeto de Jesus.

Aí Pedro vai para o outro extremo: Mas “então, Senhor, não apenas os meus pés, mas também as minhas mãos e a minha cabeça!” Bem. Agora ele já quer um banho inteiro!!!

Jesus respondeu: “Quem já se banhou precisa apenas lavar os pés. Todo o seu corpo está limpo. Vocês estão limpos, mas nem todos”. Pois Jesus sabia que Judas iria traí-lo.

Você e eu já estamos limpos, desde quando aceitamos a Cristo, e nascemos de novo. O nosso batismo sinaliza isso. Mas, continuamos a sujar os nossos pés, andando pelos caminhos empoeirados da vida. Ou seja, continuamos acumulando impurezas em nossos corações e almas, no dia-a-dia de nossas vidas. Não precisamos dum novo banho. Já estamos limpos em Cristo. Mas, precisamos, sempre de novo, reconhecer nossos pecados do dia-a-dia e permitir que Jesus os lave. Esse é um dos aspectos sinalizado na celebração da Ceia do Senhor. Na Ceia, para quem tem a humildade de reconhecer que é pecador e crê em Jesus, sempre de novo, Jesus lava as suas sujeiras e impurezas que se grudaram ao coração e à alma!

Só quem permite Jesus lavar suas impurezas do dia-a-dia, pode fazer parte do seu projeto de igreja e ser um instrumento nas mãos do Senhor. Como discípulos precisamos, sempre de novo, ter nossas impurezas lavadas!

2. SOMOS DISCÍPULOS; PESSOAS CHAMADOS A SERVIR UNS AOS OUTROS (Jo 13.12-17).

Jesus conhecia o seu pequeno grupo de discípulos. Só poucos dias antes, perto de Jericó a caminho de Jerusalém, eles estavam disputando entre si as primeiras posições ao lado de Jesus, quando ele fosse implantar o seu Reino (Mc 10.35-45). Ali Jesus lhes ensinou: “Quem dentre vocês quiser ser o maior, que seja o que mais serve aos demais”! No Reino de Deus importantes não são os que mandam sobre os outros, mas quem serve os outros. Jesus sabia que seus discípulos carregavam em seu coração as sementes do individualismo e da divisão. Por isso Jesus usou aquelas últimas horas antes de sua morte para ensiná-los, mais uma vez, sobre os princípios do trabalho em grupo (João 13 a 17), os quais poderiam mantê-los unidos e produtivos depois que os deixasse.

 Assim, o primeiro princípio básico duma igreja em Pequenos Grupos (células) é este: “Células são grupos de pessoas que deixam de lado seus próprios interesses para atuarem em equipe”! Portanto, o princípio básico do ser cristão é SERVIR AOS OUTROS, à medida que trabalha em equipe.

 “SERVIR”!!! Este é o princípio que Jesus nos ensina neste texto. Ele o ensina, demonstrando como funciona na prática. Lavando os pés deles.

 Toda a atuação em equipe, como acontece em nossas células, se baseia na disposição de nós abrirmos mão de interesses e privilégios pessoais, na preocupação de suprir as necessidades do próximo (e o próximo mais próximo é nosso irmão do nosso Pequeno Grupo).

 Quando você, irmãos, está integrado numa célula (PG), servir aos outros precisa sair da teoria em nossas vidas. No Pequeno Grupo, sempre de novo, você tem companheiros com necessidades reais. É ali que você aprende a se tornar “servo”, à medida em que se importa com as necessidades de seus companheiros e passa ajuda-los na prática.

 Quando dois cristãos servem um ao outro, em vez de disputarem entre si cargos ou interesses pessoais, eles “lavam os pés” uns dos outros, tal como Jesus ensinou naquela noite em que instituiu a Santa Ceia.

 Lavando os pés uns dos outros, o grupo alcança um novo nível de relacionamentos. Eles deixam de ser apenas “conhecidos” para se tornarem “parceiros”. A um conhecido você cumprimenta com um “Bom dia”, mas quando você corta a grama dele, você se torna parceiro dele. Esse princípio de parceria e de servir é o princípio básico para quem trabalha no time de Jesus. Ele é fundamental para as nossas células ou pequenos grupos nos quais estamos integrados.

 Quanto mais as cidades crescem, mais cresce a solidão em nossos dias. Todos nós precisamos muito de fazer parte dum grupo pequeno onde podemos encontrar pessoas às quais podemos servir concretamente. Em sua célula você pode ter a maravilhosa experiência de ajudar seus “parceiros” de equipe a enfrentar crises pessoais, profundas tribulações e sofridos períodos de hospitalização. No seu PG você pode servir, animando ao irmão desanimado, ajudando numa crise matrimonial, apoiando alguém desempregado ou com dificuldade de colocar a comida sobre a mesa de sua casa.

 Somos “servos”. Alguém passa necessidade, não há mais o que se perguntar: “Quem será que irá ajudá-lo?”. Mas, integrado na comunhão de sua célula, o pensamento será: “Um membro da minha família espiritual está necessitado. Como posso ajuda-lo?” Como igreja estruturada em grupos pequenos, temos um ambiente favorável para crescermos no “servir”, onde todos se ajudam mutuamente.

 Li sobre uma família que mudou de cidade. Chegando à nova cidade, logo procuraram uma igreja. Esta igreja estava estruturada em células. Esta família, depois de um mês na nova cidade, nunca tinha participada duma célula. De repente a filha de 17 anos adoeceu gravemente e foi parar na UTI. Depois de alguns dias, o quadro clínico da jovem piorou e ela corria risco de falecer. A igreja onde tinham ido duas ou três vezes, recebeu um telefonema do hospital, pois a família citou esta igreja como sendo a sua. Na realidade, não eram membros ali. Apenas haviam visitado os cultos umas poucas vezes. O pastor daquela igreja, imediatamente, designou uma célula para acompanhar aquela família. A jovem ficou durante um mês internada na UTI. Nesse período os participantes da célula doaram sangue; prepararam refeições pra família e cuidaram da limpeza da casa deles. A intimidade entre os membros da célula e aquela família se tornava cada vez maior. Não é necessário dizer que, quando a jovem ganhou alta, ela e seus pais decidiram participar dos encontros daquela célula e se tornar membros definitivos daquela igreja.

CONCLUSÃO

 SERVIR é o primeiro princípio para grupos pequenos, ensinado por que Jesus!

 “Agora que vocês sabem estas coisas, felizes se as praticarem” (Jo 13.17)!!!

 “Um novo mandamento vos dou: AMEM-SE UNS AOS OUTROS. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros. Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros” (Jo 13.34, 35).

Perguntas para o encontro das células / PGs:

Após leitura do texto de Jo 13.1-7 e eventual resumo de 3 a 4 minutos da mensagem:

1. Qual é o “recado” de Deus que você ouviu neste texto bíblico e/ou mensagem?

2. Há alguma coisa que você sente ter que colocar em prática?

3. Como o nosso grupo pode ser uma equipe onde uns “lavam os pés” dos outros?

4. A quem o nosso grupo deveria servir nesta semana? Como?


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