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“Galileus, por que vocês estão olhando para o céu? Este mesmo Jesus, que dentre vocês foi elevado ao céu, voltará da mesma forma como o viram subir”

Irno Prediger

Pastor Emérito

PREPARADOS PARA A VOLTA DE JESUS?
Mt 25.1-13
Quando se lê o Novo Testamento de forma corrida, uma das coisas que chama a atenção são as muitas referências que o NT faz à volta de Cristo. Uns 300 versículos falam da volta de Jesus. Deve ter sido um dos motivos porque antigos cristãos reservaram quatro semanas do ano (no calendário do “Ano Eclesiástico”) ao Advento de Cristo, ou seja, os quatro domingos que antecedem o Natal.  

Penso que nós deveríamos nos preparar muito mais e bem melhor para a volta de Jesus. Os cristãos dos primeiros séculos estavam esperando a volta de Cristo para qualquer momento. Suas orações incluíam a expressão “Maranata!”, ou seja, “Vem, Senhor Jesus”! Podemos observar esse “estar sempre preparados para a volta de Cristo” também nas epístolas de Paulo e Pedro, no NT. Estar esperando a volta de Jesus para qualquer hora nos leva a uma vida mais consagrada ao Senhor e a uma vida mais santificada. Portanto, a uma vida cristã onde estamos melhor preparados para o nosso encontro com o Senhor.

Jesus voltará. Não sabemos quando, mas voltará. Quando Jesus subiu ao céu, os anjos disseram aos discípulos (At 1.11): “Galileus, por que vocês estão olhando para o céu? Este mesmo Jesus, que dentre vocês foi elevado ao céu, voltará da mesma forma como o viram subir”. Os anjos confirmam o que o próprio Senhor Jesus já havia dito aos seus discípulos em Mt 24.27 e 30: “Porque assim como o relâmpago sai do Oriente e se mostra no Ocidente, assim será a vinda do Filho do homem”. “Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem. E todas as nações da terra se lamentarão e verão o Filho do homem vindo nas nuvens do céu com poder e grande glória”.

No cap. 25 de Mateus temos o registro de três parábolas de Jesus, exortando a estarmos preparados para este grande dia da História, estejamos ainda vivos ou estando já dormindo o sono da morte. Vamos nos ater hoje à parábola das dez virgens (Mt 25.1-13).
A PARÁBOLA DAS DEZ VIRGENS
 Para a nossa realidade de festas de casamento, essa história de Jesus parece estranha. Para a realidade da Palestina, porém, essa história poderia ter acontecido realmente. Até hoje em dia, em muitas aldeias da Palestina, os casamentos se assemelham ao que Jesus conta nesta parábola.

Em qualquer aldeia Palestina um casamento sempre era um acontecimento muito importante. Toda a aldeia saía para acompanhar o casal de noivos ao seu novo lar. Eles procuravam fazer o percurso mais longo até a sua nova casa para receberem os desejos de felicidade e bênção da maior quantidade de pessoas possível. Pelas ruas, todas as pessoas, dos 6 aos 60 anos, seguiam os noivos ao som do tambor nupcial. Todos participavam da alegre festa de casamento, ainda que nem todos eram convidados para a festa em si.

Os costumes da Palestina eram realmente bem diferentes dos nossos. O casal de noivos não ia para uma viagem de núpcias depois do casamento. Eles ficavam em sua casa. Durante uma semana recebiam seus amigos. Estes tratavam os noivos como a um príncipe e a uma princesa. Era a semana mais feliz dum casal, sem dúvida. Os noivos escolhiam a dedo os amigos que iriam participar das festividades. As jovens solteiras, amigas dos noivos, recebiam um convite especial para irem à frente do cortejo nupcial enquanto percorria as ruas da aldeia até entrarem na casa onde a festa, então, se iniciava após uma oração feita pelo noivo. Elas ficavam uma semana inteira festejando com os noivos.

As virgens néscias não só perderam a cerimônia do casamento, mas também esta semana de alegria e festa na nova casa dos noivos, pois não estavam devidamente preparadas!

A maneira como elas perderam a festa, corresponde perfeitamente à realidade da Palestina. Li sobre um turista ( Dr. Alexander Findlay) que contou o que viu na Palestina há uns 100 anos atrás. Ele escreveu: “Quando nos aproximamos dos portões duma cidade da Galiléia, vi 10 jovens vestidas com roupas alegres dançando, alegres, pelo caminho à nossa frente. Todas elas tocavam um tipo de instrumento musical. Ao perguntar o que estavam fazendo, o intérprete me respondeu que elas estavam esperando para acompanhar a noiva que estava esperando pelo seu futuro esposo. Perguntei a ele se havia alguma chance de ver essa cerimônia de casamento ao que ele fez um gesto negativo com a cabeça e me disse: ´Pode ser esta noite, ou amanhã de noite, ou dentro de 15 dias. Ninguém sabe com certeza quando o noivo virá´. Depois me explicou que uma das melhores coisas que um noivo podia fazer, se fosse possível, era surpreender o cortejo nupcial, encabeçado por estas amigas solteiras da noiva, se possível chegar quando estivessem dormindo. O noivo chega de surpresa, numa hora imprevisível, às vezes à meia noite. Naturalmente era exigência de que enviasse à frente que anunciasse: Vejam! Está chegando o noivo!´´, mas isso podia acontecer a qualquer momento, de maneira que o cortejo nupcial deve estar pronto para sair pelas ruas e encontrá-lo, seja qual for o dia e a hora que Ele decida vir. Outra das coisas importantes é que não se permitia ninguém sair de noite à rua sem uma lâmpada acesa na mão e, além disso, uma vez que os noivos tenham chegado e a porta fosse por ele fechada, não se deixava mais ninguém entrar para a cerimônia”.
Como podemos ver, tudo o que Jesus descreveu na parábola das 10 virgens ainda se repete até hoje em algumas aldeias da Palestina, como algo comum na vida do povo palestino.
O ENSINO DA PARÁBOLA DAS 10 VIRGENS
 Pelo contexto da parábola fica bem claro que Jesus está ensinando algo sobre a sua volta. Jesus é o noivo. E quem são as 10 virgens?

 Em primeiro lugar, as 10 virgens, representam a totalidade (10 = totalidade) do povo de Israel. Os judeus eram o povo escolhido de Deus até então. Conheciam as Escrituras. Toda a sua história deveria ter sido uma preparação para a vinda do Messias, o Filho de Deus. Deveriam ter estado preparados para receber Jesus quando Ele chegou. Mas não. Ao contrário, a sua liderança religiosa e política o crucificaram. A maioria deles não estava preparada e, portanto, ficaram fora da grande festa do Reino dos Céus (v. 1)! Aqui observamos a tragédia dum povo escolhido por Deus (os judeus) por não estarem preparados para a vinda do Messias.
 
A parábola, porém, contém também seu ensino para nós, que formamos o novo povo escolhido de Deus, na nova aliança. Nós seguidores de Cristo somos as 10 virgens, os convidados de honra do noivo.
 O que nos ensina esta parábola de Jesus?
1) Nos adverte que há certas coisas que não podemos deixar para a última hora.
O estudante não pode bancar o preguiçoso durante o ano inteiro, não estudando a matéria, e querer preparar-se para as provas só uma hora antes da hora da prova.

Quantas vezes alguém perde a oportunidade dum bom emprego porque não quis completar o segundo grau e nunca se esforçou para fazer cursos de aperfeiçoamento!

A mesma coisa acontece para nós perante Deus. É fácil deixar as coisas para a última hora de maneira que já não temos mais tempo para preparar-nos quando nosso encontro com Deus chega, vindo a morte sobre nós.

As 5 virgens néscias esperavam pelo noivo (Jesus) e tinham lâmpadas (fé). Não tinham, porém, óleo de reserva nas suas vasilhas quando o noivo chegou tarde e suas tochas já tinham se apagado. Jesus não critica as virgens porque dormiram ( o dormir sinaliza a nossa morte) quando o noivo chegou. Elas falharam porque não se prepararam antes. Ficaram de fora da festa das bodas porque não se prepararam em tempo. É triste, aliás, é trágico ficar de fora e receber a sentença do Senhor: “Não conheço vocês”!
2) Nos ensina que há certas coisas que não se podem pedir emprestadas.
As virgens néscias não puderam pedir azeite emprestado das prudentes quando descobriram que o necessitavam.

O homem não pode pedir emprestado a relação com Deus a um irmão da igreja. Ele precisa possuir essa relação pessoal com Cristo!

Ele não pode pedir emprestado de outro crente em Cristo uma vida santificada pela Palavra de Deus. Ele precisa, pessoalmente, ter sido transformado pela Palavra e se tornado à semelhança de Cristo. Esse azeite não dá para pedir emprestado e nem comprar na última hora.

Você não pode viver do capital espiritual dos seus irmãos de fé. Você precisa desenvolver sua própria intimidade com Deus e crescer na fé, acumulando seu estoque de azeite em sua vasilha. Não tem como pedir emprestado de outros!
3) Nos ensina que devemos ser vigilantes diante da volta de Jesus, tratando de armazenar “óleo” em estoque na nossa vasilha.
Nas Escrituras Sagradas o óleo, ou azeite, representa o Espírito Santo. Você recebe o Espírito Santo ao aceitar Jesus Cristo como seu Salvador e colocar nele a sua fé. Mas, você não pode contentar-se em só receber o Espirito Santo na sua decisão de fé por Jesus. Você precisa, sempre de novo, buscar a intimidade com Deus e permitir que Jesus preencha você com Seu Santo Espírito.

O Novo Testamento fala dos dons do Espírito Santo e dos frutos o Espírito Santo.
Use os dons que Deus lhe deu para servir aos outros com eles (1 Pe 4.10)!

Permita que o Espírito Santo opere em você seus frutos: amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio (Gl 5.22, 23).
CONCLUSÃO
Vigiem! Não há nada mais trágico do que as lágrimas do arrependimento ao ouvir “TARDE DEMAIS!” Que ninguém de nós seja encontrado, no dia da volta de Jesus, parado diante das portas fechadas da festa do Reino dos Céus e ouvir a vos do noivo nos dizendo: “A verdade é que não conheço você”!

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