Alguns, todavia, zombavam deles e diziam: "Eles beberam vinho demais". - Atos 2:13

Irno Prediger

Pastor Emérito

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O MILAGRE DE PENTECOSTES


Atos 2.1-13 


 “Ao cumprir-se o dia de Pentecostes”.

Na língua grega, o “quinquagésino” dia chama-se “pentekosté”. Daí surgiu a palavra Pentecostes. Era uma das três grandes festas de Israel que acontecia 50 dias depois da Páscoa.

Os israelitas também chamavam esta festa de “festa da sega”, ou seja, festa da colheita. Está regulamentada em Lv 23.15-22. A festa de Pentecoste tinha, entre os israelitas, um duplo significado:

- Um significado agrícola. Era uma festa de ações de graças pelo final das colheitas. Por isso cada israelita trazia ao templo dois pães, como oferta de gratidão ao Senhor.

- Um significado histórico. Nesse dia devia ser lembrado o fato de que Deus as duas tábuas de pedra da Lei, contendo os 10 mandamentos, recebidos através de Moisés no monte Sinai.

Para nós cristãos, Pentecostes também se tornou uma das principais datas do calendário cristão, pois é o aniversário da Igreja de Cristo. A Igreja nasceu no dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo veio sobre os discípulos e surgiu a primeira Comunidade cristã, na cidade de Jerusalém.

Assim, vamos olhar para este evento, narrado em Atos 2, e que registra o “milagre” de Pentecostes.

II – A VINDA DO ESPÍRITO SANTO

1. A vinda do Espírito Santo foi um milagre.

Muitas vezes grupos cristãos desejam e tentam repetir o acontecimento de Pentecostes. Isso é impossível, pois trata-se dum evento único na História.

- O acontecimento de Pentecostes não tem, na realidade, como explicar. O que é relatado em Atos 2 foi um milagre do agir de Deus. O que aconteceu naquele dia foi algo sobre humano; algo divino. As pessoas que presenciaram ficaram perplexas com o que viram (At 2.13): “Todos atônitos e perplexos, interpelavam uns aos outros: que quer isto dizer”?

- O acontecimento de Pentecostes foi algo único na História. Assim como Natal (Deus se fez ser humano no nascimento de Jesus), a Sexta-feira Santa (Jesus foi crucificado pelos nossos pecados), a Páscoa (Jesus ressuscitou, vencendo o poder da morte e do pecado), também a vinda do Espírito Santo no dia de Pentecostes, foi um acontecimento único. Não devemos esperar que tal acontecimento se repita em nossos dias com sinais idênticos. O Espírito Santo já foi enviado por Deus e está, agora, entre nós. Ele pode e deseja nos encher com sua presença, mas ele já está entre nós.

2. A vinda do Espírito Santo já era esperada.

Há muito tempo já era anunciada.

- Os profetas do Antigo Testamento já falavam dela. Na primeira pregação de Pedro, no dia de Pentecostes, ele lembra que os profetas do A. T. já haviam, há muito, anunciado a vinda do Espírito Santo. Em At 2.28-32 Pedro cita Joel 3.1-5 que, há muitos séculos, já disse: “E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne”.

- João Batista já havia anunciado que o Espírito Santo viria. Em Mt 3.11 ele disse: “Eu vos batizo com água, para arrependimento, mas aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu,... Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo”.

- Jesus havia prometido o envio do Espírito Santo. Ele disse em Jo 15.26: “Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim”. E ainda 10 dias antes de Pentecostes, no dia da ascensão de sua ascensão, Jesus disse em At 1.8: “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra”.

Depois da ascensão de Jesus ao céu, os discípulos permaneceram numa casa em Jerusalém, aguardando o cumprimento da promessa de Jesus de enviar o Espírito Santo. Como esperaram? Orando. Lemos em At 1.14: “Todos estes perseveravam unânimes em oração, com as mulheres, com Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele”.

Perseveravam unânimes em oração! Isto deveria ser uma “dica” para nós!

3. A vinda do Espírito Santo veio acompanhada de sinais visíveis e audíveis.

Os discípulos estavam reunidos numa casa (umas 120 pessoas conforme At 1.15), quando Deus enviou o Espírito Santo sobre todos eles (não só sobre os 12 apóstolos). A vinda do Espírito Santo veio acompanhada de alguns sinais:

a) Um som como de um vento impetuoso (v. 2)

“De repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados”.

Já no Antigo Testamento o Espírito Santo era associada ao vento em algumas situações. Quando p profeta Elias andava se escondendo do rei Acabe, o Espírito Santo de Deus se manifestou a ele através dum cicio, ou seja, dum vento brando.

Jesus também associou o Espírito Santo ao vento. Na conversa com Nicodemos (Jo 3), Jesus lhe explica que ele não poderia entrar no Reino de Deus, a não ser que fosse nascido pela água e pelo Espírito. Também lhe disse, daí: “O vento sopra onde quer; ouves a sua voa, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que que nascido do Espírito”.

O que podemos aprender disso?

Que nós não podemos forçar ao Espírito santo e dizer-lhe onde, quando e como Ele deve agir. Afinal, Ele é Deus e não nós! Nós não podemos produzir o Pentecostes! Não somos nós que operamos o arrependimento e a fé nas outras pessoas; não somos nós que produzimos um avivamento de fé.

Nós, sim, podemos e devemos orar , testemunhar e esperar, em fé, que Deus as opere através do Seu Espírito. Ele sopra onde e quando quer, como o vento!

b) Fogo do céu (v. 3)

“E apareceram, distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles”.

Por que o Espírito Santo veio com este sinal de algo que era “como” fogo, pousando sobre esse 120 discípulos e discípulas? Isso sinaliza o que o Espírito Santo deseja operar em cada um de nós.

- O fogo aquece, isto é, o Espírito Santo veio para consolar os seus, conforme Jesus prometeu em Jo 14;16. O Espírito Santo em nós, nos consola e dá esperança e, assim, aquece nossos corações e alma.

- O fogo queima, operando em nós o arrependimento e no conduz a Jesus, de modo que os nossos pecados são eliminados. Ao falar sobre a vinda do Espírito Santo, Jesus disse em Jo 16.8: Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo” (aquele que crê é tornado justo pela fé em Jesus!). O Espírito Santo é como o fogo que queima a sujeira (teus pecados cometidos), operando em você o arrependimento e a fé na obra de Jesus por você na cruz).

 

- O fogo purifica, isto é, o Espírito santo vem habitar em nós que cremos para nos purificar (santificar).

 

Em Três Lagoas passam muitos vagões pela via férrea, carregados de minério de ferro, vindos da região de Aquidauana e Miranda. A maioria dessas pedras dom ferro vão para a China. Como se extrai o ferro destas rochas? No fogo. À medida que a temperatura sobe, o que é sujeira derrete e sobra o que é ferro, o qual derrete lá pelos 1350 graus. É o fogo que purifica os metais. Assim, também, somos purificados pelo agir do fogo do Espírito Santo agindo em nós.

c) Línguas estranhas (v. 4)

“Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem”.

Ao ler os versículos seguintes (At 2.5-11), chama a atenção, em primeiro lugar, como os acontecimentos naquela casa onde os discípulos estavam, foi atraindo gente. Em segundo lugar, que todos estavam perplexos. Por quê? Porque pessoas de 15 nacionalidades, com línguas e dialetos diferentes, ouviam os discípulos falando “das grandezas de Deus” (v. 11), em sua língua materna. Algumas coisas a notar aqui:

- Não se tratava dum falar em línguas que ninguém entende. Não é o que, por vezes, temos entre nossas igrejas, um “falar em línguas estranhas”. No dia de Pentecostes, o Espírito Santo encheu seus discípulos e eles glorificavam a Deus (não pregavam, exceto Pedro que pregou em língua aramaica) em línguas que o povo, vindo de países e idiomas diferentes, entendiam na sua língua materna. Isso, realmente, foi um milagre!!!

- Todos ficaram cheios do Espírito Santo, isto é, todos os 120 discípulos (pessoas que já haviam crido em Jesus e estavam reunidos há dias naquela casa orando). Não só os apóstolos, mas “todos” (v. 4) ficaram cheios do Espírito Santo e “falavam das grandezas de Deus”.

- O fato de o Espírito Santo fazer com que pessoas de idiomas diferentes entenderem o testemunho dos discípulos, aponta para a missão para a qual Deus enviou o Espírito Santo. O Espírito Santo, antes de tudo foi enviado, para que o mundo e os povos pudessem ouvir o evangelho e serem salvos. Este é o grande projeto de Deus onde nós entramos e para o qual o Espírito Santo foi enviado (At 1.8);

CONCLUSÃO (At 2;12, 13)

 Os sinais milagrosos do Pentecostes (Som e fogo do céu e falar e entendimento em línguas) não levaram ninguém ao arrependimento e à fé em Jesus e, com isso, não levaram a multidão à salvação e formar a Comunidade cristã. Diante dos sinais, lemos nos vv; 12 e 13, que uns ficaram admirados e perplexos, dizendo “Que quer isto dizer?” e outros ficaram debochando “Estão embriagados”. Sinais podem atrair pessoas, mas não levam à fé e salvação.

 Foi a pregação da Palavra de Deus, trazido por Pedro (At 2.14-36) que gerou o arrependimento e a salvação nas pessoas!

Perguntas para o encontro das células:

1. Você diria que o acontecimento do dia de Pentecostes foi um milagre? Por quê?

2. Qual é a principal mensagem para você neste relato bíblico de At 2.1-13?

3. O que você deveria por em prática a partir desta mensagem?


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