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À medida que se aproximam dele, a pedra viva - rejeitada pelos homens, mas escolhida por Deus e preciosa para ele
1 Pe 2.4-9

Irno Prediger

Pastor Emérito 

A PEDRA E OS TIJOLOS
1 Pe 2.4-9
 
Acabamos de festejar os 500 anos da Reforma. Nas mensagens dos cultos de outubro destacamos os quatro “SOLA” estampados em nossas camisetas nesta “festa das células”, lembrando verdades fundamentais que nos identificam como evangélicos de confissão luterana:
 
1) SOLA GRATIA.
Como posso ser aceito por Deus e ganhar a salvação? Somente pela graça!
 
2) SOLA FIDE.
Como posso receber esta graça de Deus? Somente pela fé!
 
3) SOLA CHRISTUS.
Em que deve estar firmada a minha fé? Somente em Cristo!
 
4) SOLA SCRIPTURA.
No que devo me basear para saber o que é a verdade? Somente na BÍBLIA!
 
Hoje quero abordar um outro tema em que Martim Lutero e os demais reformadores da Igreja do século XVI, há 500 anos portanto, tiveram que voltar aos ensinos da Bíblia: sobre o tema: A PEDRA
 
A IGREJA E SUA LIDERANÇA ESPIRITUAL.
 Durante os primeiros séculos da Igreja cristã, até o século IV, a igreja se reunia em pequenos grupos (uma espécie de células), praticamente sem uma estrutura hierárquica. Por volta do ano 450 dC, o bispo de Roma começou a se entender como se ele fosse uma espécie de “imperador” da Igreja no mundo. Passou a ser chamado de Papa.
 
 Até hoje a Igreja Católica Romana sustenta essa autoridade do Papa, entendendo que o Papa é o sucessor legal de Pedro. Com que base bíblica? Com base numa interpretação do texto de Mt 16.18 “Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja,...” (Ler o texto da Confissão de Pedro em Mt 16.13-20). A liderança da Igreja da Idade Média passou a entender que esta PEDRA era o apóstolo Pedro e seus líderes sucessores, os papas. Esta é uma interpretação que se deu a este texto bíblico: Pedro é a pedra sobre a qual Jesus edifica a sua Igreja.
 
Uma segunda interpretação deste texto bíblico entende que a pedra sobre a qual a Igreja é edificada é a confissão de fé do Pedro: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16.16). Neste entendimento do texto bíblico, a Igreja de Jesus estaria sendo edificada não sobre o apóstolo Pedro (e seus supostos sucessores – os papas), mas sobre o a nossa fé de que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus. Isso faz sentido.
 
Uma terceira interpretação, correta a meu ver, é que a pedra sobre a qual a Igreja é edificada é o próprio Jesus. Paulo diz em 1 Co 3.11: “Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo”. Pedro disse em sua confissão de fé a Jesus: “TU ÉS O CRISTO, o Filho do Deus vivo”. Não Pedro e os seus supostos sucessores, os papas, são a pedra sobre a qual a Igreja de Jesus se edifica, mas JESUS é A pedra! Por isso: SOLA CHRISTUS! Somente Cristo!
 
Esse ensino sobre o fundamento da Igreja faz parte do que Lutero e os reformadores da Igreja do século XVI tiveram que corrigir na Igreja. O papa pode ser um cristão bom e importante, mas não é a pedra sobre a qual a Igreja está fundamentada. Jesus Cristo é A PEDRA de fundamento. Isso o próprio apóstolo Pedro deixa claro ao escrever em 1 Pe 2.4-9, texto sobre o qual queremos meditar hoje.
 
JESUS CRISTO, A PEDRA
 Observemos neste trecho bíblico como Pedro usa muitas vezes a ideia da pedra. Quando Pedro fala de A Pedra, ele se refere nitidamente a Jesus. Quando fala da Pedra, ele cita três textos do Antigo Testamento.
 
a) A pedra rejeitada, mas eleita.
1 Pe 2.4: “Chegando-vos para ele, a pedra que vive, rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa”. Aqui Pedro cita o Salmo 118.22: “A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular”. Quem eram os construtores? Era Israel, o povo de Deus da antiga aliança. Israel, como nação, rejeitou Jesus, crucificando-o. O próprio Senhor Jesus Cristo faz referência a esse versículo do Salmo 118.22 na parábola dos lavradores maus, em Mt 21.42.
 
Jesus, porém, não permaneceu no túmulo. Ele ressuscitou e vive! Pedro diz em 1 Pe 2.4 que Ele é PEDRA QUE VIVE, a pedra escolhida por Deus e preciosa para ser a pedra de fundamento para as nossas vidas.
 
A primeira mensagem para nós, hoje, está contida em 1 Pe 2.4: Chegue-se a ele, a pedra que vive! Tomemos o propósito de chegar-nos a Jesus hoje e todos os dias!
 
b) A pedra angular, provada.
Ao escrever de Cristo como sendo a Pedra, o apóstolo Pedro cita um segundo texto do Antigo Testamento, em 1 Pe 2.6. Está baseado em Is 28.16 onde diz: “Portanto, assim diz o Senhor Deus: Eis que eu assentei em Sião uma pedra já provada, pedra preciosa, angular, solidamente assentada; aquele que crer não foge”. Jesus é essa pedra segura, confiável, pedra angular sobre a qual nós estamos fundamentados em nossa fé.
 
 A segunda mensagem para nós, hoje, está em 1 Pe 2.7: “Para vós outros, portanto, os que credes, (essa pedra que é Jesus) é a preciosidade”. Não temos nada mais precioso no mundo do que Jesus Cristo. Ele é a pedra confiável na qual a nossa vida se apoia. Estando alicerçados em Jesus, podemos ter plena confiança para encarar todas as coisas desta vida, bem como para encarar a nossa morte!
 
c) Pedra de tropeço.
1 Pe 2.8 diz que para aqueles, porém, que não creem em Jesus, os quais tropeçam na palavra e são desobedientes a Deus, Cristo se torna “Pedra de tropeço e rocha de ofensa”. Também é uma palavra extraída do Antigo Testamento. Em Is 8. 13-14 lemos: “Ao Senhor dos Exércitos, a ele santificai; seja ele o vosso temor, seja ele o vosso espanto. Ele vos será santuário; mas será pedra de tropeço e rocha de ofensa às duas casas de Israel, laço e armadilha aos moradores de Jerusalém”. É exatamente isso que aconteceu. Os israelitas e, em especial, os líderes religiosos de Jerusalém rejeitaram Jesus, matando-o na cruz.
 
Aí está uma terceira mensagem para nós hoje: cuidado! Tenha temor de Deus e busque a Jesus, para que Ele não venha a ser uma pedra de tropeço para você!
 
Assim, uma das verdades importantes que a Reforma nos delegou é que não colocamos a nossa fé em Papas e seus dogmas, mas única e exclusivamente em Jesus.
 
A Igreja não está fundamentada sobre líderes de Igreja e seus ensinos, mas em Jesus Cristo. A Igreja se edifica a partir da fé dos crentes fiéis e essa fé se sustenta sobre Jesus Cristo.
 
d) Nós somos os tijolos
Jesus é a pedra de fundamento e nós somos os tijolos deste edifício espiritual chamado igreja. Somos pedras vivas.
1 Pe 2.5 diz: “também vós mesmos, como pedras (tijolos) que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo”.
 
A NATUREZA DA IGREJA
Aprendemos três coisas sobre a natureza da própria Igreja neste trecho bíblico:
 
1) O cristão se assemelha a uma pedra, ou tijolo vivo e a igreja é um edifício vivo ao qual o crente está integrado (1 Pe 2.5).
Isso deixa muito claro que ser cristão significa viver em Comunidade. O crente individual só encontra seu verdadeiro lugar quando é incorporado ao edifício da Igreja. A religião solitária não se enquadra na fé cristã.
 
Há um famoso relato na História da antiga Grécia sobre um rei da cidade de Esparta. Num dia em que o rei de Esparta recebeu a visita dum outro rei, ele falou muito e com orgulho das muralhas que cercavam e protegiam o território do seu Estado. O visitante olhou, mas não via muralha alguma. Então perguntou ao rei de Esparta: “Onde estão as muralhas das quais você tanto fala e se orgulha?” O rei de Esparta apontou, então, para a guarda pessoal dele, formada por fortes e bem treinados soldados e disse: “Estes são as muralhas de Esparta, e cada um desses homens é um enorme bloco de pedra que defende a nossa cidade”.
 
Uma coisa fica bem clara. Enquanto o tijolo permanece isolado, sozinho, ele não possui utilidade alguma. O tijolo só é útil quando está incorporado a uma construção, um edifício. É para isso que o tijolo foi feito. Ao ser incorporado à construção, ele cumpre a sua função e encontra a razão de sua existência. Assim também acontece com o crente em Cristo individual. Para cumprirmos o nosso propósito não podemos permanecer solitários, mas precisamos nos incorporar à estrutura do edifício espiritual da Igreja. O cristianismo individualista não é cristianismo. O cristianismo verdadeiro acontece numa Comunidade de irmãos. Um dos melhores lugares de você ser um tijolo útil é servindo na sua célula!
 
2) Os cristãos são um sacerdócio santo (1 Pe 2.5).
Há duas grandes características num sacerdote:
 
a) O sacerdote é alguém que tem acesso direto a Deus e cuja tarefa é levar outros a Deus.
No mundo antigo este acesso a Deus era privilégio de uns poucos, assim como na Igreja da Idade Média há 500 anos. Só os sacerdotes profissionais tinham esse acesso direto a Deus, especialmente o sumo sacerdote. Mas através de Jesus Cristo, o novo e vivo caminho, o acesso a Deus é privilégio de todo cristão (um ensino que a Reforma rebuscou da Bíblia), não importando quão culto ou iletrado o crente é.
 
A palavra latina que equivale a sacerdote é “pontifex”, ou seja, “construtor de pontes”. Isso significa que, sendo você um “sacerdote santo”, a sua tarefa é construir pontes para que outras pessoas possam chegar a Deus. O crente tem o dever e o privilégio de conduzir outras pessoas àquele Salvador o qual ele mesmo conheceu e experimentou em sua vida!
 
b) O sacerdote é a pessoa que leva ofertas a Deus.
O cristão também precisa levar continuamente suas ofertas a Deus. Na antiga aliança (Antigo Testamento) as ofertas eram de animais sacrificados, mas os sacrifícios do cristão são espirituais. O cristão faz de seu trabalho um sacrifício ao Senhor. Tudo o que ele faz, o faz para Deus! Quando assim procede, mesmo a mais insignificante tarefa como guardar a louça do almoço, está revestida de glória. É assim que ele serve a Deus no dia a dia, usando seus dons e talentos. Ao fazer todo e qualquer trabalho para Deus, seja na igreja, em casa ou no seu emprego, o crente presta culto a Deus e Lhe oferece sacrifícios espirituais! Fazendo assim, o trabalho não lhe é coisa pesada. Ao contrário, é um prazer!
 
3. A função da Igreja é anunciar as virtudes de Deus (1 Pe 2.9).
 A função da igreja é testemunhar os poderosos feitos de Deus. Colocando em miúdos: a função do crente, como tijolo vivo incorporado ao edifício da Igreja, é contar aos outros o que Deus tem feito por sua alma; é testemunhar o que o Senhor fez em sua vida. Mais do que por palavras, o cristão dá testemunho de Jesus através de sua própria vida, comunicando aos outros o que Deus operou em sua vida e o que Deus fez por ele.
 
CONCLUSÃO
 Alguns propósitos para nós assumirmos a partir da mensagem deste texto bíblico:
1. Um propósito com sua célula. Como o tijolo não possui utilidade permanecendo sozinho, tome o propósito de se integrar bem na sua célula e se empenhar por ela!
2. Um propósito com o evangelismo. Como sacerdote santo (pontifex) a sua tarefa é construir pontes entre pessoas que ainda estão longe de Deus e o Criador, ajudando-os a crer e seguir a Jesus.
3. Um propósito com meu trabalho na igreja / célula e o trabalho secular. Faça tudo como oferta de sacrifício agradável a Deus.
4. Um propósito de testemunhar. Como sacerdote santo e tijolo vivo, procure testemunhar ao mundo os “poderosos feitos de Deus” em sua vida.
 
Sugestão de perguntas para os encontros de célula (Texto bíblico: 1 Pedro 2.4-9):
1. O que significa para você “a pedra”?
2. Sendo um tijolo vivo (1 Pe 2.5), onde você pode ser útil?
3. Sendo “sacerdotes santos e reais” (1 Pe 2.5 e 9), o que vamos fazer?

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