“De uma feita, estava Jesus orando em certo lugar; quando terminou, um dos discípulos lhe pediu: Senhor, ensina-nos a orar como também João ensinou aos seus discípulos”. Lc 11.1

Irno Prediger

Pastor Emérito

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SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR

I – INTRODUÇÃO

 Como vai a sua vida de oração?

 Vamos ser sinceros, não é tão fácil assim desenvolver e perseverar em oração. Foi por isso que Jesus ensinou na parábola de Lc 18.1-8 sobre “o dever de orar sempre e nunca esmorecer”. Há razões porque temos entre os cristãos tanta dificuldade em desenvolver uma vida regular de oração. Podemos abordar isso em outra ocasião, mas cito três razões:

a) Para o homem “caído” (pós jardim do Éden) a oração não parece ser um ato normal;

b) A oração é praticamente uma confissão de fraqueza (que dependemos de Deus), e nós não gostamos de parecer fracos;

c) Às vezes a oração não parece dar resultados.

Todos nós, porém, sabemos que orar é algo vital. Talvez tenhamos que fazer como os discípulos de Jesus como os discípulos de Jesus. Observando que Jesus tinha uma profunda vida de oração, lhe pediram para que os ensinasse a orar. Lemos em Lc 11.1: “De uma feita, estava Jesus orando em certo lugar; quando terminou, um dos discípulos lhe pediu: Senhor, ensina-nos a orar como também João ensinou aos seus discípulos”.

II - COMO CULTIVAR A DISCIPLINA DA ORAÇÃO?

1 - Cultivando o nosso jardim interior.

Em 1971 fui designado pela direção da minha Igreja para ser pastor em Bagé / RS. Para mim era uma cidade diferente àquelas que eu estava acostumado, pois a cultura era diferente daquela que eu conhecia. Eu cresci numa região de migrantes alemães e italianos. Bagé foi formada por espanhóis e portugueses. Em vez de pátios com jardins na frente das casas, em Bagé todas as casas eram construídas rente às calçadas. Isso me parecia sem graça. Ao entrar, porém, nas casas percebi que a maioria possuíam um pátio interno. Muitas com lindos jardins internos, muito bem cultivados com canteiros de flores, arbustos e plantas ornamentais. Algumas destas casas realmente dava gosto de entrar e sentar num dos bancos do jardim interno.

Como está o seu jardim interno? Cada um de nós possui a sua fachada externa e seu jardim interno. O seu jardim interno está organizado e bem cultivado? A sua vida de comunhão com Deus e de oração é que vai determinar isso basicamente. Que bom se a sua fachada está bonita, mas o seu “jardim interior” como está?

Jesus deu amostras de ter um jardim interior bem em ordem, bem cultivado. Os discípulos perceberam isso. Mesmo muito atarefado com as multidões que o procuravam, Jesus tinha seu tempo diário de estar a sós com o Pai, em oração. Vendo isso, os discípulos lhe pediram: “Senhor, ensina-nos a orar”. Querido(a), cultive bem o seu jardim interior! Não se preocupe tanto com as aparências externas e as coisas do mundo exterior. Cuide em desenvolver uma profunda intimidade com o Pai celestial! Cuide em cultivar bem o seu jardim interior!

2 - Conversando com Deus.

Orar é conversar com Deus. É comunicação de via dupla. Não é simplesmente despejar tudo perante Deus. É você falar a Deus, mas muito mais ouvir Deus lhe falar e orientar! Diga a Deus o que está lhe preocupando e o que você está precisando, mas também aprenda a ouvir a voz de Deus. Aprender isso, exige disciplina da sua parte. Normalmente o Senhor lhe falará pela sua Palavra, mas também pode usar pessoas ou pelo Espírito Santo falando ao seu espírito. É isso que torna o seu interior um lindo jardim. Deixe Jesus sentar no banco do seu jardim e converse com Ele.

3 – Planejando o lado prático de nossa vida de oração

Sobre o lado prático, quero lhe recomendar quatro pequenas coisas. Parecem secundárias, mas são decisivas para você organizar o seu jardim interior, ou seja, a sua vida de oração e intimidade com o Pai.

Encontre um horário apropriado

Não importa se a sua hora de estar a sós com Deus é de manhã, de tarde, de noite ou de madrugada. Importa que você encontre e defina um horário para sua devocional, louvando com hinos, meditando na Palavra de Deus e conversando com o Pai em oração. Pessoalmente, eu reservo uma hora depois do café da manhã. Jesus, devido às multidões à sua volta, se retirava de madrugada para orar. O profeta Daniel (Dn 6.10) orava pela manhã e à noite, e ainda orava ao meio-dia. Encontre o horário que for melhor para você.

Quando você entra no seu “quarto de escuta”, inicie devagar, talvez, com uns minutos de ficar em silêncio. Muitas vezes a sua mente ainda está cheia de pensamentos girando em agitadamente em seu cérebro. Colocar uma música cristã de fundos pode ajudar você. Davi não possuía DVD ou celular, mas tocava a sua harpa ao entrar na presença de Deus. Se estou com a mente agitada, eu inicio essa hora na presença de Deus, cantando alguns hinos baseados nos Salmos. Você também pode ler um Salmo para iniciar o seu tempo no “quarto de oração”.

Assuma uma postura de respeito diante do Pai

Existe uma postura certa para orar? Provavelmente não, ainda que algumas pessoas afirmem que sim. Na cultura dos tempos bíblicos, a maioria das pessoas orava em pé, estendendo as mãos para o alto. Outros se prostravam com o rosto até o chão. No Getsêmani, antes de ser preso e crucificado, Jesus orou ajoelhado (talvez com o rosto inclinado até o chão). Lemos em Lc 22.41-42: “Ele, por sua vez, se afastou cerca de um tiro de pedra e, orando, de joelhos, orava, dizendo: Pai, se queres, passa de mim este cálice, contudo, não se faça a minha vontade, e sim a tua”.

A posição para orar pode variar de cultura para cultura, de pessoa para pessoa. O importante que você ore e chegue perante o Altíssimo, com reverência porque Deus é Santo, mas também com confiança, pois ele é o seu Pai misericordioso.

Defina um local apropriado

Jesus disse: “Vá para o seu quarto”(Mt 6.6). Ele mesmo se retirava a lugares desertos, ao jardim de Getsêmani, a uma montanha e lugares sossegados. Habacuque ia a uma torre de vigia sobre os muros da cidade. Pode ser debaixo duma árvore, no quarto ou qualquer outro lugar sossegado. O importante é você definir um lugar apropriado para orar e estar em comunhão com Deus. Até o templo pode ser! Desligue a TV e deixe longe seu celular! Nesta hora você está em audiência solene perante o Rei do universo!

Tenha uma lista de oração.

Ter um caderno de oração e intercessão por outras pessoas, ajuda a não esquecer pessoas pelas quais assumiu orar. Nossa memória falha. Em tempos difíceis, reler seus cadernos de oração e ver os registros como Deus respondeu às suas intercessões, será de ajuda para você orar sempre e nunca esmorecer.

4 - Organizando o conteúdo de nossas orações.

Adoração e agradecimentos

Uma boa maneira de iniciar o tempo no nosso jardim falando com o Pai é começando com adoração e agradecimentos. A adoração pode ser com leitura de um salmo ou hinos de louvor. Em oração, louve a Deus por quem ele é e agradeça pelas coisas que ele lhe deu. Uma boa maneira é Cantar cânticos de louvor intercalados de orações de graças. A adoração no início de nossa hora devocional, alarga a nossa percepção da grandeza e de quem Deus é, bem como da nossa pequenez e carências. Nossos agradecimentos deveriam sempre vir antes dos nossos pedidos e intercessões.

Confissão de pecados

À luz da majestade de Deus, somos levados a olhar para nós mesmos com sinceridade, vendo como realmente somos, em contraste com a pessoa de Deus. Este é o segundo aspecto da oração: a confissão. Uma disciplina espiritual saudável implica em que reconheçamos a nossa condição de pecadores e confessemos nossos pecados (1 Jo 1.8-10).

A oração de confissão, numa forma abreviada, é a que o publicano fez em Lc 18.13 “Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador”. O Senhor estará menos atento às nossas palavras do que à nossa sinceridade interior. Um jardim interior bem cultivado, implica em constante combate às pragas e inço que aparecem e crescem em nosso interior. Quem deseja ter seu jardim interior bem cultivado, irá cuidar de confessar diariamente seus pecados, colocando-os sob a cruz de Cristo. As tentações e a natureza pecadora sempre nos acompanharão até o final de nossas vidas. Só quando Jesus voltar serão totalmente removidos. Confissão diária dos pecados faz parte da nossa santificação e ter um jardim interior sempre limpo e bonito. Virá o dia em que o Senhor nos livrará totalmente da presença do pecado, na sua volta.

Gordon MacDonald conta uma história da vida dele que ilustra esse processo gradativo de nossa vida em Cristo. Ele escreve: “Faz alguns anos, eu e minha esposa, compramos um sítio abandonado. O ponto onde pretendíamos construir nossa casa de campo estava cheio de rochas e pedras. Logo percebemos que teríamos muito trabalho para limpar tudo, e plantar ali grama e folhagens. E a família toda se empenhou na tarefa de preparar o lugar. No início, o serviço foi relativamente fácil. Não levamos muito tempo para remover as rochas grandes. Mas assim que as retiramos, descobrimos que havia muitas pedras menores para serem removidas. Então começamos outro trabalho de limpeza do terreno. Afinal, conseguimos tirar as pedras que ali havia. Mas foi aí que descobrimos que ainda restavam muitas pedrinhas que não tínhamos visto antes. Essa fase da tarefa foi trabalhosa e aborrecida. Mas não desanimamos e, afinal, conseguimos terminar todo o serviço e deixar o terreno pronto para o plantio da grama”.

“Nossa vida interior é muito parecida com aquele terreno. Logo que comecei a buscar a Cristo seriamente, ele me revelou que muitos dos meus atos e atitudes habituais eram como aquelas rochas, e precisavam ser removidas da minha vida. E à medida em que os anos iam se passando, realmente, consegui suprimir muitas daquelas pedras maiores. Mas, assim que essas foram sendo tiradas, descobri uma outra camada de atos e atitudes que antes eu não havia identificado. Mas Cristo os viu, e apontou-os, um a um. E novamente teve início um processo de remoção. Finalmente cheguei a uma fase em que eu e Cristo estávamos cuidando de pedrinhas menores. Elas são por demais numerosas, e não consigo fazer o cálculo delas e, pelo que tenho sentido, ficarei removendo pedrinhas até o fim dos meus dias na terra. Todos os dias, no momento de minha disciplina espiritual, sempre encontro uma nova pedrinha, durante o processo de limpeza”

“Mas preciso dizer mais uma coisa. Todos os anos, na primavera, depois que a neve derrete, descobrimos que apareciam mais pedras em volta da casa. Parece que elas estavam no fundo e iam aos poucos aflorando à superfície da terra, uma a uma. E algumas delas nos causaram bastante frustração, pois à primeira vista pareciam pequenas, mas quando vamos retirá-las vemos que não são. E, então, percebemos que existem muitas pedras no terreno, mais do que as que estamos vendo”.

“Minha pecaminosidade também é assim. Ela é constituída de rochas, pedras e pedrinhas que vão subindo para a superfície uma a uma, enquanto vou cultivando meu jardim interior. O crente que não praticar diariamente a disciplina da confissão em seu momento devocional ficará todo cercado delas”.

Existem muitas pessoas por aí que se dizem seguidores de Cristo, mas que há muito tempo não enxergam mais sua pecaminosidade. Vão ao culto domingo, mas saem dali sem experimentar o mínimo de quebrantamento e contrição diante de Deus, que é o verdadeiro culto espiritual. Isso leva a um cristianismo de segunda categoria.

Eu quero convidar você a ter seu tempo perante Deus, onde ele pode mostrar as “pedrinhas” (pecados) em sua vida. Para isso é importante você ter seu tempo diário no seu “quarto de escuta”, bem como estar no Corpo de Cristo, inserido numa célula. É o Corpo de Cristo quem nos ajuda nesse processo de remover as “pedrinhas” do terreno da nossa vida.

Petições e intercessões.

A maioria dos grandes homens de oração diz que só podemos começar a pedir e interceder, depois que adoramos a Deus e confessamos os nossos pecados. Primeiro precisamos nos colocar em contato com o Deus vivo, para daí estarmos preparados para pedir por nossas necessidades e interceder pelas outras pessoas. Aliás, à medida que o cristão cresce, ele pede a Deus menos para si e mais a favor das outras pessoas.

Interceder significa orar em favor de outras pessoas.

Por quem interceder?

Eu incluo três grupos pelas quais procuro interceder diariamente no meu “quarto de escuta”: 1) As pessoas da minha família; 2) Os integrantes da minha célula; 3) Os não-crentes “alvo” de evangelismo da minha célula (o “oikos” da minha célula). Por estes procuro orar diariamente, ou, pelos menos 5 dias da semana. Por outras pessoas e necessidades eu oro, mas não diariamente. Recomendo você também ter esses três grupos de pessoas em suas intercessões diárias, de forma regular.

III – CONCLUSÃO – A PREOCUPAÇÃO DE JESUS CONOSCO

Lc 18.1-8 “...o dever de orar sempre e nunca esmorecer” (v. 1).

 “Contudo, quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, fé na terra?” (v. 8).

 Jesus gostaria de ver em você um cristão perseverante que ora sempre, sem desanimar. Isso tem a ver com a sua fé! Amém!


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