"Quando você semeia, não semeia o corpo que virá a ser, mas apenas uma simples semente, como de trigo ou de alguma outra coisa. Mas Deus lhe dá um corpo, como determinou, e a cada espécie de semente dá seu corpo apropriado." - 1 Coríntios 15:37,38

Irno Prediger

Pastor Emérito

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O MELHOR AINDA ESTÁ POR VIR

1 Co 15.35-44;50-55 

No próximo sábado é Finados, um dia em que muitos vão ao cemitério enfeitar os túmulos de pessoas queridas que já são falecidas.

 Talvez você tenha alguém da sua família que faleceu e da qual lembra com carinho e saudade. Mesmo passados já dois anos que o nosso filho Estêvão faleceu, as lágrimas me vem aos olhos frequentemente, quando ele me vem às minhas lembranças. E, estando já com mais de 70 anos, o assunto da própria morte tem ocupado a minha mente com frequência maior do que no passado.

 Hoje quero olhar este assunto com vocês sob a ótica cristã e lhes dizer que a vida passa pela morte e que o melhor ainda está por vir! (Leitura de 1 Co 15.35-44).

O ÚLTIMO INIMIGO A SER DESTRUÍDO
Para muitas pessoas a morte inspira terror. Tem gente que simplesmente não quer pensar e falar sobre esse assunto. Tempos atrás li sobre o pavor da morte do famoso cineasta Woody Allen. Ele via a morte como sendo a aniquilação da existência da pessoa e manifestou o seu medo diante dela. Brincando, ele disse: “Não que eu tenha medo de morrer, apenas não quero estar lá quando a morte chegar”. Mesmo para os famosos e ricos a morte é inevitável.

Li nesta semana um artigo duma equipe de cientistas israelenses, cuja pesquisa constatou que o cérebro humano desliga conexões neurais sempre que o assunto da própria morte aparece. O cérebro de muitas pessoas faz isso como um tipo de mecanismo de defesa. Mas, queiramos ou não, a morte é inevitável.

Também para nós cristãos a morte é inevitável e um assunto nada agradável. A própria Palavra considera a morte como nosso maior inimigo. Lemos em 1 Co 15.26: “O último inimigo a ser destruído é a morte”. Para nós cristãos, porém, a morte não é o nosso trágico fim, como o é para quem não crê em Jesus. Não que a morte seja algo que não nos assuste e entristeça. Também para nós que cremos em Cristo, o processo da morte pode ser algo bem dolorido e complicado. Ela é o nosso último inimigo, mas um inimigo a ser destruído e não um inimigo que irá triunfar sobre nós.

Lemos em 2 Tm 1.9-10: “Esta graça nos foi dada em Cristo Jesus deste os tempos eternos, sendo agora revelada pela manifestação de nosso Salvador, Jesus Cristo. Ele tornou inoperante a morte e trouxe à luz a vida e a imortalidade por meio do evangelho”. Ou seja, Jesus providenciou a vacina contra a morte. A vacinação aconteceu quando você recebeu o evangelho e está sinalizada em nós com o batismo. Jesus, pessoalmente, derrotou o poder da morte e a derrotou através da Sua ressurreição, de modo que a morte já não tem mais a última palavra sobre nós. Por isso podemos exclamar com o apóstolo: “Onde está, ó morte, a sua vitória? Onde está, ó morte, o seu aguilhão?” (1 Co 15.55).

Assim, irmãos, a morte é uma dura realidade para nós, mas é um inimigo derrotado por Cristo. Quem está em Cristo não precisa ficar apavorado diante da morte, pois já está incluído na ressurreição de Jesus! Para nós que cremos em Jesus, a morte não é o fim. Ela é a porta para a Vida eterna!


COMO SERÁ A NOSSA RESSURREIÇÃO?
“Mas alguém dirá: Como ressuscitam os mortos? E com que espécie de corpo virão?” (1 Co 15.35). Esta pergunta era feita na época no âmbito da igreja de Corinto. Também continua sendo feita aos cristãos e entre cristãos, hoje. Paulo até considera como sendo tola esta pergunta. Ele chama de “Insensato” quem faz tal pergunta.

Sobre essa questão Paulo passa a ensinar a partir da observação das plantas: “Insensato! O que você semeia não nasce a não ser que morra. Quando você semeia, não semeia o corpo que virá a ser, mas apenas uma simples semente, como de trigo ou de alguma outra coisa. Mas Deus lhe dá um corpo, como determinou, e a cada espécie de semente dá seu corpo apropriado” (1 Co 15.36-38).


O que aprendemos aqui sobre a nossa ressurreição?
A primeira coisa que aqui nos é esclarecido é que a nossa vida futura passa necessariamente pela morte. Para entrarmos na nova realidade da ressurreição e novo corpo, precisamos morrer. Por isso, a morte não é algo tão “horrível” para nós cristãos. É como a lagarta que se arrasta e come folhas em nosso jardim. Depois passa por uma metamorfose e se transforma numa linda borboleta capaz de voar. Ou como Paulo escreve aqui. É como uma semente que, para se tornar numa bela planta com folhas e flores precisa, primeiro, ser lançada na terra e morrer como semente.

Em segundo lugar, aprendemos aqui que há uma ligação entre nosso corpo atual e o novo corpo que teremos a partir de nossa ressurreição. De um grão de trigo nasce um pé de trigo e não um limoeiro, por exemplo. Assim haverá uma ligação básica entre nosso corpo terreno atual com o novo corpo celestial que teremos na ressurreição. Há, portanto, uma continuidade básica.


Em terceiro lugar, aprendemos aqui que vai acontecer uma coisa fantástica e impressionante, que é dum caráter de descontinuidade entre o nosso corpo atual e aquele que teremos a partir de nossa ressurreição. A semente é simples e, por vezes, até feia. Sua planta e flor, porém, é bela, colorida, bonita! Assim será com o nosso novo corpo da ressurreição. Ele preserva certas coisas básicas do corpo atual, mas terá novas qualidades, características e poderes nunca sonhados por nós!!! Basta observarmos o que os evangelhos nos relatam sobre o corpo de Jesus depois de Sua ressurreição. E quando se fala de “corpo terreno” e “corpo espiritual” da ressurreição, estas profundas transformações não se limitem ao corpo em si, mas também à nossa mente, emoções e vontade. Acontecerá uma profunda transformação em nós quando nossa ressurreição se concretizar na volta de Cristo.

Há ainda uma outra coisa que precisamos ter em mente neste contexto futuro. De maneira semelhante ao que vai acontecer ao nosso corpo ressuscitado, algo semelhante se aplica a toda a criação ao nosso redor. Um “novo céu e uma nova terra” surgirão. Jesus chamou esse momento de “ocasião da regeneração” em Mt 19.28. Pois se o nosso corpo deve ser ressuscitado e transformado, o mundo também deve ser regenerado. Toda a criação que está gemendo e aguardando a manifestação dos filhos de Deus, será liberta da sua atual escravidão e decadência . Vejam Rm 8.18-25.

 São enormes as expectativas com a nossa ressurreição, mas para isso precisamos passar primeiro pela porta da morte. Em muitas lápides de túmulos essa esperança está anunciada. Porque não fazer constar na lápide dos nossos túmulos: “A morte é a porta para a Vida”!


O MELHOR AINDA ESTÁ POR VIR
Ainda que não apreciamos pensar na nossa própria morte, eu lembro o testemunho do Estêvão. Nos últimos meses, antes de vir a falecer, ele repetiu muitas vezes concordar com o que Paulo diz em Fp 1.21: “Porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro”.

O que é “viver” para Paulo? Em uma única palavra, é CRISTO! Para Paulo era impossível imaginar a vida sem Cristo. Assim, é natural que ele desejasse morrer, pois a morte lhe seria lucro, ou seja, mais de Cristo. Lembremos que Paulo estava preso quando escreve esta carta aos filipenses e aguardando o seu julgamento perante o imperador de Roma.

Assim, irmãos, a vida significa Cristo, de modo que para nós, os que nele cremos, a morte é lucro. E, de fato, a vida futura em nosso novo corpo da ressurreição será infinitamente melhor do que a vida aqui em nosso corpo terreno. Pois:

- Se o nossos momentos de adoração e louvor com o povo de Deus já são algo gostoso, imaginem então, como será o louvor no céu, com todos os milhões ou bilhões de redimidos louvando a Deus, juntamente com as miríades de anjos!

- Se o nosso coração já “arde” (Lc 24.32) sempre que ouvimos uma boa exposição das Escrituras, imaginem como será comovente ouvir o próprio Senhor nos revelando todas as verdades na eternidade!

- Se a beleza dum pôr de sol já nos toca a alma, imaginem como será fascinante estarmos diante da beleza do “novo céu e nova terra” regenerados!

- Se a comunhão com irmãos de diversas Comunidades, como em nossos encontrões, já é algo gostoso, imaginem como será quando, finalmente, estivermos juntos com as multidões de todas as tribos, raças e nações, na presença do Altíssimo! Pense você ver e poder abraçar os seus pais, irmãos e amigos hoje já dormindo o sono da morte! Pense você poder encontrar e conversar com seus bisavós, tataravós e antepassados seus que você nem chegou a conhecer nesta vida terrena! Pense virem ao seu encontro seus bisnetos, tataranetos, e descendentes futuros seus, de cuja existência você nem fazia ideia!

- Se em alguns momentos você já experimentou, nesta vida terrena, o que é o “alegrar-se com um gozo indizível e cheio de glória”, pode ter certeza que isso acontecerá com frequência e intensidade muito maior estando em seu novo corpo da ressurreição, lá onde não haverá mais dor, morte e nem lágrimas de tristeza!

Esses são apenas alguns exemplos da experiência humana que, em parte, já conhecemos neste corpo terreno, mas estando ressuscitados e no corpo celestial, serão infinitamente maiores e significativos. Outras experiências maravilhosas, que hoje nem podemos imaginar, nós teremos quando formos ressuscitados na volta de Cristo e estando em nosso novo corpo celestial. Aí, sim, saberemos de fato, o que é VIDA! Mas, para experimentarmos essa realidade, precisamos passar primeiro deste nosso corpo corruptível ao corpo incorruptível que o Senhor nos dará no dia de nossa ressurreição!

CONCLUSÃO
 Para finalizar Paulo nos revela, em 1 Co 15.50-55, um mistério quanto ao dia da volta de Cristo: nem todos irão morrer. Uma geração estará viva quando Jesus voltar. Essa geração, em vez de morrer, será arrebatada diretamente ao encontro com Jesus, mas também estes terão seus corpos transformados no novo corpo celestial.

 Coisas maravilhosas esperamos para além da nossa morte terrena! Por isso eu quero dizer-lhes hoje: O MELHOR AINDA ESTÁ POR VIR! Amém.

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