“E logo disse a Tomé: Põe aqui o dedo e vê as minhas mãos; chega também a mão e põe-na no meu lado; não sejas incrédulo, mas crente.” (João 20. 27. )

João Carlos

Pastor da Comunidade

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A INCREDULIDADE DE TOMÉ

Quando se fala em Tomé logo se lembra de incredulidade, isso se dá pela passagem Bíblica de João capítulo 20 e dos versos 24 à 29 que descreve Tomé duvidando dos outros Apóstolos quanto a aparição de Jesus ressurreto, dizendo que creria apenas se tocasse nos locais onde Jesus havia sido ferido pelos cravos e pela lança, então testificaria que era o mesmo.

Mas é fato também que o Senhor Jesus não aprovou a conduta de incredulidade de Tomé mesmo que momentânea: "E logo disse a Tomé: Põe aqui o dedo e vê as minhas mãos; chega também a mão e põe-na no meu lado; não sejas incrédulo, mas crente." João 20. 27.

Existem pessoas descrentes de Deus em relação a tudo e o tempo todo, como existem aquelas que são crentes no Senhor, creem na sua existência, na sua palavra, no seu poder, em fim... E mesmo estes podem as vezes se deixar levar por alguma circunstância e naquele momento diante daquela situação deixar a incredulidade tomar conta e quando isso acontece anula o poder de Deus em nossa vida. "E não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles." Mt. 13. 58.

A partir do relato da história de Tomé, encontrada no Evangelho de João, desejo destacar três situações que podem gerar ou fomentar a incredulidade em nossas vidas. Antes que venhamos a criticar o discípulo Tomé, vejamos onde ele errou, e avaliemos se estamos incorrendo nos mesmos erros.

1. A falta de comunhão.

Em Hebreus, existe um sério conselho: “Não deixeis de congregar-vos, como é costume de alguns”. O texto bíblico nos aponta que a incredulidade de Tomé se origina inicialmente no fato de que, quando Jesus apareceu aos discípulos, ele não estava lá (v.24). Temos visto muita gente hoje vivendo um aspecto privado da fé: creio em Deus, mas não preciso da igreja; ou coisa parecida com isso. Entretanto, a experiência coletiva, o fortalecimento mútuo e o encorajamento encontrados no seio da comunidade são indispensáveis. Depois de ressurreto, Jesus apareceu preferencialmente a grupos e não a pessoas em particular, exceto, talvez, no caso de Paulo, visando à sua conversão. Mas ele esperava da comunidade dos discípulos que estes estivessem em unidade, esperando a manifestação do Espírito Santo prometido. Esperando a revelação da ressurreição que ele havia predito. E quando ele finalmente vem, Tomé não estava lá. Quanta gente prefere a sua fé individual e, quando Deus se manifesta com poder no culto e na vida da gente, a pessoa não está lá para ser abençoada? Depois, ela duvida do que Deus pode fazer!

Cuidado com a incredulidade! Ela começa quando não estamos na comunhão dos santos, na vida da igreja!

2. A falta de confiança.

A falta de comunhão com a comunidade, por consequência, gera falta de confiança uns nos outros. Às vezes, vemos pessoas que dizem: “Fulano de tal, convertido? Duvido! Ele é osso duro de roer!” Não acreditamos que Jesus possa “aparecer” para essas pessoas que conhecemos! Tomé não acreditou que Jesus estivesse ressuscitado. Também não acreditou que seus irmãos e irmãs de fé o tinham visto. Isso fazia, aos olhos de Tomé, com que os demais discípulos ou fossem doidos (tendo visões irreais) ou mentirosos (falando do que não viram). Os discípulos disseram: “Vimos o Senhor”. Tomé não fez caso. Queria uma prova pessoal. A palavra deles não servia, fossem doidos ou mentirosos. De qualquer modo, eles se tornaram indignos de confiança! E a falta de confiança na comunidade afeta a nossa fé, porque esta é, essencialmente, comunitária! Ninguém consegue viver a fé cristã infinitamente sozinho. Ela procura pelo próximo e nele se realiza, ao abençoar, ajudar, interceder, partilhar, falar e ouvir a Palavra... Enfim, a incredulidade e o afastamento de muita gente da vida da Igreja se deu no exato momento em que, prejudicada a comunhão, as pessoas começaram a duvidar umas das outras. A não exercer o amor e a confiança. A não conviver. Sozinha, a fé murcha e seca. No convívio com a comunidade, ela se renova, se reforça, se transforma e floresce. Cuidado com a incredulidade! Ela aumenta quando a gente não confia uns nos outros, não se apoia mutuamente e não leva em conta a experiência do outro com Deus!

3. A busca excessiva por sinais e evidências.

ELE ESTAVA EM BUSCA DE ALGO MAIS DO QUE A PALAVRA DO SENHOR!

Muitos de nós temos a mesma atitude: Conhecemos a Palavra de Deus, vemos os testemunhos, mas mesmo assim duvidamos. Isso é incredulidade!!! Diante de uma decepção, não reagimos e DEIXAMOS A INCREDULIADE NOS DOMINAR. Tem gente que quer crer, mas precisa de tantas provas e evidências que a fé deixa de ser o que é essencialmente: “a certeza de coisas que se esperam; a convicção de fatos que se não vêem”. Como podemos “crer” se queremos “ver”? Há uma corrida em busca de sinais, maravilhas, profecias, milagres, evidências, curas, libertações. É preciso ter garantia... As pessoas querem soluções para seus problemas e não se importam de onde elas vêm. Importa que, à semelhança de Tomé, possam “colocar o dedo na ferida”; “possam ver”. Jesus criticou os judeus por sua busca excessiva por sinais. Talvez criticasse nossa Igreja cristã no mundo de hoje pelas mesmas razões. Queremos muitos sinais e provas. Ficamos aflitos e angustiados quando uma revista de grande circulação traz como matéria de capa que os cientistas duvidam de Deus. Que importa se o mundo inteiro duvida? Nós, cristãos, é que não podemos duvidar. Porque a nós cabe a missão de levar o mundo a experimentar o que temos. Por isso, nossa fé tem que ser inabalável. A incredulidade do mundo, não. Mas como poderemos levar as pessoas a um estado superior de fé, se a nossa é tão rasa que não resiste à falta de sinais, milagres e maravilhas? Não espere pelo pregador, abra a sua boca e glorifique a Deus. Não precisamos trocar de igreja em busca de sinais e avivamento ou coisas parecidas. Pois a Igreja somos nós. Depende de você.

Conclusão

Jesus diz a Tomé: “Você acreditou porque viu?” Isso é muito fácil, isso é o de menos. Bem-aventurados os que pediram, clamaram, necessitaram e não viram, mas, mesmo assim, continuaram a crer! Esses é que são os verdadeiros crentes. Imite-os, é o que diz Jesus a Tomé. Você não precisa ficar para sempre na incredulidade: seja um crente! Talvez você e eu passemos por momentos de dúvidas, questionamentos e até mesmo de incredulidade. Porque ter dúvidas a respeito do que fazer; ou ter dificuldades em entender a vontade de Deus num determinado momento não quer dizer que deixamos de crer; apenas que ainda não temos clareza da postura que Deus requer de nós. Ser incrédulo é, à semelhança de Tomé, permanecer com o coração endurecido até que a prova seja contundente demais para ser negada. Deus não quer isso de nós. Ele quer que recorramos a ele em todo o tempo. Para isso, podemos fortalecer a nossa fé de três modos, inversos aos que causam a incredulidade:

1. Estar sempre no meio da comunidade de fé, pois este é um dos lugares essenciais onde poderemos ter experiências com Deus que nos amadureçam e revigorem;

2. Desenvolver uma intimidade e confiança amplos uns nos outros na comunidade de fé;

3. Aprender a ser independentes de milagres e maravilhas para saber que Deus age, mesmo de formas diversas e inesperadas!

Sigamos todos o conselho de Jesus a Tomé: “Não seja incrédulo, mas crente!” Assim sejamos nós, pois “sem fé é impossível agradar a Deus”... Amém..


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