“Muitos me dirão naquele Dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E, em teu nome, não expulsamos demônios? E, em teu nome, não fizemos muitas maravilhas? E, então, lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade”(Mt 7.22,23)

Pr. João Carlos

Pastor Auxiliar

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OS DONS DO ESPÍRITO SANTO

1Coríntios 12.1-11 

Temos nesse texto o apóstolo Paulo orientando uma comunidade famosa por seus problemas. O desafio é que, em conjunto com essa comunidade, olhemos essa temática em sua relação com o que é ser igreja. Deus revela sua intenção com os diversos dons existentes e a função desses no corpo de Cristo. Em Atos 18.1-18, somos informados sobre o início da igreja. Paulo encontra na cidade o casal Áquila e Priscila, fazedores de tendas por profissão. Primeiramente, Paulo trabalha com eles para seu sustento. Posteriormente, ele dedica-se ao ministério da Palavra, sustentando-se com ofertas trazidas por seus colaboradores Timóteo e Silas.

Paulo professa Jesus como o Messias de Israel, e isso leva-o à ruptura com a sinagoga. Começam então as reuniões em casas, com famílias judaicas ou simpatizantes do judaísmo, que passam a crer em Jesus Cristo. Muitas outras pessoas são evangelizadas, resultando na conversão de judeus, gregos, gentios e escravos. Com essas pessoas é formada inicialmente a comunidade de Corinto. Depois de um ano e meio de ministério em Corinto, Paulo viaja para Antioquia, na Síria, passando pela Ásia Menor. Em Éfeso, ele deixa o casal Áquila e Priscila, que encontra posteriormente um judeu de Alexandria chamado Apolo, que se destaca pela oratória e empolgação com o evangelho (At 18.23-28).

Após algumas instruções acerca da fé, ele é enviado a Corinto. A comunidade havia crescido. Aparentemente, Apolo torna-se, por causa de sua capacidade teológica e argumentativa, importante na comunidade, a ponto de posteriormente haver aqueles que se chamavam “os de Apolo” (1Co 1.12). Ele apoiou os membros nas discussões com judeus, demonstrando pelas Escrituras Sagradas que Jesus Cristo é o Messias esperado.

Chegaram também a Corinto alguns cristãos do Oriente, talvez de Jerusalém. Eram cristãos judeus que criam que a unidade da igreja estaria garantida se todos se submetessem a Pedro. Eles são os de Pedro (1Co 1.12). Esses, aparentemente, desconheciam Paulo e seu ministério. Um outro grupo denominava-se os de Cristo, aparentemente se considerando melhores do que os outros, garantindo, assim como os de Apolo e os de Pedro, que sua maneira de viver o evangelho era a mais correta. É a esse grupo, os de Cristo, que Paulo dá atenção especial, movido pela preocupação de que poderia estar levando a igreja de Corinto a desviar-se da verdadeira essência do evangelho.
I. OS DONS NÃO SÃO PARA ELITIZAR O CRENTE
A Igreja em Corinto localizava-se numa cidade comercial e próxima do mar, sendo uma das mais importantes do Império Romano. Corinto era uma cidade economicamente rica, porém marcada pelo culto idolátrico. Durante a segunda viagem missionária de Paulo, a igreja recebeu a visita do apóstolo (At 18.1-18). Por conhecer muito bem a comunidade cristã em Corinto foi que o apóstolo Paulo tratou, em sua Primeira Epístola dirigida àquela igreja, sobre a abundância da manifestação dos dons do Espírito, chegando a afirmar daquela igreja que “nenhum dom” lhe faltava (1Co 1.7).

Uma igreja de muitos dons, mas carnal. Os dons do Espírito concedidos por Deus à igreja de Corinto tinham por finalidade prepará-la e santificá-la para o serviço do evangelho: a proclamação da Palavra de Deus naquela cidade. Todavia, além de aquela igreja não usar corretamente os dons que recebera do Pai, tinha em seu meio divisões, inveja, imoralidade sexual, etc. Como pode uma igreja evidentemente cristã ser ao mesmo tempo carnal e imoral? Por isso Paulo a chama de carnal e imatura (1Co 3.1,3). Com este relato, aprendemos que as manifestações espirituais na igreja local não são propriamente indicadoras de seriedade, espiritualidade e santidade. Uma igreja onde predominam a inveja, contenda e dissensões, nem de longe pode ser chamada de espiritual, e sim de carnal.

Dom não é sinal de superioridade espiritual. Muitos creem erroneamente que os irmãos agraciados com dons da parte de Deus são, por isso, mais espirituais que os outros. Todavia, os dons do Espírito são concedidos pela graça de Deus. Por ser resultado da graça divina, não recebemos tais dons por méritos próprios, mas pela bondade e misericórdia de Deus. Que a mensagem de Jesus possa ressoar em nossa consciência e convencer-nos de uma vez por todas de que os dons não são garantia de espiritualidade genuína: “Muitos me dirão naquele Dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E, em teu nome, não expulsamos demônios? E, em teu nome, não fizemos muitas maravilhas? E, então, lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (Mt 7.22,23).


II. EDIFICANDO A SI MESMO E AOS OUTROS
Edificando a si mesmo. Paulo diz que quem “fala língua estranha edifica-se a si mesmo” (1Co 14.4). O apóstolo estimulava os crentes da igreja de Corinto a cultivarem sua devoção particular a Deus através do falar em línguas concedidas pelo Espírito, com o objetivo de edificarem a si mesmos.

Edificando os outros. Os crentes de Corinto falavam em línguas e exerciam vários dons espirituais, mas parece que eles não se preocupavam muito em ajudar as pessoas. Por isso, o apóstolo lembra que os dons só têm razão de existir quando o portador preocupa-se com a edificação da vida do outro irmão em Cristo (1Co 14.12). Em lugar de buscarmos prosperidade material, como se pudéssemos barganhar com Deus usando dinheiro em troca de bênçãos, busquemos os dons espirituais. Agindo assim edificaremos a nós mesmos e também aos outros.

Edificando até o não crente. “Embora o próprio Paulo falasse em línguas, enfatizava a profecia, porque esta edificava a Igreja inteira, enquanto falarem línguas beneficiava principalmente o falante”. Todos quantos vierem a frequentar nossas reuniões devem ser edificados, sejam crentes ou não.

III. EDIFICAR TODO O CORPO DE CRISTO
Na Primeira Carta aos Coríntios, Paulo dedica dois capítulos (12 e 14) para falar a respeito do uso dos dons na igreja. O apóstolo mostra que quando os dons são utilizados com amor, todo o Corpo de Cristo é edificado. O amor é essencial para os dons espirituais alcançarem seu propósito”. Se não houver amor, certamente não haverá edificação (1Co 13). Sem o amor de Deus nos tornamos egoístas e acabamos por colocar nossos interesses em primeiro lugar. O propósito dos dons, que é edificar o Corpo de Cristo, só pode ser cumprido se tivermos o amor de Deus em nossa vida.

IV. EDIFICANDO A UNIDADE NO CORPO
Paulo enfatiza a necessidade de manter a unidade dentro da diversidade de dons existente (v. 4). Esse enfoque é percebido quando ele fala que é o mesmo Senhor que concede todos os dons. Ele não defende a uniformidade, mas a unidade na diversidade. Os dons têm uma razão para coexistir. Eles estão aí para o serviço no reino de Deus. Por esse motivo, é ilógico e um absurdo haver divisão justamente por essa razão. Quando uma parte do corpo não desenvolve o seu papel, todo o corpo sofre com isso. Nesse sentido, nenhum dom é mais importante do que outro, mas codependente. Nenhum dom é distintivo de um verdadeiro cristão, mas a possibilidade dada por Deus de servir tendo em vista as outras pessoas.

O objetivo do corpo, da igreja, é o agir missionário. Somente é possível entender o apóstolo Paulo quando se o percebe como missionário, preocupado para que o evangelho seja levado adiante, isso se torna claro quando se afirma que também os dons têm essa finalidade: a edificação da igreja em vista do outro.

Esse também é o desafio nos tempos atuais. A igreja/corpo de Cristo tem como finalidade ser missionária e relevante para a vida das pessoas, tanto as que fazem parte desse corpo como as de fora. Para que isso aconteça, dons e talentos são dados pelo Espírito Santo para engrandecer a obra de Cristo neste mundo.

CONCLUSÃO
A igreja de Jesus Cristo tem uma missão a cumprir: proclamar o evangelho em um mundo hostil às verdades de Cristo e descrente de Deus. Diante desta tão sublime tarefa, a igreja necessita do poder divino. Os dons espirituais são um “arsenal” à disposição do corpo de Cristo para o cumprimento eficaz de sua missão na terra. Como já foi dito, o propósito dos dons é edificar toda a igreja, todo Corpo de Cristo para ser abençoado, exortado e consolado. Por isso, nunca devemos usar os santos dons de Deus em benefício particular, como se fosse algo exclusivo de certas pessoas. Somos chamados a servir a Igreja do Senhor, e não a utilizar os dons de Deus para nós mesmos. Amém.
Perguntas para células:
1.Qual é o verdadeiro propósito dos dons divinos?
2.De acordo com a lição, Paulo priorizava na igreja o ato de profetizar ou o de falar em línguas? Por quê?
3.O que é essencial o crente ter para que a igreja seja edificada?

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